segunda, 17 de fevereiro de 2020 ISSN 1519-7670 - Ano 20 - nº 1074

Tânia Alves

O sudoku é um passatempo publicado diariamente no O POVO. De segunda a sábado no Vida & Arte, página Alegrias, e aos domingos, no Buchicho/Meu. Para resolvê-lo, são necessários papel, lápis, paciência e raciocínio lógico. A seção foi motivo de reclamação de um leitor, que telefonou à ouvidoria no dia 14 passado. Ele, professor de Matemática, apontou na ocasião que a resposta não correspondia ao enunciado apresentado, na página 21, do caderno Buchicho, edição do dia 12/7/2015. Ressaltou que, como veterano, é capaz de resolver o quebra-cabeça, mas tinha preocupação com os novatos pouco familiarizados ao jogo. Falava, especialmente, em nome dos estudantes, já que o sudoku estimula o raciocínio matemático, além de ajudar a consolidar o pensamento estratégico. “A solução é necessária para os iniciantes”, disse.

Verifiquei no Buchicho citado pelo leitor. Era visível, mesmo para uma pessoa principiante no passatempo como eu, que a solução não apresentava relação com o enunciado. O objetivo do jogo, em linhas gerais, é completar com números os quadradinhos vazios, de maneira que cada fileira (vertical e horizontal) contenha algarismos de 1 a 9 sem repetir nenhum. A grade menor 3 x 3 quadrados, que aparecem no quebra-cabeça, também precisa conter os números de 1 a 9. E naquele dia estava claro que a solução não encaixava. Deveria ser de outro teste, não daquele. Detectando o erro, enviei, no comentário interno, a observação do professor. O leitor voltou a telefonar por mais duas vezes durante aquela semana. Disse para ele que esperava encontrar o reparo no caderno Buchicho de domingo, dia 19 passado. Só que não aconteceu. Na segunda-feira, dia 20, voltei a cobrar que o reparo fosse publicado. Até este sábado, faltou retorno.

Pedi uma explicação para os editores da área – Vida & Arte e Buchicho – sobre a ausência na publicação da solução correta e solicitei ainda que me enviasse a correção para publicar na coluna. Da editora-executiva do Núcleo de Cultura e Entretenimento, Cynthia Medeiros, Recebi a seguinte resposta: “Acessamos o sudoku a partir de um site. Na verdade, é o próprio diagramador do V&A e do Buchicho que faz isso. Solicitei ao nosso diagramador, que verificasse o que pode ter acontecido. Assim como o Clóvis Holanda (editor do Buchicho), imagino se tratar de um erro no sistema que disponibiliza o passatempo”. Sobre o pedido da solução, nenhum comentário.

SEM RESPOSTA EFICIENTE

Neste sábado,25, quase duas semanas após a publicação da solução inadequada, os editores responsáveis ainda desconheciam o motivo do erro e nem tinham providenciado o reparo. A Redação tem responsabilidade sobre tudo que se publica no jornal. Os editores devem ter ciência de tudo que se edita nos cadernos. Sejam notícias, charges, seções, artigos, horóscopo, flor do dia, santo do dia, palavras cruzadas e sudoku. Se o jornal disponibiliza o passatempo, tem por obrigação zelar para que seja veiculado corretamente. Se saiu errado, existe a seção “Erramos” para que ocorra a correção. No caso do sudoku, foi no mínimo falta de atenção com o leitor que cobrou e insistiu que se publicasse a solução correta. Faltou compromisso para dar uma resposta eficiente e rápida.

SOBRE ACERTOS

Durante a semana passada, O POVO apresentou para os leitores reportagens que se destacaram e que reforçam, cada vez mais, o quanto é importante investir nesse tipo de jornalismo. Só para citar algumas: “Instituto Agropolos – Falta transparência e sobra uso político”, edição do O POVO.dom; dia 19/7; “Seca desativa oito dos 14 perímetros irrigados no CE”, edição de segunda-feira, dia 20; ou “O POVO flagra uso privado de máquinas do PAC no Interior do Estado”, na mesma edição. Mas foi a reportagem “10 anos depois – A história sem fim do furto ao Banco Central“ (ver fac-símile) , publicada na terça-feira, 21, a mais madura do ponto de vista de apuração jornalística e a mais consistente.

A matéria do Banco Central é resultado do acompanhamento sistemático do caso pelos repórteres do Núcleo Especiais. Além de um caderno de oito páginas no impresso, a cobertura se espalhou pelas emissoras de rádio do Grupo no programa “Debates do Povo” e na TV O POVO com exibição do webdoc, no Portal O POVO Online e nas redes sociais do grupo. O ponto que não funcionou muito bem foi o hotsite, que só apareceu como devia no segundo dia da matéria, na quarta-feira passada. O vídeo no Portal tinha no Facebook do O POVO 94.289 visualizações neste sábado,25, pela manhã. O exemplo mostra que uma reportagem bem apurada ainda é capaz de prender e multiplicar leitores.