Tuesday, 25 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Falta sustança ao furo da Folha

A Folha publica hoje uma matéria de 690 palavras, que dá a manchete da edição:


“Sigilo de caseiro foi quebrado na CEF”.


O tempo decerto dirá se os repórteres Marta Salomon e Kennedy Alencar apuraram os fatos como os fatos se deram. Hoje como hoje, é cedo para dizer.


Isso porque as passagens substantivas do texto são apenas duas. A saber:


1. “O formulário de extração de dados da movimentação bancária de Francenildo é exclusivo do sistema interno da estatal, ao qual nem clientes têm acesso.


Seja lá o que isso queira dizer.


2. “Segundo a Folha apurou, a ordem para a violação do sigilo foi dada por um funcionário com cargo de chefia da Caixa, instituição subordinada ao Ministério da Fazenda.


Não seria de esperar, evidentemente, que o jornal informasse como “apurou” – a menos que a fonte dissesse “pode escrever que fui eu que contei”. Mas a leitura do texto não dá a impressão de que os seus autores chegaram ao limite do possível para dar ao leitor uma pista que fosse da apuração.


Na imprensa americana, por exemplo, é cada vez mais comum uma frase como essa – “o jornal apurou” – vir seguida ou de alguma indicação que ajude a lhe dar credibilidade ou do registro de que qualquer outro acréscimo levaria inevitavelmente à identificação da fonte que abriu o jogo, confiando na preservação do seu anonimato.


Em suma, faltou sustança.


Histórias por histórias sem nem fumaça de atribuição, considero bem mais nutritivas as duas notas da coluna Mônica Bergamo, na mesma Folha de hoje.


A primeira se intitula “Coisa feia”. A segunda, “Faço o que eu digo”. Eis o que dizem:


“Não é a primeira vez que a equipe do ministro Antonio Palocci – suspeita de fazer circular os sigilos bancários do caseiro Francenildo Santos da Costa em Brasília – navega por aspectos pessoais da vida dos adversários. No começo do governo, um dos principais assessores de Palocci tomou a iniciativa de “ajudar” jornalistas a investigarem fatos da vida de Fernando Henrique Cardoso. Apesar do empenho de tal assessor, a “reportagem” não vingou.


“Curioso é que a mesma equipe que auxiliava na bisbilhotice contra FHC defende agora que Palocci seja preservado em sua “vida pessoal”.


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