
(Evento “A terra dá, a terra toma: alertas e tributos interdisciplinares” abordou discussões sobre natureza e ancestralidade. (Foto: Divulgação)
A pauta sobre a segunda edição do evento “A terra dá, a terra toma: alertas e tributos interdisciplinares” surgiu a partir de uma prática que temos buscado consolidar no Laboratório de Comunicação Organizacional (LabCom) da UESPI: não apenas receber demandas, mas acompanhar o que acontece na universidade e identificar acontecimentos com potencial jornalístico. Monitoramos redes sociais, grupos de professores e estudantes e canais dos cursos. Foi assim que encontramos o banner de divulgação do evento circulando nos grupos acadêmicos e procuramos um dos professores organizadores para conhecer melhor a proposta.
Realizada anualmente, a atividade reunia sete cursos da instituição e apresentava elementos que justificavam o interesse editorial: o caráter interdisciplinar, as discussões sobre natureza e ancestralidade, a referência ao pensamento de Nego Bispo, a presença de representantes de comunidades quilombolas e a aproximação entre universidade, território e conhecimentos tradicionais.
A cobertura foi planejada previamente pela equipe. Os estudantes dividiram responsabilidades entre entrevistas, produção da notícia, fotografias e conteúdo audiovisual. Paula Marques ficou responsável pela reportagem em texto e Pedro Henrique pela produção do Reels. A programação enviada pelos organizadores ajudou na preparação e algumas fontes foram previamente identificadas, mas, como ocorre nas coberturas jornalísticas, parte importante das decisões foi tomada durante o próprio evento.
Na produção da reportagem, um dos principais exercícios foi identificar quais fontes poderiam contribuir com perspectivas diferentes sobre a proposta do evento. Paula precisou pensar não apenas em quem entrevistar, mas também no que perguntar a cada pessoa, evitando respostas repetitivas e buscando construir uma matéria que contemplasse diferentes dimensões da atividade. Assim, organizadores, estudantes e representantes institucionais foram acionados para explicar, respectivamente, a concepção interdisciplinar do evento, a experiência vivenciada pelos participantes e sua importância para a universidade.
Ao mesmo tempo, a cobertura audiovisual exigia traduzir o mesmo acontecimento por outra linguagem. Para o Reels, Pedro Henrique precisou observar enquadramento, iluminação, qualidade do áudio, duração das respostas e quais personagens funcionariam melhor em uma narrativa mais breve e visual. Os estudantes perceberam, na prática, que texto e vídeo podiam contar a mesma história por caminhos diferentes.
Essa divisão de funções não significou um trabalho isolado. Pelo contrário: enquanto uma integrante identificava novas fontes e questões surgidas durante as falas, o responsável pelo vídeo avaliava quais personagens e respostas poderiam contribuir para a narrativa audiovisual. A experiência evidenciou a necessidade de conciliar autonomia, planejamento e trabalho em equipe.
A cobertura também apresentou desafios técnicos e exigiu adaptação. Condições de iluminação, posicionamento, escolha dos melhores locais para gravação e mudanças no planejamento inicial mostraram a importância de chegar preparado, mas também de saber construir alternativas quando algo não ocorre como previsto.
A reportagem foi escrita por Paula Marques e passou por revisão e edição orientadas antes da publicação no portal institucional da UESPI. A edição trabalhou especialmente a hierarquização das informações, a construção do lead, a organização das fontes, a concisão e o equilíbrio entre contextualização e linguagem jornalística.
Mais do que registrar a realização de um evento, a experiência permitiu aos estudantes exercitar algo essencial à proposta do LabCom: transformar acontecimentos da própria universidade em pautas jornalísticas capazes de explicar, contextualizar e aproximar da sociedade o conhecimento e as experiências produzidas no ambiente acadêmico. A cobertura do evento também contou com um registro fotográfico realizado por estudantes do Curso de Jornalismo da UESPI, material que complementou a documentação da atividade e está disponível em uma galeria de imagens. Conheça também outras produções do Curso de Jornalismo da UESPI no Instagram do curso.
Confira a cobertura inteira aqui.
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Ruthy Costa é professora efetiva do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), mestra em Comunicação pela UFPI e doutoranda em Comunicação pelo PPGCOM/UFPE. Coordena o Laboratório de Comunicação Organizacional (LabCom) da UESPI, no Campus Professor Barros Araújo, em Picos, e desenvolve pesquisas nas áreas de Jornalismo, comunicação digital e tecnologias.
