Saturday, 20 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Sites da emissora atacados por suposto grupo leal a Assad

O sites da al-Jazira em inglês e árabe foram atacados por hackers na semana passada, aparentemente por um grupo simpatizante ao presidente sírio Bashar al-Assad, que se autodenominou al-Rashedon (algo como “aqueles que são guiados”). “Esta é uma resposta à posição de vocês contra o povo e o governo da Síria, em especial ao apoio a grupos terroristas armados, assim como à disseminação de notícias inventadas”, dizia a declaração no site atacado.

A rede emitiu uma declaração dizendo que seus serviços tinham sido “prejudicados”. “A empresa responsável pelos serviços resolveu o problema rapidamente, embora alguns usuários possam continuar a ter dificuldades por algum tempo. Agradecemos à nossa comunidade online pela paciência e apoio”, informou. Comentaristas disseram desconhecer o grupo que reivindicou responsabilidade. “Nunca ouvi falar desse grupo”, escreveu o jornalista saudita Ahmed Al Omran.

“Sectária e tendenciosa”

Para Aaron Zellin, do Instituto para Políticas do Oriente Médio, em Washington, os hackers seriam um braço eletrônico da milícia Shabiha, leal ao presidente Assad, mas essa conexão era difícil de comprovar. “Acho que os hackers só queriam fazer uma declaração e ser ouvidos. E terão atenção, mesmo que só por alguns dias.” disse.

Desde o início da primavera árabe, a rede al-Jazira ficou conhecida por ser uma das principais organizações de mídia a cobrir a instabilidade na região. Ao contrário de outros veículos controlados por governos, a al-Jazira tornou-se conhecida por uma cobertura agressiva dos ditadores e dos regimes opressivos. Mas também foi acusada de ser inconsistente e tendenciosa. No início deste ano, parte de sua equipe renunciou, acusando a emissora de ser tendenciosa e tomar partido contra o regime sírio e a favor do Bahrein, país vizinho do Catar, sede da rede.

A al-Jazira foi fundada pelo governo do Catar e seus críticos dizem que ela acompanha os objetivos da política externa de seu patrocinados, embora a emissora diga que é independente do controle do governo. “Durante o ano passado, a al-Jazira ficou mais sectária e tendenciosa a respeito daquilo que faz cobertura e do que não faz”, opinou Zellin. “Eles não cobrem questões que não se adaptam ao discurso de política externa do Qatar.” Informações de Alexander Hotz [The Guardian, 4/9/2012].