Monday, 22 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Governo japonês proíbe jornalistas de irem à Síria

O fotógrafo japonês Yuichi Sugimoto afirmou que o governo de seu país confiscou seu passaporte para impedir que ele viajasse para um trabalho na Síria, onde dois reféns japoneses foram mortos, em janeiro, pelo grupo terrorista Estado Islâmico. Um deles era o jornalista Kenji Goto.

Sugimoto, que trabalha como freelancer e nos últimos 20 anos cobriu diversas zonas de conflito, disse que recebeu uma visita de oficiais do Ministério das Relações Exteriores, que estavam acompanhados por policiais. Um oficial entregou-lhe um documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Fumio Kishida, ordenando que ele entregasse o passaporte. O fotógrafo alega que o governo violou seu direito constitucional de ir e vir e impediu que ele realizasse seu trabalho, e que considera a ação um ataque à liberdade de imprensa.

Um porta-voz do governo defendeu a medida, afirmando que, no momento, viajar para a Síria representa um alto risco, e que as autoridades têm a responsabilidade de proteger seus cidadãos. Em uma recente visita ao Parlamento, o ministro Fumio Kishida disse que o governo está planejando uma série de medidas para melhorar a segurança dos japoneses no exterior.

A ação utilizada para confiscar o passaporte do fotógrafo foi baseada numa lei obscura que permite que o governo intervenha e confisque o passaporte de um cidadão para evitar que ele coloque sua vida em risco.

Para Sugimoto, o ato de confiscar seu passaporte foi um abuso de poder e um péssimo precedente para os jornalistas japoneses. “Perder o meu passaporte significou uma perda de trabalho como fotógrafo freelancer. Eu senti que a minha vida estava sendo negada”, afirmou.

De acordo com Lucy Birmingham, presidente do Clube de Correspondentes Estrangeiros do Japão, o grupo está considerando entrar com um processo formal contra a medida do governo japonês. “Apesar de reconhecer que o governo japonês está passando por um momento complicado com muitas preocupações, o direito de um jornalista cobrir uma pauta e o princípio da liberdade de imprensa têm que continuar a ser inalienáveis”, declarou.