Tuesday, 16 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Um guia de segurança para jornalistas freelancers

Uma coalizão de importantes veículos jornalísticos e grupos de defesa do jornalismo divulgou na quinta-feira [12/2], na Faculdade de Jornalismo da Universidade Columbia, um conjunto de orientações para a proteção de jornalistas freelancers. As recomendações, que contarão com o apoio de várias agências de notícias, como a Associated Press e a Agence France-Presse, enunciam as melhores práticas para os freelancers, assim como para as organizações jornalísticas que contratam seus serviços.

As orientações representam uma cooperação sem precedentes com o objetivo de proteger jornalistas no que se considera o momento mais perigoso de sua história, diz o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), que faz parte do grupo que elaborou o documento.

O amplo acesso a ferramentas de internet que possibilitam a publicação de informações por texto, áudio e vídeo foi rapidamente abraçado por terroristas, que deixaram de depender de organizações jornalísticas para divulgar suas mensagens de propaganda. Isso também tornou os jornalistas mais valiosos como peças de “espetáculos de horror” do que como testemunhas dos fatos, diz Robert Mahoney, vice-diretor do CPJ. Perdas financeiras levaram muitas organizações jornalísticas a fechar suas sucursais no exterior, deixando aos freelancers as tarefas que ninguém quer fazer em regiões perigosas.

A iniciativa foi impulsionada, em grande parte, pelas mortes dos jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff, em 2014, pelo grupo terrorista Estado Islâmico. A decapitação de ambos os jornalistas, cujas imagens foram divulgadas ao público e amplamente disseminadas pela internet, “exigia uma reação construtiva por parte da indústria jornalística”, afirma Mahoney. “A avalanche de sequestros e assassinatos de jornalistas a que assistimos durante os últimos dois anos, principalmente no Oriente Médio, foi monstruosa e exige algum tipo de ação de nossa parte”.

Orientações poderão se tornar um padrão

Em 2014, 61 jornalistas foram mortos durante seu trabalho, segundo pesquisa do CPJ. Um quinto deles atuava como freelancer. Os assassinatos de Foley e Sotloff enfatizaram os perigos. A matança de jornalistas continua e, somente em janeiro deste ano, pelo menos 15 profissionais foram mortos. Mais de um terço deles eram freelancers.

De 2012 a 2014, 205 jornalistas foram mortos no mundo todo, um aumento de 24% em relação aos três anos antecedentes. Os três últimos anos foram os piores no que se refere à prisão de jornalistas desde que o CPJ começou a coletar dados, com 221 jornalistas presos ao final de 2014.

Entre os signatários que apoiaram amplamente as novas orientações estão a Associated Press, a Agence France-Presse, a BBC, o CPJ, o Global Post, o Frontline Freelance Register [entidade criada e mantida por jornalistas freelancers], a agência Reuters, a organização Repórteres Sem Fronteiras, o Rory Peck Trust e o Risc (Repórteres Instruídos para Salvar Colegas). O grupo tentará fazer com que as orientações se tornem um padrão para todas as organizações jornalísticas que enviem jornalistas para zonas de risco.