Tuesday, 05 de March de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1277

José Mindlin e a alegria da leitura


Interessantíssimo o comentário de Esdras do Nascimento sobre o romance Os Seios de Pandora, de Sônia Coutinho. Não tanto pelas observações sobre o livro em si, muito pertinentes, como por ter-me permitido, após quarenta anos de vida literária, solucionar um mistério muito mais profundo que o investigado no livro: por que eu e outros escritores parecemos não nos entender em certas análises do fenômeno literário. Meu grande amigo Esdras, conhecedor inconteste e professor do metiê, me deu uma lição, solucionou o enigma para mim: a literatura de imaginação é a arte da palavra. E eu aqui, em minha santa ignorância, pensando que a arte da palavra fosse a retórica, uma designação que nos tempos recentes veio a assumir a conotação de coisa bombástica, vazia. “E só retórica”, “É pura retórica”, diz-se. Era por isso que não nos entendíamos, quando só uma palavra (três, na verdade) bastariam. Agora, devidamente contrito e esclarecido, percebo por que tantos romances “modernos” me parecem tão chatos, tão sem conteúdo. Está explicado: seus autores exercem a arte da palavra, são retóricos. Em minha parvoíce, eu achava que a literatura era a arte da ficção; quer dizer, da invenção, da fantasia. Deus do céu, que vergonha, que horror! Nem eu mesmo acredito que durante esse tempo todo estive venerando escribas menores como Cervantes, Dostoiévski, Tolstoi, Balzac, Eça de Queiroz, Lima Barreto, Jorge Amado, José Lins do Rego, Lúcio Cardoso. Esses pobres desorientados sem dúvida dominaram magnificamente a arte da ficção, mas da retórica, que é o que deviam ter feito? Pelo amor de Deus! Com aquelas frases tronchas, atropeladas, aquela vulgaridade, chulice mesmo, aqueles pequenos assassinatos de seus respectivos idiomas? Ah, que bom renascer de novo para a verdadeira fé. Viva a palavra! Abaixo a ficção!

Marcos Santarrita

Não posso deixar de mencionar a proficiente análise da crítica Angela Adnet à excelente obra de Esdras do Nascimento, Lições da noite, na qual a autora demonstra profundo conhecimento acerca das obras do escritor, explanando de maneira hábil e com amplitude de visão em que contexto se insere a referida obra. Sem dúvida, e parafraseando a digníssima crítica, “… um convite à leitura.”

Cláudio Silva, Brasília, DF

É com prazer que participamos o lançamento do livro O Planeta Mídia: tendências da comunicação na era global, de Dênis de Moraes, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Imagem e Informação da Universidade Federal Fluminense e autor, entre outras obras, de O Velho Graça – uma biografia de Graciliano Ramos, O rebelde do traço – a vida de Henfil, O imaginário vigiado: a imprensa comunista e o realismo socialista no Brasil e Globalização, mídia e cultura contemporânea (org.).

No prefácio da obra, o professor Muniz Sodré assinala: “O Planeta Mídia apresenta ao público leitor as dimensões reais do hipercrescimento dos setores de mídia, entretenimento e telecomunicações. Trata-se da descrição visceral do sistema imperial ou unipolar que vem caracterizando a presença do poder americano no mundo depois da derrocada do bloco soviético. A partir do impressionante volume de dados levantado e exposto com precisão por Dênis de Moraes, os conglomerados de mídia ficam definitivamente identificados como atores de primeira linha no processo de reprodução do capital em dimensão planetária”.

O livro pode ser comprado pela Internet e entregue em casa, sem qualquer despesa postal, por bastando enviar e-mail para o endereço eletrônico <webmaster@letralivre.com.br>.

Henrique de Medeiros, Letra Livre Editora