Friday, 19 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

No início do intróito do preâmbulo

TELEJORNALISMO ONLINE

Antônio Brasil (*)

Jornalismo de qualidade tem solução. Seja num jornal, na televisão ou na internet, tanto faz. Nunca deixei de acreditar no poder de uma sociedade bem informada com múltiplas fontes de notícias. Algumas melhores ou mais confiáveis, dependendo sempre da formação ou do interesse de cada um. Pura questão de opção. Sou da geração TV e dedico tempo e esforço para tentar entender esse meio. Mas me interesso muito pelo futuro. Após 30 anos fazendo e assistindo televisão, não quero ser um "farol saudosista" apontando sempre para trás. Prefiro a imagem de uma "antena" voltada para o futuro, mas com referências inevitáveis e preciosas no passado.

À série de artigos publicados neste Observatório sobre os problemas do telejornalismo e as alternativas para se evitar uma comprovada decadência ou uma possível extinção do meio, gostaria de acrescentar a inestimável colaboração de alguns leitores. Tenho recebido diversas mensagens sobre as novas propostas de um telejornalismo na internet. Dias atrás recebi uma série de perguntas da estudante de Jornalismo Andréa Melo, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, campus Chapecó. Confesso que fiquei impressionado com a qualidade e a pertinência das perguntas sobre o telejornalismo na rede. Tomei a liberdade de divulgá-las para criar uma discussão sobre essas alternativas.

Insisto: não adianta ficar somente relembrando o passado e criticando o presente. Deve-se tentar apresentar alternativas. E assim como a Andréa procura contribuir com a sua pesquisa sobre o telejornalismo para uma monografia de conclusão de curso, outras pessoas, pelos mais diversos motivos, se interessam pelos noticiários de TV e suas alternativas na internet. Seguem respostas a Andréa.

Na TV se fala de telejornalismo. Qual o termo adotado na web?

A.B. ? Creio que ainda não há uma terminologia ou quadro de conceitos totalmente definidos e universais. Ainda trabalhamos de forma isolada e nossas referências são os meios de comunicação de massa já existentes como o jornal, o rádio e a televisão. Logo, adaptamos "termos" como webjornalismo, webcasting, em contraposição ao broadcasting da TV ou jornalismo na web. Por enquanto, já que estamos num período de transição, prefiro trabalhar com "telejornalismo online". Não é o ideal, mas facilita a compreensão para todos nós que fomos criados com a televisão como principal meio de comunicação de massa. Conforme avançamos na proposta de desbravar um meio completamente novo como a internet vamos criando uma nova conceituação que venha a ser aceita universalmente. Mas isso ainda vai levar tempo.

Você já trabalhou na TV e acompanhou a convergência do telejornal para web. Na sua opinião quais as principais características do telejornalismo na web?

A.B. ? Ainda trabalho, pesquiso e ensino TV. Continuo acreditando no meio. Após 50 anos de sucesso, a TV deve buscar alternativas à uma situação visível de desgaste, acomodação ou até mesmo de uma possível decadência. Pude presenciar (como telespectador) outra convergência ou migração no passado, quando o nosso rádio se tornou televisão. Muitos até anunciavam o fim do meio radiofônico e apostaram tudo na TV. Em termos de linguagem, sou dos que acreditam que a televisão deveria ter utilizado melhor uma influência natural do meio cinematográfico. Acabamos nos tornando somente um bom rádio com um péssimo cinema. Nossas imagens são muito limitadas. É só ver, ou melhor, é só ouvir uma novela. A imagem conta muito pouco na nossa televisão, tanto na dramaturgia como no telejornalismo. Você pode passar o dia inteiro "ouvindo" televisão que não vai fazer muita diferença. Deveríamos ter bebido mais na fonte do bom cinema, na produção de séries, filmes para TV, como fizeram outros países com uma tradição imagética mais definida. Continuamos adorando falar muito e mostrar pouco. Somos um país de muitas palavras e poucas imagens ou realizações. Os políticos que o digam. É sempre mais fácil falar, prometer do que mostrar ou fazer.

Telejornalismo na web ou telejornalismo online hoje se caracterizam por uma agilidade do rádio com o potencial imagético da TV. Mas creio que o mais importante é a interatividade. O público participa muito mais através de e-mails, ICQ e contatos ao vivo durante as transmissões. O custo mais baixo também viabiliza novas experiências e cria possibilidades mais democráticas. A acessibilidade universal numa linguagem local e universal também são características que têm tudo para se tornarem ainda mais preciosas. É emocionante produzir um jornal comunitário dentro de uma universidade e receber uma mensagem eletrônica de Praga, na Rep&uacutuacute;blica Tcheca, de alguém que acabou de assistir ao seu telejornal. Ou seja, o telejornalismo online possui as mesmas características e o potencial comunicacional da própria internet. A diferença não está restrita ao meio mas, sim, às possibilidades de um novo conteúdo. Não se trata somente de uma questão tecnológica ou econômica. A exclusão digital passa pela necessidade da criação de uma identidade e linguagem próprias. Enquanto continuarmos imitando a TV ou o rádio na rede não criaremos uma nova linguagem ou um novo público. Estaremos sempre sendo comparados com outros meios e isso não ajuda. Ficaremos restritos à uma cultura de gueto tecnológico ou à uma fascinação inconseqüente por um brinquedo caro.

O que está sendo seguido em termos de linguagem? Existe algum manual de redação? Quais as principais diferenças entre o texto na TV e na web?

A.B. ? É tudo muito novo. Estamos aprendendo conforme vamos experimentando. Ainda não temos normas definidas ou manuais específicos, somente uma sucessão de tentativas e erros. A linguagem, como disse acima, por enquanto, é uma convergência de mídias por falta de identidade própria ou talvez esta seja mesmo verdadeira linguagem do meio. Não temos muitas certezas. Muito pelo contrário: temos muitas dúvidas. Estamos num período de transição e nada está definido. Tudo ainda é possível. Creio que isso é o que mais nos atrai nesse novo meio.

O texto ainda é demasiadamente parecido com a TV mas já estamos utilizando a palavra escrita com ilustrações na forma de fotogramas ou videogramas. É uma espécie de linguagem que se apropria do story board do cinema ou mesmo das representações lúdicas das histórias em quadrinhos. Mais uma vez, estamos adaptando o que já existe e aguardando a criatividade que certamente ainda virá, com um acesso mais fácil e universal à rede.

Quais os cuidados que se deve ter ao produzir uma matéria com vídeo e áudio para o web?

A.B. ? Como todo o bom jornalismo temos sempre que apurar com cuidado e aprender a contar uma boa história. Em termos técnicos, o site não pode ser pesado. A internet ainda é muito lenta e volátil. Qualquer coisa afasta o nosso internauta. Reconhecemos que ele tem um dedo no gatilho ou no mouse e milhões de opções à sua frente. Possui um "controle remoto" muito mais poderoso. Mas estamos investindo essencialmente numa proposta diferenciada e num futuro tecnológico que está cada vez mais próximo com o crescimento da banda larga ou com a internet-2. A TV também já foi algo muito limitado em termos de acesso restrito a poucos e quase nenhuma criatividade. Era um rádio com imagem. Após 50 anos de TV, o velho cinema ainda representa uma parte considerável da programação de qualquer televisão do mundo ? assim como o velho rádio, no formato dos programas de auditório, nas novelas ou nos programas humorísticos. O bom conteúdo migra do papel de jornal para o cinema, daí para o rádio, para a televisão ou para a internet. Tanto faz, desde que haja uma adaptação de linguagem, mas isso custa tempo, talento e dinheiro. A TV, com seus meros 50 anos, ainda está engatinhando em termos de linguagem própria.

Um dia alguém vai perceber que a linguagem de um reality show tem um tremendo potencial para mostrar mais do que bobabens, e que poderia também mostrar muitas coisas sérias. Na UERJ, estamos propondo revelar os bastidores de um telejornal com a linguagem de um Big Brother Brazil como forma de facilitar o aprendizado e o ensino do telejornalismo, além de estabelecer uma maior transparência da prática profissional. Imagine essa linguagem para presenciarmos não só as reuniões de pauta das redações de jornais, mas as reuniões secretas do governo que estabelecem os aumentos injustificáveis da gasolina ou as ações intempestivas da Polícia Federal contra candidatos à presidência. É claro que tudo ainda é muito utópico, por enquanto. Democracia nesse país também já foi um sonho. Continua sendo, mas já está bem melhor do que era durante a ditadura. A transparência de ações públicas passa pela internet, seja na prestação de contas dos governos ou na simples possibilidade de assistirmos às reuniões do nosso condomínio. Para mim, internet é participação.

Quais as tecnologias que estão sendo utilizados na transmissão?

A.B. ? São diversas, mas destacamos as técnicas de compressão e transmissão de imagens do Media Player, MPEG e o Real Video. Existem outras. O importante é que muitas dessas tecnologias são disponíveis na própria rede. As empresas precisam de conteúdos e público. Elas ainda estão apostando numa acessibilidade mais fácil dessas tecnologias.

O foco principal de um programa de televisão na web é a compressão tanto de imagem como de vídeo. O objetivo é fazer com que o telespectador esqueça que está assistindo TV pela tela do computador. Neste sentido quais as técnicas de compressão e de streaming que estão sendo utilizadas?

A.B. ? Não. Limitar-se a imitar a TV é um grande equívoco. Quem assiste vídeo ou TV na web está fazendo alguma outra coisa. Não existe o mesmo grau de imersão da TV. O meio é completamente diferente. Seria como comparar o rádio com o telefone. São propostas diferentes. A web é convergência de mídias e ainda não possui identidade própria. Está nascendo. Em termos de imagens em movimento, só saberemos mais com a utilização massiva da banda larga. Por enquanto, vivemos a pré-história do meio. Tudo é ainda muito indefinido. O foco não é a tecnologia, mas o conteúdo. Existem diversas propostas de compressão e de streaming. O que nos limita é o custo. Como bons guerrilheiros tecnológicos, optamos sempre pelos programas e técnicas disponíveis gratuitamente na própria rede. Ainda é uma cultura mais próxima do fanzine e do mimeógrafo. Guerrilha de informação se faz com o que se tem. Não é à toa que após cinco longos anos ainda não exista telejornalismo na maioria das TVs universitárias ou nos canais comunitários. No jogo do poder e da manutenção de privilégios, a informação é um bem perigoso. Ainda mais informação livre e não comprometida com esses mesmos interesses que estão adorando e lucrando com a situação atual. Imagine uma rede livre e nacional de telejornais universitários divulgando notícias sobre o país como alternativa aos telejornais estabelecidos. Imaginou? Agora pense no perigo para quem controla o poder, hoje, no país e nas universidades. Mas já tem gente apostando dinheiro no futuro dos noticiários alternativos contra os grandes veículos para o futuro do jornalismo. A multiplicidade de telejornais na rede vai criar muita coisa ruim mas também vai dar uma chance às pessoas mais competentes e criativas. Sonhar é preciso!

A qualidade de vídeo está diretamente ligada com a largura de banda. Se for levado em consideração os conceitos de key frames (imagem completa) e delta frames (a variação da imagem) é perceptível que uma imagem sem movimento é "comprimível" com maior facilidade. Neste sentido, você não considera que a tecnologia contribuiu para definição de uma nova característica do jornalismo de televisão na web?

A.B. ? Tecnologia é o meio e isso não é o problema. Pura questão de tempo e dinheiro. O problema é o conteúdo que será utilizado no novo meio. Por enquanto, repito, estamos experimentando uma convergência por falta de alternativas mas elas começam a surgir diariamente. Em verdade, são tantas que fica difícil acompanhar todas. Uma coisa é certa, será muito diferente de tudo que estamos imaginando agora.

Você considera que os portais realizam grandes investimentos neste mercado?

A.B. ? Não. Estamos todos em crise, tanto os "portais" como as "portinhas" como nós. O período do delírio e da gastança já passou. Os lucros não vieram como era esperado e todos estão na maior ressaca financeira. Mas tudo pode mudar a qualquer momento. Depende da tecnologia mais barata e de notícias terríveis como a destruição das torres do World Trade Center. Explico. Telejornalismo na web tem algo em comum com as câmera de vídeo portáteis e os telefones celulares. Você deixaria o telefone celular em casa? Claro que não. Não faz o menor sentido gastar dinheiro com uma tecnologia portátil e deixá-la na sua residência. Câmeras de vídeo em casa também são completamente inúteis. Agora imagine combinar a facilidade de captar imagens numa pequena câmera digital e transmitir tudo via internet, no telefone celular. Você aí tem uma revolução nos noticiários de televisão na internet. O triste episódio do World Trade Center foi uma explosão de imagens exclusivas de cinegrafistas amadores. A transmissão ao vivo, no entanto, foi dominada pela TV. A internet, rede criada para sobreviver às guerras nucleares, entrou em pane. Mas isso se resolve rapidamente. Procure imaginar o futuro com milhares de câmeras transmitindo ao vivo tudo que acontece no mundo a todo instante por um custo baixíssimo. Imaginou? Telejornalismo online é telejornalismo de guerrilha.

Na internet não se trabalha pensando exclusivamente no tempo. Como é essa relação levando em consideração a produção de um programa?

A.B. ? Tempo também é importante para a rede. Mas o mais interessante é o poder de criar qualquer coisa sem ter que pedir tantas autorizações ? pelo menos, por enquanto. Esse caos é estimulante mas também é perigoso. Como não ainda não ganhamos dinheiro, pelo menos não podemos dizer que "tempo é … dinheiro". Tempo, para nós, é um dos elementos a serem considerados. Nada mais.

Qual a sua opinião sobre o Jornal da Lilian e UOL News?

A.B. ? Gosto. Mas são todos ainda pobres e indefinidos. Não se investe muito no desconhecido. Pelo menos não mais. Mas ambos possuem a ousadia das novas experiências comunicacionais. Você pode não acreditar, mas os primeiros telejornais das nossas TVs eram piores do que os telejornais na rede. No rádio, ganharam uma guerra mundial. Mas, na Guerra Fria dos anos 50, a televisão teve que "suar" muito para mostrar uma mera radiofoto do dia ou um filmete da semana passada. Em poucos anos, porém, transmitia ao vivo as primeiras imagens da chegada do homem à Lua. As imagens eram péssimas, eu vi. Mas a emoção era enome. A televisão percebeu um dia que a sua linguagem era essencialmente "ao vivo". Apesar das grandes vantagens da invenção do VT, isso nos recoloca próximo do cinema. TV é ao vivo e VT é uma televisão simplesmente "ao contrário". Internet é interatividade instantânea!

Quanto à audiência, ainda é muito cedo para julgar. Está muito restrita. Mas o crescimento da proposta e do público é inevitável. Com isso devem advir os problemas. Mais audiência traz mais dinheiro e, inevitavelmente, mais cobrança ou até mesmo o cerceamento de liberdade, censura.

São poucas as pessoas que têm a acesso diário a computadores e conseqüentemente às notícias. Como é trabalhar em um meio no qual o público é indefinido e não há um horário definido para a exibição?

A.B. ? É tão indefinido e divertido como o próprio meio ou o público pequeno que o assiste. Por ser pequeno talvez ainda tenha características de ousadias e qualidade. Ainda é muito elitista dizer que você assiste a vídeos na rede. A não ser para a indústria pornográfica que vai muito bem, obrigado. Eles não parecem ter medo da rede e estão fazendo fortunas. Ninguém reclama do tempo ou do custo para baixar um vídeo com muitas "baixarias". Agora, para assistir a um telejornal na internet se espera a agilidade da TV. O segredo está no conteúdo. O que se vê nos sites de pornografia da rede não se vê em lugar algum. Logo, temos que tentar oferecer altenativas ao que já existe. Mas isso é difícil. Custa tempo e dinheiro mas estamos tentando.

Sobre a exclusão digital. Tudo está exatamente como era quando começou a televisão. Poucas pessoas tinham um televisor, éramos quase todos "televizinhos", assistíamos à TV que morava ao lado. Mas todos já ouviam o rádio. Hoje, 98% dos lares brasileiros não têm geladeira ou fogão mas possuem televisão. É um absurdo mas também é a nossa realidade.

Pesquisas apontam que o principal público da web é jovem. A linha editorial do programa é voltada para este público?

A.B. ? Sempre. Internet é um meio e uma linguagem essencialmente jovem. Suas características democráticas e muitas vezes até meio rebeldes se tornam um apelo forte e significativo para a mobilização dos jovens. Os ecologistas que o digam. Em vez de irem logo para as ruas em manifestações contra tudo, eles se mobilizam e se fortalecem pela rede. O telejornal universitário na rede deve seguir o mesmo caminho de mobilização e interação com o seu público. Jovens de idade e de espírito, tanto faz, uni-vos!

Em que o telejornalismo na web est&aacutaacute; investindo para conquistar o público da rede?

A.B. ? Na criatividade e na multiplicidade. Ao invés de pensarmos em alguns poucos telejornais assistiremos à uma explosão de telejornais comunitário por toda a parte. Temos que pensar que a linguagem do telejornalismo é poderosa no Jornal Nacional mas é ainda mais mobilizadora ao nível local, dentro do nosso condomínio ou mesmo dentro do nosso prédio. É uma tribalização eletrônica utilizando-se da linguagem telejornalística adaptada ao novo meio. Um híbrido de telejornal com tudo que ainda não sabemos mas já experimentamos. O futuro é repleto de possibilidades. Assim como na Renascença, já temos os meios e o ambiente propício mas ainda faltam os gênios como Da Vinci ou Michelângelo. Eles estão à espreita.

Tenho observado em várias produções que a qualidade de imagem não é igual a que o público está acostumado na TV. Iisso não prejudica?

A.B. ? Muito. Mas o conteúdo diferenciado ainda vai ser valorizado. Por enquanto estamos comparando sempre com a TV mas deveríamos estar comparando com outros meios menos acessíveis e mais eficientes em suas propostas. É a diferença entre assistir, fazer e participar. TV e cinema possuem ótima imagem mas interagem pouco com o seu público. Se assiste a tudo mas não se influencia diretamente na produção. Existe reação, mas não há participação nesses meios. Boa imagem de alguém falando durante horas a mesma coisa é péssimo tanto na TV como na internet. Mas assistir algo único compensa tudo. Antigamente as pessoas pagavam fortunas por pequenos filmes em super 8 com imagens de atrizes suecas fazendo o que ninguém fazia. Ninguém se importava com a qualidade das imagens. O importante era o conteúdo. A tecnologia muda mas a cabeça das pessoas, parece, ainda é a mesma.

Por preferir a figura do repórter em vez das imagens, você não considera que o jornalismo na web se assemelha muito ao rádio?

A.B. ? Claro. Uma característica do meio. Temos os mesmos problemas, inclusive a falta de recursos mas temos muita criatividade e instantaneidade. Falamos ao pé do ouvido ou junto aos olhos, na telinha do computador. Sempre com a maior intimidade. Isso é diferente da TV e do cinema. Cresceram muito e não podemos mais nos imaginar fazendo televisão ou cinema. Tornou-se coisa de gente séria e rica. Telejornalismo na web é telejornalismo de garagem. Lembre-se que assim como algumas das grandes bandas de rock começaram numa pequena garagem, a turma do Bill Gates da Microsoft e a do Steve Jobs, da Apple, também começaram num cantinho da casa. Por enquanto, estamos num cantinho da web mas quem sabe, um dia…

Que futuro vc vê para o telejornalismo na web?

A.B. ? Sou suspeito pois sempre acreditei na proposta. O mais emocionante é ver o velho jornalismo nascendo novamente. Acompanhei o surgimento do telejornalismo assistindo na televisão ao excelente Repórter Esso. Não perdia nunca. Outro dia fui rever algumas imagens e fiquei surpreso. Como era limitado! Hoje estamos tentando inventar um novo meio que garanta uma sobrevida às notícias de qualidade que foram sendo relegadas a um segundo plano na televisão por razões das mais diversas. O telejornalismo online ou na web, ou seja lá o nome que escolhamos, é inevitável mas não será simplesmente uma transferência de meios. A proposta é criar ou adaptar uma nova linguagem para um novo meio. A grande emoção é a indefinição. Pode ser melhor ou pior do que a televisão, mas certamente será diferente. Pesquisamos o passado da televisão pois estamos tentando, humildemente, cometer erros novos.

E quanto ao tempo? Por que se arriscar tanto para fazer agora? Por que não esperar pelo futuro? Creio que concordo com o Geraldo Vandré e todos os jovens estudantes ou professores que continuam a acreditar que "quem sabe faz a hora e não espera acontecer". Nós certamente não sabemos muito. Principalmente, em relação ao futuro das notícias na internet mas resolvemos não esperar mais.

(*) Jornalista, coordenador do laboratório de televisão, professor de telejornalismo da UERJ e doutorando em Ciência da Informação pelo convênio IBICT/UFRJ