REGULAÇÃO EM DEBATE

A aversão do PT à imprensa crítica

Por Altamir Tojal em 05/09/2011 na edição 658

Há um morde e assopra no discurso PT em relação à mídia. Agora é notícia que o partido volta à carga em seu congresso contra a “mídia conspiradora e golpista”. Na posse, a presidente Dilma Rousseff dizia que “o barulho da imprensa livre é melhor que o silêncio das ditaduras”.

Não vamos nos iludir: o léxico pode variar de “controle” a “democratização”. Mas a aversão do PT à imprensa crítica aumentará porque não há lugar no mesmo espaço para a democracia e para um projeto de hegemonia que já aparelhou o Estado, adula o capital, domina os sindicatos, administra os movimentos sociais, manda nas universidades e avança sobre as instituições que ainda resistem ao seu controle.

A imprensa, como qualquer instituição, deve se submeter a regras democráticas. Mas quem ama mais a democracia que o poder não demoniza a imprensa crítica nem propõe limitá-la quando está por cima, porque sabe que vai precisar dela quando não for governo. A intolerância ao jornalismo crítico é o ponto de contato entre ditadores e arrivistas – é o que têm em comum o desesperado Bashar al-Assad, quando proíbe jornalistas estrangeiros em seu país, e o atrapalhado David Cameron, quando propõe aumentar a vigilância na internet.

Iluminismo retardado

Aqui no Brasil há oligopólio, erros e abusos na imprensa. Mas qual é a mídia que incomoda o governo e o PT? Não são os jornais, rádios, portais e TVs de José Sarney, de Fernando Collor nem os dos demais oligarcas, que apoiam o partido nas eleições e lhe dão sustentação no governo em troca de cargos e de dinheiro. Também não é a imprensa “pública”, nem mídia chapa-branca, nem os blogueiros oficiais, sustentados por verbas publicitárias do governo e estatais, por financiamentos e troca de favores.

Essa mídia é boa porque o partido e o governo já a controlam. A mídia que o PT chama de golpista é a imprensa crítica, é a que noticia a corrupção, os erros do governo e o fascínio de seus líderes por autocratas e ditadores.

Nem mesmo os oligopólios – desde que sejam em outros setores – parecem incomodar o governo e o partido, que, ao contrário, se esforçam para estimulá-los, como no caso dos supermercados no desastrado episódio do Carrefour / Casino / Pão de Açúcar.

A mídia crítica, depois de ajudar o PT a chegar ao poder, foi para o rol dos inimigos porque expõe a sua complacência com a corrupção e o seu fascínio pela prepotência, pondo em xeque o argumento resignado de que este é “o preço a pagar para acabar com a exploração das elites e para melhorar a vida dos pobres”. Esse enunciado não resiste nem à audição de seus próprios locutores. Eles sabem – ou têm a obrigação de saber – que é o mesmo que levou e leva às ditaduras, que sempre reproduzem a exploração e a miséria.

Depois de tantos desastres totalitários no planeta, é duro ter de conviver com esse iluminismo retardado. Se Nietzsche baixasse no nosso terreiro, acharia aqui, na certa, o seu último homem da política, querendo pastorear o rebanho dos brasileiros.

História conhecida

A ideia de controlar a mídia não vai para a lixeira do PT, enquanto o partido for poder. A expressão “controle social” poderá ser abandonada como palavra de ordem porque é hitlerista demais. Mas o projeto de calar o jornalismo crítico vai ter seguimento dentro da lógica de aparelhamento do Estado e do controle progressivo de todas as instituições pelo partido. Para o PT, a democraciaé galinha velha que faz canja boa. Ainda será tolerada enquanto servir para legitimá-lo no poder.

Mesmo a combatida imprensa crítica ainda serve de vez em quando. Ela agora ajuda o projeto de autonomia eleitoral em relação a aliados que vão se tornando desnecessários e inconvenientes, como o PMDB, o PR e o PP. São eles que estão mais na mira das reportagens e manchetes.

A vida tem, felizmente, seus paradoxos e a política não escapa disso. Ao revelar a corrupção no governo, refletindo a luta de vida e morte na base aliada, a imprensa crítica cumpre o seu papel democrático, mas também dá uma mãozinha à estratégia petista de hegemonia.

Por enquanto, o jornalismo crítico está sendo combatido com palavras de ordem e projetos de lei. A continuação dessa história, a gente conhece: o peso da bota do Estado e os ataques de militantes raivosos a jornalistas e órgãos de comunicação.

***

[Altamir Tojal é jornalista]

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 Ricardo Oliveira
 Enviado em: 06/09/2011 12:30:21
Na sopa de letrinhas da edição 658 deste OI ,o jornalista escorrega na falsa defesa de uma imprensa crítica. O que queremos é justamente uma imprensa crítica,com um mínimo de civilidade. Ser chapa branca não é crítica. Ser do mesmo partido,não é crítica.Criar, constantemente mentiras contra o governo( olha a bolinha de papel ái,gente !)não é critico. Organizar quadrilhas com o objetivo de derrubar governos não é crítica(olha a Venezuela,a Bolívia,o Equador, o Brasil aí,gente !).Publicar documentos falsos para tentar alterar a opinião pública, não é crítico (olha a ficha falsa de Dilma aí,gente!). Aliás,jornalismo crítico é exceção no meio.Nas mídias alternativas temos excelentes jornais que valorizam o jornalismo crítico (Diplo,carta maior,revista forum,para citar alguns) Na velha, indigente,alegre e complacente mídia o jornalismo crítico praticamente inexiste. O que se tem é uma quadrilha,organizada politicamente,para defender seus interesses. Alíás,quem disse isso foi a presidente da ANJ( associação nacional de jornais) afirmando que a imprensa assumiu o papel de partido político de oposição. Caso a proposta do governo para regulamentar a selvageria mídiática,e assim domar bestas jornalisticas,tenha como base a liberdade plena de expressão,a garantia de vozes de todas matizes políticas, a valorização do pensamento crítico, e a consolidação de uma democracia plena,temos que apoiar o governo. O que não aceitamos,não calamos e estaremos sempre denunciando é a imunda organização midiática existente através de oligopoólios que valorizam apenas o pensamento hegemônico dominante,negando,de forma criminosa,toda e qualquer crítica ao modelo vigente. A propósito,o mínimo que se espera por quem observa,ou diz que observa, a imprensa é um pensamento crítico.
 João Victor de Mello
 Enviado em: 06/09/2011 14:30:20
"A mídia crítica, depois de ajudar o PT a chegar ao poder, foi para o rol dos inimigos porque expõe a sua complacência com a corrupção e o seu fascínio pela prepotência (...)" Ajudou??? Mídia brasileira nunca rimou com PT. Democratização não é censura. Quem abandonou a CONFECOM foi a imprensa "crítica", a mesma que invadiu o quarto do Dirceu e negou direito de resposta ao Ministro da Agricultura. Para combater corruptos é preciso expurgar de si a corrupção. Imprensa não é Deus, precisa de regulação.
 Luciano Prado
 Enviado em: 06/09/2011 16:12:51
Alguns “jornalistas” a soldo de patões tentam, através da manipulação, da distorção dos fatos engambelarem o leitor. Sempre encaminham o debate a partir de premissas falsas. Pretendem com isso que o incauto raciocine ou argumente a partir do que previamente posto como verdade. Ontem, na rádio CBN, por exemplo, o já conhecido [ ] Merval Pereira argumentava colocando o PT e Dilma no centro de uma disputa sobre censura à imprensa. O incauto ou o menos informado que não conhece os métodos do “jornalista” certamente imaginaria uma disputa entre a presidenta Dilma e o PT. Ela defendendo a liberdade de imprensa e contra a censura e o PT tentando controlar e censurar a imprensa para, segundo ele, encobrir a corrupção. O interesse de censurar do PT, segundo Merval, é ponto pacifico. Ele se nega a abordar ou levar em conta os argumentos do PT. Mesmo os formalmente postos à sociedade (projeto Franklin Martins), por exemplo. Isso é jornalismo? Para mim se parece mais com bandidagem. No mesmo diapasão “jornalístico”, mas noutro sentido vão Sardenberg e Miriam Leitão. O casal CBN tenta, sob a mesma estratégia da premissa falsa, convencer o ouvinte de que os juros não deveriam cair sob pena de a inflação subir. Argumentos diversos do que afirmam renomados economistas independentes e que a CBN não ausculta. A ira demonstrada por Sargenberg e Miriam Leitão com a baixa dos juros vão além da simples análise econômica. Denunciam, pois, o comprometimento deles com interesses que não são os da sociedade. Isso é jornalismo, isso é imprensa livre?
 Fabiana Tambellini
 Enviado em: 06/09/2011 17:45:29
Os jornalistas se dão o direito de criticar quem bem entendem (e está certo, é democrático) mas não admitem critica a mídia. Qualquer crítica é rotulada de "censura" ou "atentado a liberdade de imprensa". Democratização da mídia, controle social, marco regulatório, são temas debatidos com tranquilidade pelo jornalismo do Canadá, EUA e países da Europa (que inveja!). No Brasil a discussão é demonizada porque as empresas do setor não querem perder a "boquinha" do monopólio, da concentração na distribuição de informação. Democratizar a mídia é democratizar o poder.
 Ibsen Marques
 Enviado em: 06/09/2011 20:39:43
Peraí: A mídia crítica ajudou o PT a chegar ao poder? Bom, ou vivemos em outro mundo ou há alguém míope por aqui: será que sou eu? Acho que tudo é questão de ortografia. A mídia é crítica ou só critica? Vem me dizer que o PT adula o capital? Deus do céu, me sinto em um mundo cercado de Veja por todos os lados. Segundo alguns jornalistas e jornalões o marco regulatório é censura e democracia é a permissão da libertinagem da impresa. Ser democrata é colocar a imprensa como verdade absoluta irregulável e incontrolável. Até John Stuart Mill se reviraria no túmulo se pudesse ver o monstro que ajudou a criar. Nenhuma teoria de liberdade de imprensa passaria pelos critérios dos primeiros liberais. Não obstante, o desfecho de sua criação foi absolutamente previsto por Marx. Infelizmente ele subestimou a capacidade do Capitalismo em se reinventar e superestimou a capacidade do ser humano em resistir ao materialismo consumista.
 Reni Martins
 Enviado em: 06/09/2011 22:18:36
Quanta hipocrisia! A imprensa brasileira, capitaneados pela Globo, Veja, Época, Istoé, Folha, Estadão, RBS, etc. têm curiosamente o mesmo posicionamento, opinião única sobre os mais diversos campos da atividade humana. Tal fato não ocorre em países pretensamente democráticos como os Estados Unidos, França, Inglaterra. Se a legislação para as comunicações utilizada nos Estados Unidos fosse aqui aplicada, já estaria bom demais: acabaria com o monopólio de poucas famílias que comandam a imprensa daqui. O que o PT quer e que nós queremos é maior democracia nas comunicações .
 Boris E. Dunas
 Enviado em: 07/09/2011 00:26:39
Às vezes meus instintos mais primitivos até que gostariam de ver concretizados os devaneios totalitários petistas, como a implantação integral dessa “democratização do fascismo midiático” que tanta obsessão lhes causa, só pra ter o prazer de ver muito militonto ser amordaçado e punido por abrir o bico antes mesmo que os inimigos declarados do petismo recebessem a primeira ameaça de reprimenda...
 Valdecy F. Nascimento
 Enviado em: 07/09/2011 06:47:45
Acredito que não exista hoje no Brasil nenhum partido mais democrático que o PT. Não é porque o PT é apoiado por sindicatos, associações e movimentos populares (o que é natural até porque o PT surgiu da base da pirâmide social) que a imprensa concentrada nas mãos de meia dúzias e pulverizada nas mãos de políticos que há décadas veem se revezando no poder e na presidência do senado podem divulgar mentiras e manipulações na tentativa de manipular a opinião pública e não serem punidos. Até porque quem defende o combate a corrupção não limitar esse combate ao governo federal. Será que não há corrupção nos Estados e municípios? Porque em SP e MG foram enterradas mais de uma centena de CPI's e a mídia e os defensores ao combate à corrupção fazem de conta que está tudo bem como fez o senador Pedro Simon em relação aos escândalos de corrupção do Governo de Yeda Crusius do PSDB do RS? Não podemos esquecer que a mídia participou diretamente das pressões sobre Getúlio Vargas, Jânio Quadros e João Goulart, porém calaram-se durante o regime ditatorial que torturou, estuprou e assassinou no Brasil. A liberdade de imprensa e de expressão passa necessariamente pela democratização e desconcentração dos meios de comunicação. Isto é um fato!
 Dante Caleffi
 Enviado em: 07/09/2011 18:25:28
Imagine que uma "ley de medios",imponha a renúncia do controle de um dos veículos,para as "organizações" que controlam o espectro todo,provoca "arrancos de cachorro atropelado". Quem em gozo de suas faculdades morais defenderia esse modelo, que tanto dano tem causado,à própria democracia da informação?A ANJ,Ophir Cavalcante ,os Civitas,Marinhos,Frias,os sobejos dos Mesquitas?Ou, essa horda aparelhada à soldo do atraso e do golpismo,que usufrui do estamento oficial paulista?
 Alexandre Pastre
 Enviado em: 08/09/2011 10:30:19
Concordo, mas só com uma ressalva: a imprensa deve ser SEMPRE crítica. Se escolhe QUANDO denunciar, investigar, vazar escutas, subir o tom ou apitar voto, é partidária e golpista.
 Idemilson Júnior
 Enviado em: 08/09/2011 20:59:23
Não sei ao certo discernir a imprensa cítica da imprensa dominada. Acho que ser crítico tem a ver com a oferta de uma posição lúcida sobre os fatos, não demonizando ou elogiando demais. Uma imprensa livre, que combata a corrupção, o cerceamento da palavra é importante, pois através de jornalistas que produzem a máteria de forma correta, compilando fatos, expondos os mesmos, sem assumir um lado, deve ser a imprensa crítica. Bater quando preciso, mas elogiar quando for necesário. Controlar a mídia, seja qual for o nome, é pura é simplesmente CENSURA !
 Remindo Sauim
 Enviado em: 10/09/2011 13:17:20
A mim parece que o jornalista Altamir Tojal não lê nem a Veja, nem a Época, nem a Isto É, nem a Folha, nem o Globo, nem o estadão, nem suas filiais pelos estados. A Fox americana é muito mais imparcial que os grandes veículos brasileiros. O Lula e o PT tiraram o Brasil da desgraça do governos anteriores, aqueles entre JK e Lula, mas se fossemos avaliar o país pelas páginas desta imprensa, o Brasil nunca teria chegado onde chegou em apenas 8 anos.
 Luciano Prado
 Enviado em: 10/09/2011 13:19:21
O pior dessa imprensa carcomida é a tentativa constante de interditar o debate. Os soldadinhos e patrões da velha imprensa além de distorcerem o debate com argumentos falsos tentam interditá-lo. Impedem o contraditório. Caso estejam tão convictos dos seus argumentos por que não permitem o debate? Por que não abrem para a sociedade o contraditório? Preferem o monólogo e a mesmice. E denominam isso de jornalismo e imprensa livre.
 Thiago Silva
 Enviado em: 21/09/2011 05:51:53
O senhor Altamir usa a expressão abstrata controle da mídia sem discutir o conteúdo desse controle que nada tem a ver com censura. Não adianta querer aterrorizar o leitor com essa retórica vejista. A regulamentação da mídia que tem sido apresentada é essencial para a democracia e certamente vai continuar permitindo que as imbecilidades da grande imprensa continuem a ser ditas. Para o bem e para o mal.
 Thiago Silva
 Enviado em: 21/09/2011 05:53:00
O senhor Altamir usa a expressão abstrata controle da mídia sem discutir o conteúdo desse controle que nada tem a ver com censura. Não adianta querer aterrorizar o leitor com essa retórica vejista. A regulamentação da mídia que tem sido apresentada é essencial para a democracia e certamente vai continuar permitindo que as imbecilidades da grande imprensa continuem a ser ditas. Para o bem e para o mal.

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