Domingo, 29 de março de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1381

A Fenaj e a culpa

A culpa de a Fenaj ser ‘descaracterizada e deslegitimada’ também é do governo? Por que os jornalistas, cientes da situação da Fenaj, não lutam para recaracterizá-la ou legitimá-la? Será que isso cabe a outros? Ou vão deixar a Fenaj do jeito que está? Se é possível derrubar um presidente da República, será tão complicado inverter a direção da Fenaj e torná-la algo útil? Por que ninguém reclamou da situação da federação antes, somente agora, que se falou de CFJ? Antes a descaracterização ou deslegitimidade da Fenaj não interessava? Ou foi ao propor o CFJ que ela se descaracterizou e deslegitimou?

Carlos José Di Paula, fotógrafo, São Paulo



A culpa e a Fenaj

A grande verdade sobre o Conselho Federal de Jornalismo é que a maioria dos jornalistas não está entendendo muito bem qual é a verdadeira função do conselho. A culpa disso tudo é da Fenaj, que não está sabendo se comunicar sobre o assunto, porque a maioria dos profissionais não aceita ser fiscalizado da maneira que o órgão quer. A grande mídia também tem grande parte desta culpa, porque está mostrando uma outra face do jornalismo, a individualista e parcial (que é diferente do verdadeiro jornalismo, que é imparcial).

Thiago Arcuri, estudante de jornalismo São João da Boa Vista, SP



Troca interessante

Todos os governos primam por projetos inúteis para desviar a atenção do povo, mas este foi escolher exatamente mexer com os jornalistas para lhes prender a atenção, deixando-o livre para continuar distribuindo um balaio de ilusões. O tal CFJ seria até interessante se assegurasse ao jornalista publicar os artigos censurados pelas diretorias dos jornais.

Marcos Pinto Basto, São Paulo



Repensei a posição

Eu nunca vi uma campanha tão radical e irracional quanto a que a mídia está fazendo contra o CFJ. Não era favorável ao tal CFJ. Mas ao ver o que a mídia está fazendo passei a repensar a posição. Não agüento mais. Não é possível não haver uma só voz favorável! Parei de ouvir, por exemplo, o jornal matinal da Jovem Pan por sentir-me parte de uma boiada inconsciente. O povo pensa, mas a unanimidade é burra. Vim para o OI e é a mesma coisa.

Almir Guimarães, engenheiro, Rio de Janeiro



Idéia estarrecedora

É estarrecedora a idéia de Conselho Federal de Jornalismo, que está causando a impressão de que o governo federal está desejando a volta de censura, ou seja, a época da ditadura militar. Chega causar arrepios se o presidente Lula está se espelhando no governo de Fidel Castro, estimulando a alienação da sociedade. No jornalismo há falhas como em qualquer outra profissão. A liberdade de imprensa e a democracia são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. Portanto, temos direito à liberdade de imprensa.

Rita Henrique, jornalista, São Paulo



Faltou explicar

Em vez de tirar um adjetivo do contexto e dar todas as conotações retóricas possíveis e parciais, a imprensa prestaria um grande serviço à população se explicasse como, democraticamente, esse projeto será debatido nas instâncias políticas cabíveis no nosso sistema político de representação. Mas talvez os profissionais de imprensa não saibam que já saímos da ditadura e, ao contrário do que se diz nos noticiários, o Lula não tentou calar a imprensa, mas, sim, encaminhou ao Congresso um projeto de lei (que não foi feito por ele, diga-se, mas sim por… jornalistas?) que ainda será discutido, debatido, votado, rediscutido, alterado, melhorado.

Se, em vez de se concentrar em polêmica e picuinha, a imprensa se comprometesse com a informação e a educação, poderia contribuir para o bom funcionamento da democracia – como vislumbrou Alexis de Toqueville, quando analisou o papel da imprensa numa sociedade democrática no Democracia na América – simplesmente demonstrando o caminho pelo qual passará o projeto até ser aprovado na sua forma final.

Enfim, perde-se uma oportunidade de reforçar as instituições democráticas. Pior, faz-se o contrário: ao dizer que Lula quer calar os jornalistas, transparece um poder ditatorial que não mais existe em nossa sociedade. Quem não tem coragem de discutir uma legislação sobre o exercício ético da sua profissão, tentando simplesmente encerrá-la ou sabotá-la com desvios retóricos, escondendo-se atrás da liberdade para justificar incompetência, quem usa do poder da informação para deturpá-la em função dos seus interesses, eu pergunto, é o quê?

Sérgio Mitre, historiador, formando em Jornalismo (cheio de vergonha), Belo Horizonte



Saudade do Opinião

Nossa imprensa nos obriga a ser muito criteriosos na escolha das fontes que nos fornecem informação. Confesso que tenho saudades do tempo em que lia os jornais Opinião, Movimento, Jornal do Brasil, IstoÉ (quando era Senhor), e fico pasmo quando percebo que estamos num regime ‘democrático’. Os jornalistas de outrora eram mais responsáveis naquilo que escreviam ou era o medo de degola pelo regime? Será que só podemos produzir com qualidade sob regime de força?

Creio que não aprendemos a lidar com a democracia, posto que, se os profissionais dos veículos de comunicação se recusam a ter um órgão disciplinador/regulador, pergunto: qual a diferença de uma classe para outra? Os profissionais do direito até hoje não aceitam a idéia de o Judiciário ter controle externo. Continua uma caixa preta. (…) Aquela ‘farsa’ no programa do Gugu Liberato causou-me medo, eu que não sou profissional de imprensa, estou no Nordeste e tudo ficou como dantes no quartel de abrantes. (…)

Marivaldo Neves, analista de sistemas, Salvador