Friday, 19 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Faltam sete meses

ELEIÇÕES 2002

Vera Silva (*)

Não parece, não é mesmo? Ainda não li ou ouvi nada sobre os planos de governo dos diversos partidos que têm candidato à Presidência da República, a governador, a deputado etc.

A cada eleição o denuncismo, o diz-que-diz e o apóia-não-apóia substituem a discussão de idéias e os planos de governo. Nunca se sabe quais serão as prioridades dos candidatos. A grande maioria deles discursa e promete em tese: todos apóiam a democracia, todos defenderão os direitos básicos dos brasileiros, das crianças, das mulheres, das cidades, do Brasil etc. etc. Mas de plano de governo mesmo, que é bom, nada se ouve falar.

Há os que apresentam projetos do tipo me-engana-que-eu-gosto. O atual governador do DF, por exemplo, na eleição passada, apresentou enorme programa que dizia estar registrado em cartório para que o eleitor pudesse cobrar sua execução. Era um calhamaço como aqueles que os fundos de investimento costumam distribuir. Lembro-me de que pensei: queria ver a cópia do registro para saber quem assinou como eleitor e quem testemunhou. É claro que, do que li e me lembro, cumpriu as grandes obras (entre elas, construir uma ponte com o dinheiro de três), a distribuição de lotes (que deve ser o equivalente a solucionar problemas de habitação), a distribuição de vales-tudo (que deve ser o equivalente a solucionar os problemas de emprego e salário). Não me lembro de tudo, pois no projeto havia até ações para seu futuro plano de governo do Brasil (era mesmo um projeto a longo prazo). Nunca mais ouvi falar do tal projeto.

Mas o que me aborrece mesmo é a imprensa abrir generosamente seus espaços, principalmente a TV e o rádio, para que alguns candidatos façam seu marketing-sabonete e, pior ainda, para que se piniquem e se estapeiem como se fossem participantes da Casa ou do Brother. Só falta mesmo inaugurarem a interatividade para o eleitor ligar e votar em quem sai da disputa.

Quando a audiência cai, a imprensa usa seu espaço generoso para abocanhar o novo escândalo que fará os índices melhorarem. Algo assim como botar e tirar a Carola da Casa.

Parece até que a imprensa está ajudando o governo a testar um novo jeito de votar, mais light e econômico, eliminando os gastos de campanha (os anunciantes pagariam a conta) e evitando a participação dos sapos-barbudos, que não seriam convidados.

Continuo aguardando o debate de idéias, mas parece que os escolhidos pela imprensa para participarem do show, ops!, da eleição são cheios de vento (como dizia a minha avó) e vazios de compromisso com os eleitores.

(*) Psicóloga