
Mulheres aguardam atendimento em associação que oferece tratamento contra o câncer. (Foto: Milena Ferreira)
Com foco em jornalismo de soluções, quinta edição da revista Anti-horário investiga desafios da saúde em Campina Grande
Como sempre, os estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) foram protagonistas na construção de mais uma edição da Revista Anti-horário, a primeira revista digital do Brasil a produzir narrativas com foco em soluções. Para o seu quinto número, o tema escolhido pelos discentes foi saúde. O passo seguinte foi mudar o olhar sobre a realidade para investigar e enxergar respostas aos desafios na área da saúde. Na revista, o ponto de partida é um problema, mas as reportagens são produzidas exatamente para explicar como eles estão sendo superados. Assim, a maior parte da narrativa é desenvolvida sobre a solução, com exposição das evidências dos resultados alcançados, e estruturada de forma a gerar insights na audiência. O conteúdo também precisa informar as limitações das respostas apresentadas.
Um dos objetivos da revista, que é utilizada em oficinas de educação midiática desenvolvidas em escolas públicas de Campina Grande, consiste em dar visibilidade a ações que ajudem a superar os desafios sociais nas mais diversas áreas. A ideia é que as histórias possam inspirar os leitores a se tornarem agentes de transformação social em suas comunidades, replicando as soluções relatadas na revista ou cobrando do poder público que projetos semelhantes sejam executados para sanar problemas similares. Além disso, ter uma solução apresentada na revista é um indicador de que o trabalho vem sendo bem executado.
A importância desse reconhecimento ficou evidente, por exemplo, no dia do lançamento da quinta edição da revista na Associação Esperança e Vida. Desde 2008, a instituição já ajudou 192 pessoas na batalha contra o câncer. A entidade, que funciona basicamente com trabalho voluntário, fez uma grande festa para receber a equipe da revista e os relatos da direção, funcionários e pacientes sobre a importância do trabalho executado pelos estudantes foram comoventes.
Esta edição também foi relevante para demonstrar que elaborar narrativas com foco em soluções não exime os repórteres e editores de tomarem decisões difíceis. A definição da capa da revista ilustra bem essa questão. A proposta de colocar a cannabis medicinal em destaque gerou debates fortes entre os integrantes da equipe e exigiu coragem da editora para defender a relevância da abordagem para ser a capa, mesmo tratando-se de um assunto muito polêmico.
A revista é finalizada com mais um reconhecimento obtido pela publicação, que conquistou o IV Prêmio Paulo Freire de Extensão, na categoria Comunicação. A premiação é realizada pela própria UEPB. Outro indicador da qualidade do trabalho efetuado ao longo dos últimos semestres é ter algumas edições publicadas no Solutions Story Tracker. Este é um banco mundial de reportagens baseadas em jornalismo de soluções e foi construído pela Solutions Journalism Network (SJN), maior entidade de promoção do jornalismo de soluções em todo o mundo. Porém, importante mesmo é ouvir vários estudantes afirmarem que a experiência com essa forma inovadora de contar histórias foi essencial para voltarem a acreditar no potencial do jornalismo de promover justiça social.
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Antonio Simões é professor-doutor associado da UEPB, autor do livro Jornalismo de Soluções e integrante da comissão julgadora do Solutions Journalism Network Awards.
