Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1412

Os novos desafios dos observatórios da mídia


As instituições, como o Observatório da Imprensa, terão daqui para frente um papel cada vez mais importante no processo da comunicação porque elas terão que observar também as manifestações do público, que agora pode dizer o que quer através dos weblogs.


Trata-se de um novo desafio que se soma à tarefa histórica de observar a imprensa convencional para identificar distorções e equívocos, bem como cobrar diversidade e credibilidade na imprensa.


Foi mais ou menos esta a conclusão a que cheguei depois de participar de um brain storm de quatro dias em La Paz, organizado pelo recém fundado Observatorio Nacional de Medios (ONADEM) da Bolívia e que contou com a participação de especialistas europeus e latino-americanos.


A diversificação das fontes de informação e dos veículos de comunicação é um processo que precisa ser acelerado e aprofundado para que as pessoas possam tomar decisões num ambiente cada vez mais dominado pela complexidade de escolhas multiplas.


Quem desejar um exemplo prático da importância da necessidade de diversificação das fontes informativas basta testemunhar as agruras de quem precisa comprar um computador ou um telefone celular. Se você for confiar apenas no vendedor acabará comprando o que não precisa ou não atende às suas necessidades.


Da mesma forma que não se pode colocar toda a culpa no vendedor, também o jornalista não é o responsável único pela unificação da agenda noticiosa da imprensa. Os jornais, a rádio e a televisão viraram verdadeiras linhas de montagem de notícias produzidas de forma cada vez mais mecânica, o que dificulta a busca de enfoques diferenciados e a contextualização ampla das informações.


Por seu lado, as pessoas comuns começam a usar o recém conquistado poder de publicar na web sem ter ainda experiência no manejo da informação e principalmente uma noção das consequências do seu mau uso.


Quem pode observar tanto a imprensa como os cidadãos-informantes são os observatórios como o nosso, porque não esta envolvido na rotina da produção diária de noticiários e ao mesmo tempo pode estabelecer com o público uma relação que não está baseada na idéia de comprador de jornais, revistas ou consumidor de anúncios radiofônicos e televisivos.


A principal função dos observatórios começa a ser associada à promoção da diversidade e da credibilidade informativa, num ambiente onde os ombudsman ou defensores do leitor estão limitados ao veículo onde trabalham e os críticos da mídia priorizam o patrulhamento dos equívocos e imprecisões cometidas pela imprensa.


Esta diferenciação de funções na área do monitoramento da notícia é inevitável diante da verdadeira avalancha informativa que já tomour conta da Web, abalando as estruturas tradicionais de análise do comportamento de imprensa.


A observação da mídia deve ganhar um papel central no processo da informação porque os jornalistas estão perdendo o monopólio da produção, processamento e publicação de notícias.


A nova situação começa a confundir as pessoas porque os parâmteros tradicionais de confiabilidade estão sendo drasticamente alterados pela avalancha informativa, que não é um sinônimo de diversificação de fontes.


Os observatórios da mídia não podem pretender o papel de mediadores entre jornalistas profissionais e o público, e nem muito menos, o de juizes na arena informativa. Serão apenas participantes de um processo cujo futuro ainda é uma grande incógnita.


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