Terça-feira, 8 de setembro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1404

Imagem do Mês – Julho – Yan Boechat

(Foto: Yan Boechat/Arquivo Pessoal)

A imagem do mês de Julho, eleita pela ARFOC-SP, é do associado Yan Boechat @yanboechat, fotojornalista independente baseado em São Paulo, especializado na cobertura de guerras e zonas de conflito. Ele colabora com veículos no Brasil e no exterior com seu conhecimento geopolítico, o olhar atento às crises humanitárias e às histórias de quem vive em meio a elas. Boechat acompanhou de perto os resgates em La Guaira, a cidade mais atingida pelo terremoto na Venezuela.

Mais do que um desastre que devastou o país, ele conta o cenário de horror que encontrou durante a cobertura. “Nos primeiros dias que se seguiram aos terremotos havia poucos bombeiros e agentes da defesa civil e uma falta de coordenação absoluta. Houve uma demora muito grande do governo em dar as primeiras respostas. As equipes internacionais tiveram papel fundamental. A Venezuela não tem equipamento, capacidade técnica ou profissionais suficientes pra conseguir atender a esse desastre. Os resgates eram feitos por moradores da região: vizinhos, parentes, amigos, escavando com as próprias mãos na tentativa de encontrar vivos ou mortos. Com o colapso, civis fizeram mutirões, caminhando em meio às ruínas na tentativa de identificar um pai, um irmão, um filho, um amor. Dos escombros saíram muito mais cadáveres do que sobreviventes, chegando a cerca de 10 mil pessoas que perderam a vida. Cenas como essa não se vão. O caos, a falta de organização e a inoperância do governo em dar uma resposta mínima às vítimas são um retrato do que se transformou a Venezuela hoje. O País vive uma tragédia dentro da sua própria tragédia. 20 anos de embargos, bloqueios e crises econômicas fizeram que com esse desastre natural tivesse consequências amplificadas de forma incrível. Situação difícil para o povo venezuelano, que além de tudo ainda precisa enfrentar as consequências devastadores dessa tragédia.”