Monday, 24 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Como a mídia cobre a ciência

[do release da editora]

Jornalismo científico é o tema do terceiro volume da coleção ‘Formação & Informação — Jornalismo para iniciados e leigos’, da Summus Editorial. Organizado por Sergio Vilas Boas, o livro traz artigos de Alicia Ivanissevich, Eduardo Geraque, Martha San Juan França, Maurício Tuffani, Verônica Falcão e Vinicius Romanini, que compõem um painel diversificado de experiências, reflexões e propostas. Nos seis artigos, o leitor encontra discussões sobre como popularizar a ciência com responsabilidade e sem sensacionalismo; as diferentes formas de abordar o tema; a história do pensamento científico e o comprometimento com o poder; a crítica filosófica e a visão sistêmica para reportar com profundidade; as cooperações possíveis entre jornalistas e cientistas e as relações entre tecnologia, informação e desenvolvimento sustentável.

A obra, um verdadeiro laboratório de jornalismo sobre ciência, procura debater os conhecimentos básicos que o comunicador precisa para produzir jornalismo de qualidade sobre ciência para públicos heterogêneos, ajudando-os a compreender como o saber científico e as reportagens sobre ciência se constroem. Busca, também, contextualizar a ciência, considerando os valores históricos, sociais e culturais envolvidos nos resultados de uma nova pesquisa que relacione, por exemplo, câncer e tabagismo.

Para Sergio Vilas Boas, enquanto a ciência busca um certo equilíbrio entre o pensar e o fazer, o jornalismo sobre ciência continua apegado aos aspectos supostamente espetaculosos das descobertas científicas e subserviente à indústria que transforma algumas dessas descobertas em bens de consumo. ‘Uma das funções do jornalismo em geral, e do jornalismo sobre ciência em particular, é colocar em debate as novas descobertas científicas, em vez de ficar propagandeando resultados supostamente bombásticos de pesquisas às vezes interesseiras’, diz.

Alicia Ivanissevich, jornalista especializada em ciência, abre a obra com o artigo ‘A mídia como intérprete’ e mostra como popularizar a ciência com responsabilidade, sem sensacionalismo e sem encantamento exagerado com as maravilhas que a ciência e a tecnologia prometem. Para ela, ‘a mídia é a rainha das advertências e as pessoas precisam mais de explicações que de alarmismos’.

No artigo ‘Divulgação ou jornalismo?’, a jornalista e doutoranda em História da Ciência pela PUC de São Paulo, Martha San Juan França, recusa a idéia de que os jornalistas são meros tradutores de conteúdos cifrados: ‘Eles precisam encontrar os meios de dar uma imagem mais realista da pesquisa à população que não tem nenhuma experiência direta nesse assunto.’

Maurício Tuffani, especializado em ciência e meio ambiente, faz, em seu ‘Ciência e interesses’, um resgate da história do pensamento científico (e cientificista) ocidental e questiona se a ciência, em sua essência, está ou não comprometida com o poder.

Com ‘Sistemas ecológicos’, o jornalista e biólogo Eduardo Geraque traz à tona uma proposta de visão sistêmica para o jornalista que produz conteúdos sobre ciência.

O artigo ‘Dupla hélice’, da jornalista Verônica Falcão, propõe uma cooperação entre jornalistas e cientistas. Ela destaca que ‘tão importante quanto subsidiar o trabalho dos jornalistas científicos é preparar os próprios cientistas para lidar com a imprensa. Uma das lições básicas que todos eles deveriam aprender é a de não conduzir a entrevista como se estivessem escrevendo uma dissertação, tese, ou mesmo um artigo’.

Para Vinicius Romanini, os jornalistas devem compreender os conceitos principais dos temas que cobrem, adquirir um pouco do jargão técnico usado pelos cientistas e conhecer os bastidores da política acadêmica e científica. É dele o artigo ‘Parem as máquinas!’, que trata das relações entre tecnologia, informação e desenvolvimento sustentável. Para Vinicius, ‘fala-se mais de tecnologia do que de ciência pura’. Ele explica que a tecnologia é mais interessante porque tem um impacto certo e quase sempre imediato na vida das pessoas, enquanto a pesquisa científica pura caminha a passos lentos por um aglomerado de conceitos muitas vezes incompreensíveis aos não iniciados.

Valores humanos

A coleção ‘Formação & Informação’ nasceu com o objetivo de trazer para o conhecimento do público conteúdos essenciais sobre macrotemas jornalísticos. Escritos sob óticas diversas, os artigos partem da premissa de que um comunicador social deve se aprofundar em um assunto de maneira sistêmica, e de que o público, por sua vez, precisa se situar no turbilhão de dados desconexos próprios do nosso momento histórico. Significa que é preciso inter-relacionar fatos, experiências e valores humanos, semear o presente, originando passado, antevendo o futuro.

Jornalista, escritor e professor, o organizador Sergio Vilas Boas escreve artigos, reportagens especiais, entrevistas, ensaios, perfis, contos e resenhas de livros nas mais diversas áreas, que incluem política, educação, administração, tecnologia, negócios e cultura. É autor dos livros O estilo magazine (1996), Biografias & biógrafos (2002) e Perfis (2003), publicados pela Summus Editorial; e de Os estrangeiros do trem N (Rocco, 1997), obra que lhe valeu o Prêmio Jabuti 1998, na categoria Reportagem. Edita e coordena, com outros três jornalistas-pesquisadores, site TextoVivo.