Thursday, 07 de July de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1195

Da arte de olhar para o lado

É fácil, é cômodo, é charmoso investir contra os grandes jornais internacionais, especialmente americanos, como agora se faz com a acusação de que o governo de Obama mente o tempo todo e não contou toda a verdade sobre a morte do terrorista-mor, Osama Bin Laden. Mas quando se trata de escancarar as aberrações, acertos e idiossincrasias da nossa imprensa, como por milagre, evapora-se a disposição denunciadora.

Difícil acreditar que todos os vícios e manipulações jornalísticas só aconteçam e só apareçam numa imprensa considerada no seu conjunto como uma das melhores do mundo. Mais difícil é acreditar que a Inquisição não tenha deixado marcas em nossos costumes e que num sistema midiático oligopolista e altamente concentrado como o nosso não existam motivos para questioná-lo publicamente.

Uma visão crítica dos meios de comunicação faz parte das ferramentas de trabalho de qualquer jornalista. Mas ignorar o que se passa ao nosso lado, em nossas redações e no conteúdo do que se publica revela um perigoso tipo de miopia e uma complacência que lembra hipocrisia.