Monday, 22 de April de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1284

Boa notícia para quem quer justiça

Já não era sem tempo. Na quarta que vem, informa Bernardo de la Peña no Globo de hoje, a CPI dos Correios deve ouvir o senhor Cláudio Mourão, tesoureiro da fracassada campanha ao governo de Minas, em 1998, do atual senador e presidente do PSDB, Eduardo Azeredo.

Os fatos e as palavras que serviram para a CPI pedir a abertura de processo parlamentar contra 19 deputados também deveriam servir para que fosse incluído na lista dos cassáveis o senador Azeredo.

Em 1998, segundo declarou Marcos Valério à Procuradoria da República – e O Globo divulgou em primeira mão – os tucanos mineiros e seus aliados na disputa para o governo do Estado e o Legislativo receberam um “empréstimo” de R$ 9 milhões do Banco Rural, por intermédio da agência DNA.

Valério disse ainda que conversou pessoalmente com Azeredo sobre tais “recursos não declarados”. Azeredo nega. Nega também saber do suposto empréstimo. Mas é certo que dinheiro valeriano rolou na campanha da coligação encabeçada pelo PSDB em Minas.

A não inclusão do nome do senador no relatório conjunto das CPIs dos Correios e do Mensalão deu aos incluídos e seus correligionários argumentos para duvidar da isenção dos dirigentes das comissões.

Respalda a posição de todos quantos dizem que, nos inquéritos sobre o mensalão, caixa 2 é crime, ou deixa de ser, dependendo de quem o pratique.

Dá gás também à cínica tese do vice-presidente José Alencar, na sabatina de ontem na Folha, de que, se fosse para punir quem usou caixa 2 em campanhas, não sobrava um. Nem ele.

A tese é cínica porque o que ele falou, em outras palavras, é que se todos os políticos transgrediram a lei, todos deveriam ser condenados. Sendo isso impossível, por motivos óbvios, condenar só alguns é uma injustiça.

Mas não condenar ninguém é pior, a menos que se ache que violar a lei tanto faz como tanto fez.

Alencar, em resumo, pôs de ponta-cabeça o velha gozação: “Ou todos nos locupletemos, ou restaure-se a moralidade.” Fecha parêntese.

A convocação do tesoureiro Mourão, que tinha procuração de Azeredo para receber e pagar, abre a possibilidade de se fazer justiça, tratando todos os suspeitos por igual, sejam quais forem as suas legendas. Isso exige a citação do nome de Azeredo no relatório final da(s) CPI(s). Para que, no Senado, ele seja submetido ao mesmo processo parlamentar que aguarda os 13 deputados do primeiro relatório.

Mesmo para ele ser absolvido depois, se ficar provada a sua inocência. Como deverá acontecer com pelo menos 3 ou 4 dos deputados cassáveis que não fugirem da raia pela porta vexaminosa da renúncia. [Ver a nota abaixo.]