Tuesday, 18 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Brevíssimo guia para seguir o caixão 2

Quanto menos tempo você tiver para ler jornal e ver TV, mais você deve se concentrar nas matérias e comentários que focalizem uma das duas questões essenciais, presumivelmente interligadas, do escândalo da compra de políticos pelo PT desde o ano da eleição de Lula. Chame-se isso caixa 2, mensalão ou caixão 2.

Primeira questão: de onde saiu o dinheiro repassado pelo grão-operador Marcos Valério – R$ 55,8 pelas revelações mais recentes.

Nesse sentido, que é o que interessa, a decisão da CPI dos Correios sobre a quebra do sigilo bancário dos fundos de pensão é incomparavelmente mais importante do que os favores de Valério à ex-mulher do então ministro José Dirceu, do que a renúncia do deputado Valdemar, além dos que o imitarem, do que a verdadeira identidade do tal Marques, que poderia ser, ou não, o amigo de Dirceu autorizado pela repassadora da SMPB de Valério a sacar cinqüentinha do Rural.

É mais fácil José Dirceu ser o próximo presidente da República do que ficar comprovado que o meu, o seu e o nosso não foi a principal substância que correu por aquilo que vem sendo chamado de valerioduto.

Possibilidades não excludentes: dinheiro de contratos superfaturados com repartições e empresas do governo; dinheiro de pedágios cobrados de fornecedores de bens e serviços (sem o que perderiam a chance de os fornecer, fazendo a compensação nas faturas); dinheiro dos fundos de pensão aplicado em bancos que menos confiáveis do que outros, mas de onde jorrariam mais recursos, a juros de mercado, para as necessidades do caixão; dinheiro saído indiretamente das estatais “vendidas” a interesses da empreita.

A segunda questão essencial, obviamente, é a do grau de envolvimento do presidente Lula no caixão. Vejam bem: digo “grau” porque é mais fácil José Dirceu ser o próximo presidente da República do que ficar comprovado que o envolvimento do atual era nulo.

Ontem, mestre-blogueiro Ricardo Noblat exumou uma matéria do jornalista Bob Fernandes, publicada na Carta Capital depois da vitória de Lula, que descreve com assombrosa verossimilhança a compra, por R$ 10 milhões, do apoio do PL ao tetracandidato petista, que deu a vice a José Alencar.

Dentro de uma sala estavam Valdemar Costa Neto – é, o mesmo –, Dirceu e Delúbio. Esperando do lado de fora, Lula e alguns menos votados. Quando a criança nasceu, Lula ficou sabendo imediatamente.

O impeachment do presidente pode ser inviável por uma série de razões. A sua alegada inocência não há de ser uma delas.