Monday, 17 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Buratti se queixa da mídia. Com razão

O advogado Rogério Buratti começou há poucos minutos a depor na CPI dos Bingos, batendo na imprensa.

Tem mais de um motivo para isso – infelizmente para o bom jornalismo.

Acusou a revista de Época de devassar a sua intimidade, ao publicar alegações sobre a sua vida amorosa que, ‘mesmo se isso fosse verdade’, não têm o menor interesse público.

De um mesmo fôlego, acusou um repórter da Folha de S.Paulo em Ribeirão Preto de levar para a sua ex-mulher, Elza Buratti, um CD contendo meses de conversas telefônicas gravadas por ordem judicial, incluindo o que o ex-companheiro de Antonio Palocci chamou ‘pecados pessoais’. ‘Para que ela falasse mal de mim’ na entrevista que ele pretendia conseguir.

Menos mal que, segundo o advogado, um repórter especial da Folha o procurou depois para lhe pedir desculpas, em nome do jornal.

A vida privada de figuras públicas pode ser de legítimo interesse jornalístico – e estou falando de órgãos sérios de mídia –, se o que elas fazem em particular atinge de alguma forma o bem comum. Não consigo imaginar outro critério para saber quando a mídia tem o direito de se intrometer na intimidade alheia.

Salvo prova em contrário, a matéria da Época sobre os relacionamentos pessoais do doutor Buratti, com as consequências que tiveram para a sua família, não demonstrou o nexo entre uma coisa e outra. Assim, a revista atravessou uma fronteira que a ética profissional manda que se mantenha fechada.

Já o caso do repórter da Folha é uma sordidez. É caso não só de um pedido de desculpas, mas de demissão. Com esse currículo, se ele se mudar para Londres e dominar o idioma inglês, arranjará emprego rápido, rápido, em qualquer dos abjetos tablóides da praça.