Monday, 24 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Debate sobre criação de órgão normatizador das atividades da imprensa não emplaca


O Contapauta recebeu quatorze comentários e sugestões sobre a postagem do último dia 5, que tratou da criação de uma instituição multidisciplinar a ser regida por um conjunto de princípios éticos elementares, a fim de proteger a sociedade e o próprio jornalista do mau uso da imprensa. Quatorze intervenções em cinco dias é um número baixo demais. O baixo retorno dos leitores indica que o tema pouco preocupa os quase 11 mil leitores que visitaram este blog durante o mês passado. Paciência. O bom senso recomenda que se vire a página para tratar de outro assunto, com a esperança de que, um dia, quem sabe, a discussão sobre o monopólio da opinião exercido pelos grandes meios de comunicação ganhe corpo.



Mas o jornalista responsável abaixo-assinado assumiu o compromisso de tabular e dar retorno aos leitores que colaborassem para o ‘enriquecimento do debate e novas proposições’.



A distribuição das profissões dos leitores é a seguinte:


3 jornalistas
1 jornalista e professor
2 advogados
1 ator
1 bancário
1 aposentado
1 analista de sistemas
1 operador
2 não identificado
1 nefelibata caído*



* adjetivo e substantivo de dois gêneros, que pode ter três significados: 1. que ou quem vive nas nuvens; 2. que ou o que não obedece às regras literárias ou 3. que é muito idealista e vive fugindo da realidade (os significados 2 e 3 têm uso pejorativo)



A amostragem indica que duas profissões sobressaem-se entre as demais: jornalistas e advogados. Entre os jornalistas, dois mostram-se totalmente contra qualquer tipo de controle sobre a atividade da imprensa e dois a favor. Esses últimos manifestam indignação em suas mensagens, por conta da postura tendenciosa da grande mídia e pela ineficiência da ação da Justiça. O jornalista e professor Sidney Borges, que é contra qualquer tipo de controle, acredita que uma das origens da onda crítica sobre a atividade da imprensa é que ‘não há respeito pela arte de informar’. Ele remete a discussão para a multidão de personagens que se multiplica por todos os meios de comunicação e que atuam como jornalistas ou entrevistadores, sem preparo para a função. Odorico Carvalho, também jornalista, acrescentou: ‘Se queremos passar nosso país a limpo, temos que também fazer uma profunda faxina na imprensa e seus métodos, acabando com a ditadura que ela tacitamente estabeleceu na sociedade’.



Já os dois advogados estão de acordo com o ‘disciplinamento da mídia brasileira’, conforme escreveu Geraldo Moura da Silveira. A advogada gaúcha Regina Romão defendeu a necessidade de ‘um controle da imprensa’, e justifica: ‘No momento em que a mídia passa do limite da informação correta e comprometida com a verdade e entra no terreno do sensacionalismo e do denuncismo, os maiores prejudicados são os cidadãos de bem, tanto os atingidos pelas denúncias, quanto os leitores que são mal informados’.



Com os advogados também concorda o aposentado Adhemir Martins Fonseca, do Rio de Janeiro. Ele é ‘favorável’ à criação do Conselho Federal de Jornalismo proposto pelo Contrapauta e aponta que os mesmos jornalistas que diziam que o conselho exerceria censura prévia ‘agora não defendem a jornalista americana presa por não revelar a fonte de uma noticia.’



O texto do blog não cita a palavra censura e defende a liberdade de expressão, mas, mesmo assim, o temos da censura permeia a maioria das postagens dos leitores. O ator Rogério Vorace lembra que o portal de relacionamento Orkut já abriga a comunidade do ‘Conselho de Imprensa Já’, e está de acordo com o que se tentou transmitir ao sublinhar que a comunidade existe por acreditar na sua necessidade, mas que, ‘em nenhum momento, será censor’.



Odracir, o ‘nefelibata caído’, acha que tudo que foi escrito ‘é muito bonito, mas não funciona’ e está certo que seria ‘fascismo’ existir ‘um conselho para determinar quais informações devem ser repassadas’. Ele pede que se dê mais confiança à capacidade dos leitores, e pinga sua gota de ácido ao dizer que os jornalistas ‘se superdimensionam’.



O bancário Célio Mendes e Newton Jr, não identificado, defendem que o perigo não está no trabalho do jornalista, mas na ação das ‘empresas jornalísticas’. ‘Praticamente todas as empresas de mídia propagam a ideologia dos grupos que as controlam. Essas empresas não podem ignorar o estado de direito. A sociedade está sob ameaça e coação. Quem tomará a iniciativa de nos proteger?’, questiona Newton Jr.



Como se vê pelas opiniões apresentadas, o assunto é polêmico, e merece ser mais debatido.