Friday, 14 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

O Palocci de domingo e o da segunda

Dizem que a primeira reação do presidente Lula depois de acompanhar a coletiva do ministro Antonio Palocci, no começo da tarde de domingo, foi dizer que ele ‘marcou um gol’.

Se assim é, o überministro marcou ontem um golaço – contra.

O autogol resultou do desvio infeliz de um petardo do prefeito carioca César Maia. Segundo ele, diferentemente do que disse o ex-prefeito de Ribeirão Preto na momentosa entrevista, assinou 18 contratos com a Leão Leão, no valor total de R$ 53 milhões. Nove sem licitação e um, licitado, de R$ 41,6 milhões, para manutenção do aterro sanitário da cidade.

Resposta por escrito do ministro em direção à própria rede: ‘O contrato citado não foi objeto de questionamento na coletiva.’ Tradução: não falei porque não me perguntaram.

Tenha dó, ministro: nas mais de duas horas de ‘questionamento’ (rima com direcionamento e outros atentados ao idioma), Vossa Excelência afirmou uma tonelada de coisas sem ser perguntado.

Um exemplo singelo: ‘E houve outro contrato, esse sim feito com outro governo – não estou criticando o contrato feito pelo outro governo, só estou dizendo que não fui que fiz.’ E alguém perguntou se ele estava criticando o outro governo?’

Além disso, o Ministério Público investiga todos os contratos de lixo, não só em Ribeirão Preto, mas em um punhado de outros municípios paulistas e mineiros.

Um bom motivo para o agora endeusado ministro não esperar ‘questionamentos’ específicos da imprensa sobre a lisura de suas relações com a Leão Leão – onde Rogério Buratti foi trabalhar quando demitido por Palocci da secretaria municipal de governo, em 1992.

Para tentar ser tão moderado e elegante como o ministro se portou diante dos seus questionadores, é o caso de dizer apenas que a sua nota de ontem foi desengenhosa. Pode-se dizer também que depois do domingo sempre vem uma segunda.

P.S. Reitero o que publiquei em 18/8: serão tirados do ar comentários que contenham agressões pessoais – a quem quer que seja – e termos de baixo calão. Repito que os motivos hão de ser óbvios para todos quantos tenham lido recentes manifestações que ofendem menos o blogueiro do que os leitores em geral e os padrões éticos do site Observatório da Imprensa onde este Verbo Solto se hospeda. No mais, a crítica, mesmo a mais contundente, continua bem-vinda.