Thursday, 20 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Repórter antecipa: CPI confirmará o mensalão

O repórter Diego Escosteguy deve ter ficado (ou ficará) contrafeito ao ver o que o jornal onde trabalha, o Estadão, fez hoje com o seu furo de reportagem – a conclusão da CPI dos Correios de que o mensalão existiu.

A sua descoberta está praticamente caíndo da página em que saiu, debaixo de uma matéria declaratória com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, sobre o pagamento em dobro dos salários dos deputados nos períodos de convocação extraordinária e, pior ainda, debaixo de outra matéria, que ocupa mais espaço do que a dele, sobre a briga pelo gabinete do deputado cassado José Dirceu entre Rebelo e a suplente Mariângela Duarte, que subiu quando o outro caiu.

Sob o título “Relatório da CPI confirma repasse sistemático de dinheiro a parlamentares”, a reportagem tem 68 linhas de coluna. A da briga, de uma absoluta irrelevância, se derrama por 99!

Escosteguy antecipa que, na sua primeira prestação de contas, a ser divulgada amanhã, a CPI dos Correios deverá apresentar evidências ‘suficientes’ para indicar que, como denunciou o então deputado Roberto Jefferson, ‘houve repasse sistemático de dinheiro a parlamentares da base aliada”.

As evidências consistem em ‘extratos bancários e depoimentos’.

Os repasses, escreve ainda o repórter, duraram de fevereiro de 2003 [um mês depois da posse de Lula] a agosto de 2004. “O relatório mostra como os pagamentos obedeceram a uma cronologia mensal”. Ele cita, como já fizera em matéria anterior, o caso “exemplar” dos repasses ao PL.

Baseada no relatório do deputado Júlio Redecker, do PSDB gaúcho, da extinta CPI do Mensalão, a reportagem mostra no fecho que “no começo do mensalão a distribuição era mais generosa” e que os dados de Marcos Valério “revelam que R$ 4,8 milhões foram pagos assim”.

Os números:

De 11 de fevereiro a 6 de março de 2003, os cheques da SMPB [de Valério] revelam repasse semanal de R$ 500 mil. Nos dois meses seguintes, os pagamentos ficaram na ordem de R$ 300 mil. De junho a setembro de 2003, a distribuição média semanal foi de R$ 200 mil. A cada sete dias, saíam do valerioduto repasses consecutivos de R$ 90 mil, R$ 50 mil e R$ 60 mil. A partir de setembro de 2003, os repasses aconteceram por dinheiro em espécie e ficaram em torno de R$ 100 mil semanais.

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