Friday, 01 de March de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1277

Angela Merkel defende lei europeia de proteção de dados

A premiê alemã, Angela Merkel, defendeu ontem (14/7) um acordo europeu duro de proteção de dados, que exigiria que todos os provedores de serviço pela internet revelassem que informações armazenam e para quem as cedem. Esse lei básica deveria garantir que empresas como Facebook e Google estariam sujeitas às mesmas regras de privacidade em todos os países-membros da União Europeia, e não apenas às leis nacionais dos países nos quais elas estão registradas, disse Merkel.

Ela vem enfrentando fortes críticas por não ter tomado medidas mais duras para proteger os usuários de internet alemães dos amplos programas de monitoramento de internet e telecomunicações operados pelos serviços de inteligência dos EUA e do Reino Unido. Essa questão se tornou um dos principais temas da campanha eleitoral na Alemanha. A premiê foi acusada neste fim de semana pelo seu maior adversário, o social-democrata Peer Steinbrück, de ter violado seu juramento de posse de proteger os cidadãos alemães.

Ela respondeu numa entrevista pela TV ontem colocando a questão firmemente na agenda europeia e desafiando outros países da UE, como Reino Unido e Irlanda, que têm leis menos rigorosas, a apoiar regras mais duras. “Empresas de internet que estão operando na Europa, como Facebook e Google, têm de dar… aos países europeus a informação sobre para quem elas dão os dados [que armazenam]”, disse.

“Temos de poder confiar uns nos outros”

O primeiro passo é negociar um acordo europeu. Merkel disse que, apesar de a Alemanha ter uma “lei de proteção de dados muito boa”, empresas como o Facebook, registradas na Irlanda, estão sujeitas apenas à lei irlandesa.

Numa indicação de que os EUA violaram a lei alemã em território alemão, Merkel disse: “Espero uma promessa clara do governo americano de que no futuro eles vão obedecer à lei alemã em território alemão. Somos parceiros amistosos. Estamos numa aliança de defesa e temos de poder confiar uns nos outros.”

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Quentin Peel, do Financial Times, de Berlim