Sunday, 25 de February de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1276

A vida nefelibata

Depois de confessar, na semana passada, o fiasco de perder uma coluna quase pronta por descuido (ver “Cabeça nas nuvens“), recebi, de leitores e de amigos, várias estratégias para evitar que isso me aconteça de novo. Descobri que muito mais gente do que eu pensava já abriu mão de aplicativos instalados no computador e trabalha direto na nuvem, seja no Google Docs ou no Web Apps da Microsoft. Já usei ambos em situações de emergência, em geral em viagens, para textinhos rápidos e pequenos, embora, até aqui, nunca tivesse pensado em usá-los no dia-a-dia. Estou (estava) contente com o Word, velho conhecido, ainda que não aproveite nem 1% dos seus recursos: em tese, eu poderia escrever até no Notepad, já que todo o acabamento dos meus textos – como tipologia e diagramação – é feito no jornal.

Mas isso mudou. Depois de tantas opiniões favoráveis aos aplicativos nefelibatas, comecei a semana escrevendo na nuvem. Usei tanto um quanto o outro e acabei optando, finalmente, pelo Google Docs. O Word do Web Apps é muito bom e bem familiar para quem usa o velho Word, mas não tem uma função essencial para mim: contagem de caracteres. Ele só conta as palavras. Faz isso, aliás, de forma mais prática do que o Google Docs, exibindo a informação na barra inferior do texto. No Google Docs, contar palavras é operação que requer dois cliques, mas em compensação vem completa, com número de palavras e de caracteres, com e sem espaços.

Em termos de funções, os dois se equivalem. Ambos oferecem mais do que em geral precisamos; a única variação é, praticamente, a forma como os diversos recursos são apresentados. O Google Docs é minimalista e, para o meu gosto, mais agradável visualmente; o Web Apps é mais familiar para usuários de Word. Os dois importam e salvam arquivos do computador, e permitem que várias pessoas trabalhem neles ao mesmo tempo. Isso não é tão importante para quem fica só no Word, mas pode fazer grande diferença para quem usa planilhas. Se eu tivesse que recomendar um só deles, ficaria numa saia justa, de tanto que se equivalem. Como são gratuitos, o melhor conselho que posso dar é que o candidato a usuário os experimente com calma e escolha o que lhe parecer mais simpático. No fundo, é questão de pele.

Espaço de armazenamento

O Dropbox também faz parte ativa da vida do pessoal que me escreveu, assim como o Google Drive e o Skydrive. Os três serviços são parecidos. Eles se instalam como se fossem drives no computador; tudo o que for salvo neles fica na nuvem, e pode ser compartilhado ou acessado de qualquer lugar. O Google Drive e o Skydrive são extensões do Google Docs e do Web Apps da Microsoft, respectivamente, e fazem dobradinhas excelentes com as suas suítes de programas. Mas o meu favorito é o Dropbox, pela familiaridade (é o mais antigo dos três), elegância e simplicidade. Graças a ele, não me preocupo mais com as fotos do celular, que sobem automaticamente para a conta assim que são tiradas. O iCloud também conhece este truque, mas sendo um sistema Apple pressupõe que tudo o que você usa seja Apple, ao passo que o Dropbox, muito mais flexível, roda lindo em todas as plataformas, até mesmo no Blackberry, que em geral fica de fora dessas farras.

O Dropbox oferece inicialmente 2GB gratuitos, o que é pouco comparado aos 7GB do Skydrive ou aos 5GB do Google Drive, só que é facílimo aumentar este espaço, seja vendo uma demonstração do produto, recomendando-o aos amigos ou compartilhando arquivos. Hoje tenho mais de 50GB. Outra forma de ampliar o espaço disponível nesses serviços é pagando uma taxa anual, que varia de US$ 10 por 20GB no Skydrive a US$ 199 por 200GB no Dropbox: taí o preço de se ter tantos arquivos.

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Cora Rónai é colunista do Globo