Friday, 23 de February de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1275

Hospedagem requer modernização

A chegada da 4G está obrigando as empresas de hosting (hospedagem de sites) a investir, se fortalecer e a lançar novos produtos, não só para dar uma resposta mais rápida a seus clientes e atender à demanda de novos, como também impedir eventuais ataques de negação de serviço (DDoS) contra essas organizações. Não custa lembrar que os servidores de hospedagem são muito mais visados por crackers do que computadores domésticos. Isso porque têm mais poder de processamento e conexões de internet com largura de banda muito maior.

“Esse é um efeito colateral possível com a chegada da 4G. Mas é bom ressaltar que os data centers têm hoje estruturas de segurança, tanto em tecnologia como em pessoal, suficientes para combater isso sistematicamente”, diz Wilson Godoy, vice-presidente de clientes e sistemas remotos da Totvus. Godoy reforça que, em linhas gerais, os serviços de telefonia 4G trarão muito maior velocidade e mobilidade de acesso à internet, potencializando o uso de aplicativos disponíveis para os usuários. “Cada vez mais as pessoas, e as empresas, vão querer ter o maior número de informações possíveis hospedados na nuvem [cloud computing]. E a 4G ajudará em muito isso.”

Gilberto Mautner, sócio fundador da Locaweb, eleita em 2011 líder em Hosting & Infrastructure Services no Brasil e na América Latina pela International Data Corporation (IDC), avalia também que a 4G estimulará o crescimento da navegação por meio de dispositivos móveis, assim como a adoção de cada vez mais aplicativos. Isso vai aumentar a demanda por infraestrutura que permita suportar aplicativos mais robustos e com maior tráfego de informações. “Além disso, a 4G fortalecerá a tendência de empresas a usarem mais aplicativos na nuvem”, diz.

A velocidade de aplicações e sites

Para Eduardo Maldonado, diretor do UOL Host, a telefonia 4G vai gerar um aumento na demanda por conteúdos publicados na internet e, provavelmente, os usuários consumirão cada vez mais esses conteúdos, que precisarão de maior banda de telecomunicações e alto poder de processamento, caso de vídeos e músicas. “A grande vantagem da 4G é a velocidade de tráfego, e o quê essa velocidade pode proporcionar. Esse link direto com as operadoras proporcionará uma experiência muito mais veloz para o usuário. Mas não adianta nada o device ter uma conexão 4G se o servidor ao qual ele faz a requisição não estiver preparado para responder”, pondera Rodrigo Dal Magro, gerente de marketing da Redehost, uma das cinco maiores empresas de hosting no país.

Diante desse novo cenário, as empresas de hospedagem de sites revelam que já vêm fazendo investimentos em infraestrutura de redes, servidores e armazenamento de dados para garantir a seus clientes segurança e alto desempenho. “Atualmente, mais de 80% do investimento em pesquisa do UOL Host são direcionados ao UOL Cloud, produto lançado em 2011 para atender as necessidades de infraestrutura ágil dos clientes. Além disso, o UOL Host vai lançar em breve um produto inovador no cenário de hospedagem, que proporcionará maior flexibilidade e escala para os clientes”, diz Maldonado.

A Redehost também deve lançar em breve um produto que, segundo seu gerente de marketing, “será único no país” e com foco 100% em cloud computing para hospedar centenas de sites em um mesmo servidor ou em um grande site. A Locaweb, que tem capacidade para mais de 25 mil servidores, é outra que vem apostando forte em soluções de cloud computing baseadas em plataformas que permitem que os desenvolvedores possam criar rapidamente aplicativos de última geração. Em 2012, a empresa faturou R$ 220 milhões, e, de 2010 até agora, o número de clientes cresceu 30%, passando de 200 mil para 260 mil, de acordo com Mautner. “Recentemente, fizemos duas aquisições, uma delas a Tray que é uma das principais empresas de soluções de e-commerce do país. A outra é a Eventials, plataforma para transmissão de eventos online”, diz. “O principal benefício para as empresas que possuem sites hospedados na Locaweb, onde 25% dos domínios brasileiros estão hospedados, é a velocidade com que suas aplicações e sites rodarão, melhorando a experiência de seus usuários, clientes e compradores.”

******

Vladimir Goitia, para Valor Econômico