Tuesday, 28 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1289

A data esquecida

O casamento real do príncipe William com a bela duquesa Kate Middleton na semana passada, na Abadia de Westminster, na Inglaterra, mobilizou a atenção da mídia ocupando quase todo o noticiário internacional. A imprensa, açodada como sempre, divulgava fatos que ainda não tinham acontecido e buscava o “importantíssimo furo” que seria o vazamento da imagem do vestido da noiva, antes da hora do enlace matrimonial real.

A cultura monárquica movimenta a Inglaterra pelo glamour, mas é contrária à questão da liberdade, pois, sem a democracia, os súditos contemporâneos não têm o poder de usar o sufrágio universal e escolher os seus representantes e têm que se acostumar com a perpetuação da família real e suas tradições e rituais nababescos. O curioso é que o planeta parou para ver a bonita festa, mas que é uma contradição à liberdade tão almejada na contemporaneidade e que tem levado povos a se “rebelarem” revoltosa e repentinamente. A monarquia da Inglaterra parece que ainda manda no mundo. Pelo menos nas suas festas oficiais, todos param obedientemente para vê-la. No entanto, outro evento que se comemora hoje, dia 3 de maio, com certeza mais importante do que o casamento real e que diz respeito à própria mídia e à sua sobrevivência, é o do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, mas parece que não terá, nem de longe, o mesmo destaque dispensado ao último enlace real.

Importância pomposa

Vivemos um período de grandes transformações de toda ordem, inclusive na mídia, pois, vez por outra, o fantasma da censura reaparece para lembrarmos que a luta pela liberdade de expressão e de imprensa é permanente e essa conquista da civilização deve ser preservada. Assistimos atônitos neste momento à movimentação dos governantes na América do Sul querendo tolher, sem qualquer remorso, o sacrossanto direito à informação do seu legítimo destinatário, a população, das ações governamentais sul-americanas. Impressiona esse desejo totalitário de certos governantes de impor a volta da censura – e têm ainda a desfaçatez de se arrogarem de democráticos.

Aqui no Brasil, por exemplo, na época da ditadura militar, a censura e os censores agiram impiedosamente contra a liberdade de expressão e de imprensa e não deixaram saudade alguma desse nefasto período governamental. O dia de hoje tem uma importância pomposa para a civilização, pois se comemora o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, e poderá servir para a reflexão de cada um de nós sobre a necessidade da liberdade de expressão nas nossas vidas e que os regimes totalitários nunca mais regressem para tolher-nos a liberdade e impor a censura.

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Advogado e psicanalista, Fortaleza, CE