Thursday, 25 de April de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1284

A imprensa joga a toalha

A notícia de que os Estados Unidos e a China, os dois países mais poluidores do mundo, e outras nações reunidas num fórum de líderes da região Ásia-Pacífico, decidiram adiar uma deliberação concreta sobre a redução das causas do aquecimento global é destaque em todos os grandes jornais na segunda-feira (16/11).


Segundo a imprensa, a decisão esvazia a conferência da ONU sobre clima, marcada para o próximo mês em Copenhague, na Dinamarca. Tudo que se poderá conseguir em Copenhague, então, seria um acordo político, ou uma carta de intenções sem referência a metas específicas.


A postura dos jornais brasileiros é derrotista. No entanto, a leitura dos detalhes do noticiário, incluindo-se o que vem pelos sites da imprensa internacional, indica que o atraso na elaboração de um compromisso global pode ser favorável ao estabelecimento de metas mais ambiciosas.


Outra postura


Se for obtido um consenso em torno de intenções e um acordo político de caráter obrigatório, conforme observou o primeiro-ministro da Dinamarca, o passo seguinte poderá ser a definição de metas concretas e factíveis, o que seria muito mais do que aquilo que se obteve até agora.


Ademais, a nova circunstância pode ser uma oportunidade para o Brasil apresentar um compromisso à parte, assegurando uma redução significativa do desmatamento na Amazônia, no Cerrado e no que resta da Mata Atlântica.


Isso colocaria o país numa posição de liderança para a etapa seguinte das negociações globais sobre o clima. Além disso, uma posição vanguardista e comprometida do Brasil poderia estimular investimentos internacionais em projetos de desenvolvimento sustentável, que se somariam ao potencial já anunciado de atração representado pela realização da Copa do Mundo em 2014 e pelas Olimpíadas em 2016.


Mas, para que isso aconteça, a imprensa precisaria adotar outra postura. Em vez de lamentar o adiamento das decisões em Copenhague, o correto seria manter forte a pressão para que o governo brasileiro não recue. Mas tudo indica que a imprensa usa o episódio para jogar a toalha.