Sunday, 03 de March de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1277

Criminalidade leva governo de SP ao desespero

O espantoso crescimento e descontrole da criminalidade em São Paulo nos últimos três meses levou o governo Geraldo Alckmin ao desespero: ele decidiu pagar um bônus de R$ 10 mil aos policiais da PM que conseguirem diminuir a violência – o que equivale a incentivá-los a matar bandidos. Com essa bandeira nas mãos, o governador passou a quarta-feira (22/5) dando entrevistas no rádio, jornal e TV, que fizeram o maior carnaval, tudo para atemorizar os criminosos, embora em alguns espaços midiáticos eles tenham se transformado em verdadeiras celebridades.

A onda foi tamanha que lembraram até um slogan usado em Alagoas na década de 70 do século passado: “Bandido bom é bandido morto”. Essa chegou a ser a logomarca do coronel Amaral, que serviu durante quase 20 anos a um governador nomeado pela ditadura militar. O crime organizado em São Paulo tem inovado suas ações no desafio às autoridades: além dos assaltos a restaurantes só frequentados por milionários e classe média, os bandidos introduziram da semana passada para cá a realização de arrastões através dos quais quarteirões inteiros são assaltados de uma só vez.

Essa modalidade de crime tem transmitido à população a impressão de que não há policiais suficientes para proteger os cidadãos nas ruas. E a sensação de insegurança dobrou nos últimos meses em todo o estado. O que não é muito diferente em todo o país. Mas a sociedade civil organizada nem sempre tem encontrado nos governos estaduais parcerias à altura para um combate mais uníssono à criminalidade, como se viu na quinta-feira (23/5) em Maceió, onde ao invés de um ato público pela pacificação se organizou um velaço em memória às 800 pessoas assassinadas em nos últimos cinco meses só na capital alagoana, onde paradoxalmente o governador Teotonio Vilela Filho tem gasto somas gigantescas na mídia local para dizer que não há crimes no estado, considerando a criminalidade normal induzindo a sociedade a acreditar que ele protege os bandidos.

Modelo de controle

O paroxismo conduziu à introdução de sequestro pela Rede Globo até na sua novela para adolescentes Malhação, no horário das 17h. Quinta-feira, pela primeira vez, foi exibido um capítulo mostrando de forma quase didática como se realiza um sequestro-relâmpago, a massificação do modelito de sequestro muito usual em São Paulo.

Especialistas em segurança pública estão cansados de dizer que criminalidade não se acaba, controla-se. Assim sendo, mais que passa da hora de o governo brasileiro sistematizar um modelo de controle da criminalidade no país ao invés da adoção de políticas pontuais como o projeto de lei aprovado recentemente pelo congresso nacional visando apenas o recolhimento de viciados em drogas à rede hospitalar oficial.

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Secretaria de Segurança Pública responde

O artigo do senhor Reinaldo Cabral demonstra que seu autor não conhece a realidade de São Paulo, nem dispõe de informações sobre a política de segurança pública do Estado. O articulista fala em “espantoso crescimento e descontrole da criminalidade”. Ora, não há nem uma coisa nem outra. Recentemente divulgaram-se os indicadores de criminalidade relativos a abril de 2013. E o que se viu foi uma queda de 4,2% no Estado e 7,8% na capital. Cabe ressaltar que, mesmo no ano passado quando, de fato, houve aumento nos homicídios, São Paulo teve a menor taxa de homicídios por grupos de 100 mil habitantes do país: 11,53. Se o Brasil tivesse essa mesma taxa, 26 mil pessoas teriam sido salvas no ano passado.

Por fim, cabe demonstrar espanto frente ao preconceito do articulista contra as polícias paulistas quando afirma que implantar um sistema de meritocracia e premiar os policiais que se destacarem “equivale a incentivá-los a matar bandidos”. Cabe esclarecer que as metas vão premiar aqueles policiais que se excederem no cumprimento do dever. Realizar prisões arbitrárias ou matar alguém sem que isso seja absolutamente inevitável são condutas ilegais que, obviamente, não serão premiadas. Pelo contrário, serão punidas, como já o são. (Lucas Tavares, assessor de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo)

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Reinaldo Cabral é escritor e jornalista