Monday, 17 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

O resgate da confiança nas instituições democráticas

(Foto: Ernesto Eslava por Pixabay)

Passado estes últimos anos em que todos nós vivenciamos a experiência, ao buscarmos informações sobre qualquer assunto, nos depararmos com uma avalanche de informações desencontradas, além de notícias falsas no celular, chegamos finalmente à conclusão de que um olhar mais apurado deve ser prioridade nesta questão.

Os ataques informacionais em redes sociais, a fábrica de operações psicológicas culminaram em comportamentos agressivos, patológicos, promovidos por uma guerra híbrida composta de manipulação de problemas identitários, promoção de desinformação e lawfare, nos mostraram o quanto carecemos de senso crítico e alfabetização midiática.

O assunto é sério e merece ser apreciado, discutido e resgatado. E vai além da comunicação.

Um dado apresentado pelo Instituto Open Society revela que a Finlândia, contrariando a média mundial, alcançou 71% no índice de confiança em instituições governamentais contra 41% no restante dos países europeus, analisados. Além disso, o país é referência no combate à desinformação e às notícias falsas e contam com indicadores ótimos relacionados à confiança em outras instituições, entre elas a imprensa.

Apesar do Brasil não constar neste estudo, os últimos dados levantados em 2021 pela agência de comunicação Edelman indicam que a confiança das pessoas no governo como instituição, diminuiu. A queda foi de 5 pontos percentuais, ou seja, comparado a 2020 passou de 39% para 34%.

A resposta para o sucesso da Finlândia no combate às notícias falsas está na Educação.

Desde 2016 a alfabetização midiática foi incluída no currículo escolar desde o ensino básico.

Este ano, o país alcançou o 1º lugar no índice de alfabetização midiática, entre 41 países europeus.

Segundo informações do Instituto OS, os países que ocuparam os cinco primeiros lugares deste ranking possuem maior potencial em resistir ao impacto causado pela desinformação proveniente de notícias falsas. 

Um dos grandes desafios para resgatar a confiança em instituições governamentais, no Brasil, é resgatar a credibilidade dos veículos de comunicação, importantes ferramentas da democracia, e garantir que aqueles que cumprem o princípio ético de divulgação da informação precisa se tornem fontes confiáveis.

Ensinar crianças, assim como fazem os finlandeses, é um meio de fortalecer um movimento necessário de desconstrução das notícias falsas no Brasil, de forma contínua, duradoura e com raízes fincadas na próxima geração.

Cabe também um alerta aos novos rumos que a Educação traçará nos próximos anos. Rever o conceito de aprendizagem, levar em conta os novos tempos, no qual as crianças já nascem em meio a uma realidade tecnológica e midiática repleta de informações. Hoje não são apenas os livros que são usados para aprendizado e lazer. São celulares, tablets e uma imensa enxurrada de informações que chegam através deles. Cabe aos educadores ensinar os caminhos de construção de senso crítico e análise daquilo que é visto e lido. Daí a necessidade de investir na educação midiática assim como os finlandeses o fazem.

A alfabetização midiática requer aprendizado, técnicas simples e eficazes que, assim como aprender a dirigir, requer prática constante e atenção. E de um movimento que envolva as instituições democráticas, educacionais, midiáticas, sociedade civil e organizada.

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Rennata Bianco é jornalista e diretora de Comunicação Social da prefeitura de Ribeirão Preto. Atuou como redatora, repórter e apresentadora em veículos impressos e emissoras de televisão. Especialista em comunicação com foco em gestão de crises