Friday, 12 de April de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1283

Brasileiros criam
“suicídio” no Orkut


Leia abaixo os textos de segunda-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 19 de junho de 2006


INTERNET
Diego Assis


Brasileiros criam onda de ‘orkuticídio’


‘‘Cansei do Orkut. De toda essa exposição exagerada. Do monte de gente querendo ‘me add’, pra ser apenas mais um na lista de ‘amigos’ de um desconhecido. Dos ‘scraps’ com figurinhas, correntes, vírus, hoaxes. Cansei de debates vazios. Cansei de jogos narcisistas do tipo ‘dê uma nota pra pessoa de cima’ e outros jogos do tipo ‘bata com a testa no teclado’ infectando as comunidades…’


Foi com essas palavras que o estudante de Ciências da Computação de Florianópolis Cristian Moecke, 22 anos, resolveu se despedir do Orkut, o site de relacionamentos sociais que virou mania no Brasil desde que chegou à rede pouco mais de dois anos atrás.


O ‘bilhete de suicídio’ reproduzido acima foi deixado na página pessoal de Moecke que, no lugar de seu nome, agora ostenta como título um fúnebre: ‘Aqui jaz o perfil do Cristian’.


Como ele, muitos brasileiros, que hoje são a esmagadora maioria no serviço, vêm abandonando o Orkut numa prática que ganhou dos próprios usuários o apelido de ‘orkutcídio’.


Expostos em comunidades como Eu Penso no Orkutcídio, com mais de 1.600 filiados, os motivos são vários e, além daqueles enumerados por Cristian, vão do tédio ao vício, passando pelas tradicionais crises de ciúmes e – desde que o Orkut passou a figurar nas páginas policiais como reduto de pedófilos e seqüestradores – o medo de superexposição.


‘Temos recebido uma média de 30 a 50 e-mails por dia de pessoas relatando crimes e pedindo ajuda’, diz Thiago Tavares, presidente da ONG de direitos humanos Safernet.


Com seus perfis clonados, alguns usuários, mesmo sem saber, acabaram envolvidos em crimes de calúnia e difamação. E, nesses casos, mais que uma brincadeira, o ‘orkutcídio’ é questão de segurança.’


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‘Orkutcídio’ é solução para vício, tédio e até para começar uma ‘vida’ nova


‘Usuários que já botaram um ponto final em suas vidas virtuais no Orkut e, em alguns casos, retornaram com perfis novinhos em folha contam ao Link por que resolveram deixar o serviço e como fazer para evitar possíveis recaídas


À primeira hora do primeiro dia de dezembro de 2006, 18 amigos deverão digitar login e senha pela última vez, acessar seus perfis e – pumba! – realizar o primeiro ‘orkutcídio coletivo’ de que se tem notícia.


A brincadeira – que nem de longe deve ser confundida com um suicídio de verdade – vem sendo planejada pelo publicitário de Belo Horizonte Lucas Raposo, de 25 anos, que há algum tempo diz não ver mais a mesma graça no Orkut.


‘No início é legal, por causa dessa função de reencontrar as pessoas e manter contato com aqueles que você conhece. Mas vai passando o tempo e aquilo deixa de ser novidade: acaba tomando mais o seu tempo do que dando prazer’, desabafa Lucas, que, não por acaso, escolheu a data do seu próximo aniversário como a ideal para deixar de uma vez por todas o mundo virtual dos orkutianos.


E, de quebra, ainda vai levar alguns deles consigo. ‘A princípio era algo só para amigos, para quem eu tinha comunicado minha vontade. Mas, como tudo no Orkut, acabou virando coletivo em pouco tempo’, afirma o publicitário, que chegava a ‘perder’ 3 horas por dia flanando à toa pelo serviço.


Outro que vinha se sentindo incomodado com o ‘vício prejudicial’ é o catarinense Cristian Moecke, de 22 anos.


‘Notei que estava no trabalho, dava uma espiada no Orkut. Ia pra casa, espiava no Orkut. E fazia isso com uma freqüência razoável. Entrava pra ver se alguma coisa foi colocada nas mais de 100 comunidades de que eu participava. Futilidades, em 99% dos casos, mas mesmo assim uma estranha atração me fazia voltar constantemente lá’, conta.


A solução encontrada, explica Cristian, foi um ‘quase-suicídio’. ‘Sou o criador de uma comunidade de muito sucesso aqui da Universidade Federal de Santa Catarina e não queria abandonar a minha única criação do Orkut da qual me orgulho. Na verdade, passei-a para um perfil compartilhado e agora só entro uma ou duas vezes por semana para apagar propagandas e tópicos bestas’, diz.


Mais que ‘quase-suicida’, a engenheira brasiliense Lia Fernandes, 32 anos, é uma ‘orkutcida reincidente’. Ela se matou a primeira vez depois de um depoimento que se arrependeu de ter enviado. E a segunda, mais recentemente, quando o Orkut criou o detector de visitantes e a deixou numa ‘situação constrangedora por causa de um perfil que havia visitado’.


‘O orkutcídio nos dá uma oportunidade de recomeçar ‘zerados’ e não cometer os erros do perfil anterior. Algo que não temos como fazer na vida real’, defende Lia.


Já as amigas Carola Gonzalez e Laura Caselli, de São Paulo, juram que o seu adeus dado ao Orkut é para sempre.


‘Não via mais nada interessante lá. Só recebia vírus, aqueles links de bombas e peixinhos e spams de festa, que, na minha opinião, eram os mais insuportáveis’, comenta Carola, que, ao sair semanas atrás, não fez questão de mandar nenhuma cartinha de despedida aos mais de 900 ‘amigos’ que acumulava desde os primeiros meses do Orkut, em 2004.


‘Há pouco mais de um ano, comecei a receber convites de gente nua. Aceitava porque achava engraçado, mas não sabia que começariam a encher minha caixa de scraps com spams. O fim da linha foi receber convite para ser amiga de duas crianças. Nada contra elas, mas não tem nada a ver eu ser amiga do Chocolate, um dos caras ‘desnudos’, e de uma criança de 10 anos!’, brinca.


Laura, a amiga de verdade, saiu antes, e garante que há tempos superou a tal síndrome de abstinência: ‘Foi estranho sair porque eu usava muito aqueles scraps para falar asneiras com os meus amigos, e MSN é ruim porque você tem que falar com um monte de gente ao mesmo tempo quando não está a fim. No mais, as pessoas percebem que você saiu e começam a te escrever e-mails. Ligar é mais caro.’’


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Preservar a intimidade é ideal para fugir de problemas


‘Nome, sobrenome, cidade onde vive, fotos do pai, da mãe, da namorada, do cachorro… O que poderia parecer um punhado de informações simpáticas e generosas aos olhos do internauta comum acabou convertido em um prato cheio para os mal-intencionados de plantão.


O crescimento no número de denúncias de pedofilia, seqüestros relâmpagos e crimes de calúnia e difamação cometidos ou facilitados pelas informações contidas no Orkut vem preocupando entidades de defesa dos direitos humanos na internet como a Safernet. Por dia, chegam de ‘30 a 50 e-mails’ alertando ou pedindo informações sobre como proceder nessas situações.


‘Muitos relatos são de pessoas que saíram do Orkut há um mês e se surpreenderam com amigos dizendo que viram seus perfis no Orkut. As pessoas estão criando perfis falsos usando as informações e fotos que os próprios usuários colocam na rede e, em seguida, acessando sites de pornografia e marcando encontros sexuais nas comunidades’, diz Thiago Tavares, presidente da Safernet.


Diante desse cenário, a ONG publicou recentemente em seu site (www.safernet.com.br) a Cartilha Diálogo Virtual, com informações e dicas de como navegar com maior segurança na web.


No item Redes de Relacionamentos, as recomendações incluem manter poucas informações em seu perfil; não colocar fotos sensuais; não comentar os lugares que você freqüenta e não utilizar o Orkut para marcar encontros, informando locais e horários onde você vai estar.


‘Marque por e-mail ou telefone. Não faça isso pelo Orkut, onde há milhões de pessoas vendo’, alerta Tavares. ‘É preciso educar as pessoas a usarem a internet de maneira segura.’


Dicas para um ‘orkutcídio’ seguro


1 – ELIMINE OS RASTROS


COMO – Apague todas as fotos, lista de contatos e informações pessoais de seu perfil


2 – PUBLIQUE UM AVISO


COMO – Alerte os amigos para não mais deixarem scraps na página. O perfil leva até 24 horas para sumir


3 – REPARTA A HERANÇA


COMO – Passe o controle das comunidades que criou para amigos que continuarão no Orkut


4 – DIVULGUE SEUS CONTATOS


COMO – Escreva um e-mail para os mais chegados dizendo onde e como você poderá ser encontrado


5 – DELETE O PERFIL


COMO – Na Página Inicial, clique no menu Configurações e depois em Excluir Conta (abaixo da foto)’


MEMÓRIA / BUSSUNDA
Luis Fernando Veríssimo


Não o bastante


‘Participei de algumas reuniões de criação com o pessoal do Casseta e Planeta, há anos, e o que as pessoas mais me perguntavam, depois, era: ‘Como é o Bussunda?’ E se surpreendiam quando eu contava que não era nada do que imaginavam. Era um cara tranqüilão, e quieto. Certa vez o Serginho Groisman teve a idéia de nos convidar, ele e eu, para falar sobre humor no seu programa. Triste idéia. Não falamos muito nem sobre humor nem sobre outra coisa. Mas depois o Bussunda me assegurou que nossos silêncios tinham sido inteligentes.


Outra vez a revista Placar fez uma enquete entre jornalistas esportivos e palpiteiros para escolher a seleção brasileira de todos os tempos e foi o meu voto no Claudiomiro, do Internacional, que impediu a escalação do Zico. O flamenguista Bussunda nunca me perdoou.


Nos encontramos nas Copas dos Estados Unidos e da França e aqui, e na última vez que falei com ele, na terça, antes do jogo Brasil x Croácia e depois da derrota do Japão pela Austrália, ele me perguntou se, na minha opinião, o Claudiomiro teria se saído melhor do que o Zico como técnico do Japão…


E comentou que, na hora de o credenciarem para cobrir a Copa, os alemães tinham cometido um pequeno erro no seu sobrenome judaico, uma letra a mais ou a menos sem qualquer importância, mas que anos atrás teria salvo a vida de familiares seus.


A morte do Bussunda abalou todo o mundo. Dizem que ele não se cuidava. Talvez não tivesse uma noção exata do valor, e da admiração e do carinho que todos tinham pelo que ele descuidava.’


COPA 2006
Cristina Padiglione


Dream team via satélite


‘Numa imitação grosseira das mesas-redondas que mesclam jogadores de vários países para desenhar o dream team, montemos aqui a equipe ideal para as transmissões desta Copa via TV: narração do debochado Silvio Luiz, comentários do conciso Dunga, imagem (com direito a câmera exclusiva) da Globo, estrutura e repórteres – de esporte, bem dito – também do plim-plim, e mesa-redonda com o time ESPN Brasil.


Pena que Silvio Luiz, que ontem nos divertiu com Croácia e Japão, tenha de ceder a vez a Luciano do Valle nas partidas do Brasil pela Bandsports. Não que Luciano seja ruim, mas divertido não é adjetivo. Dunga, também na Bandsports, traça análises com começo meio e fim, sem sofrer a pressão à moda Enéas que faz a desgraça de seus colegas na Globo: Casagrande e Falcão se apressam em falar, quando falam, para não cortar o monólogo de Galvão Bueno.


Falemos de Galvão, prática que se tornou esporte nacional. No Jornal Nacional de sábado, ele contou a Fátima Bernardes sobre sua conversa com Ronaldo Nazário. ‘Conversamos como dois amigos’, começou Galvão. Amizade entre narrador e narrado não é pecado, embora a direção de jornalismo da Globo nem sempre perdoe tal franqueza. A falta é permitir que a amizade contamine a narração. Ontem, enquanto Luciano do Valle dizia ‘errou’, para um chute de Ronaldo no ar, Galvão dizia: ‘tá melhorando’. Depois: ‘é o que tá mais chegando na frente’; ‘participou de todos os lances importantes’, e por aí foi. Quando o australiano Grella lhe chutou a canela, Galvão sentiu na pele: ‘Isso tem que ser expulso e proibido de jogar futebol!’, ‘quase quebrou a perna do Ronaldo’.


E, sobre Robinho, efetivamente melhor em poucos minutos de jogo, nem um afago do Galvão. Aos amigos, tudo…’


Rodrigo Martins


Matemático ‘prevê’ resultados da Copa


‘O famoso bordão ‘o futebol é uma caixinha de surpresas’ pode estar com os dias contados. Pelo menos, é nisso o que aposta o estatístico Marcelo Arruda. Navegando em um mar de números e fórmulas matemáticas, ele diz que é possível abrir a tal ‘caixinha’ e prever o que poderá rolar nos gramados futebolísticos. Inclusive nos alemães.


As suas ‘previsões’ vêm de softwares para PC desenvolvidos por ele mesmo. E pode ficar tranqüilo: segundo Arruda, o Brasil é mesmo o favorito para levantar o caneco nesta Copa do Mundo.


‘O que faço é calcular as probabilidades de uma seleção ou um time vencer um determinado campeonato’, explica. Para isso, Arruda lança mão de um banco de dados com informações de milhares de partidas realizadas em campeonatos nacionais, regionais e mundiais.


Para a Copa do Mundo, ele conta com dados de mais de 1.400 jogos. ‘São os resultados das partidas disputadas nos últimos quatro anos pelas 200 seleções que participaram das eliminatórias’, explica.


Esses resultados Arruda insere no computador e, assim, obtém as probabilidades de uma seleção específica classificar-se para as próximas etapas da Copa e, por fim, sagrar-se campeã.


Até o fechamento desta edição, o Brasil, por exemplo, contava com 87,4% de chances de passar para as oitavas-de-final e 20,3% de vencer o campeonato. Conheça ao lado quais são as dez seleções que, segundo o estatístico, têm as maiores chances de vencer a Copa.


‘No computador, uso softwares que eu mesmo desenvolvi. Eles fazem cálculos baseados em fórmulas matemáticas que criei. Assim, dá para saber qual é a seleção mais forte e a probabilidade de ela vencer outras seleções.’


Arruda publica as suas ‘previsões’ no seu site Chance de Gol (www.chancedegol.com.br). Lá, também há estatísticas para a Taça Libertadores da América, o Campeonato Brasileiro e os principais campeonatos estaduais do País.


E qual é a confiabilidade desses cálculos? Dizer que o Brasil tem 20,3% de chances de vencer a Copa é afirmar que nossa seleção é, de fato, a favorita? Diante dessa pergunta, Arruda se retrai e resolve ponderar.


‘Esse é o resultado estatístico dos jogos analisados. Nesse processo, só tenho como considerar dados numéricos, que são os placares das partidas dos últimos quatro anos. A força de uma seleção, entretanto, pode modificar-se caso algum jogador se machuque, por exemplo. E isso eu não tenho como adivinhar.’


Para deixar as suas ‘previsões’ sempre atualizadas, o estatístico insere diariamente os últimos resultados das partidas. ‘As probabilidades passam por alterações constantes’, diz.


INÍCIO DE TUDO


A idéia de desenvolver os softwares capazes de fazer ‘previsões’, que desembocou no site Chance de Gol, nasceu na época em que Arruda fazia pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP), em 1998.


Graduado em matemática também pela USP, Arruda sempre foi um fanático por futebol. ‘Desde criança, em casa, sempre discutia com meu pai e com meu tio os lances dos jogos.’


E, para ter argumentos para sustentar suas posições – visto que ‘embora todos fossem são-paulinos, a família tinha divergências sobre se o time estava indo bem ou não’ -, o estatístico começou a se interessar por estudos de probabilidade.


‘Na Copa de 82, quando tinha 9 anos, a revista Isto É publicou uma análise das seleções favoritas para o Mundial, o que me despertou a curiosidade.’


Nas Copas posteriores, outras publicações trouxeram previsões de vencedores, o que ‘sedimentou’ o interesse de Arruda pelo assunto. ‘Mas ainda não tinha conhecimento para desenvolver nada além do que lia.’


Em 1991, Arruda entrou na Faculdade de Matemática e resolveu seguir a área de estatística. ‘Foi aí que comecei a formular as minhas primeiras análises. Mas elas não tinham muita base teórica.’


Foi com o surgimento da internet que o estatístico conseguiu um empurrão para o seu ‘projeto de vida.’ ‘Em 1996, instalamos a internet em casa. A partir daí, pude pesquisar estudos mundiais de probabilidade no esporte, o que era difícil de encontrar em livros.’


Além da web, o computador também deu uma força para ele. ‘Fazer uma ‘previsão’ para a Copa do Mundo, por exemplo, requer cerca de 10 mil cálculos. Se não fossem os softwares que cuidam dessa tarefa, não haveria como fazer tantas contas.’


O surgimento do site Chance de Gol, entretanto, só aconteceu em 1999, quando Arruda fazia pós-graduação. ‘A probabilidade no futebol acabou se tornando o tema de minha tese de mestrado. Desenvolvi as fórmulas e os softwares nesse período.’


Seu site acabou contratado pelo Terra e, depois, pelo jornal esportivo Lance. Hoje, é ele quem banca sozinho a página. ‘O que era um hobby de infância, acabou virando minha profissão.’’


Ricardo Anderaos


A estrela e a Copa


‘Até uns seis anos de idade eu ainda acreditava no Papai Noel. E sempre que o Natal se aproximava, as rádios e TVs começavam a bombardear a gente com uma inesquecível musiquinha:


‘Estrela brasileira / No céu azul / Iluminando / De norte a sul / Mensagem de amor e paz / Nasceu Jesus / Chegou o Natal / Papai Noel voando a jato pelo céu / Trazendo um Natal / De felicidade / E um Ano-Novo / Cheio de prosperidade / Varig Varig Varig.’


Na minha ingenuidade infantil, que misturava o desejo de acreditar no bom velhinho com um pendor precoce para assuntos tecnológicos, cheguei a pensar que, para dar a volta ao mundo numa noite distribuindo presentes, só mesmo a jato. E é claro que quem deveria levar o Papai Noel era a Varig.


Nos anos 60, criança brasileira de classe média não viajava de avião. Isso era coisa para gente rica. Voar numa aeronave me parecia tão maravilhoso quanto as lendas natalinas ou as aventuras dos astronautas. A estrela da maior companhia aérea brasileira tinha a mesma mística das renas de Papai Noel.


Lembro de um dia, no começo da minha adolescência, quando meu pai chegou em casa todo orgulhoso com uns casacos maravilhosos. Ele dirigia a extinta rede de lojas A Exposição Clipper. A fábrica de roupas do grupo, chamada Patriarca, havia sido escolhida para produzir os uniformes dos comissários de bordo e aeromoças da Varig. Aquilo era o auge. A cena daquele filme Prenda-me se for capaz, em que Leonardo di Caprio vê as aeromoças lindas passando e tem a idéia de falsificar uma roupa de piloto para trocar seus cheques falsos dá uma boa medida da aura que envolvia os profissionais de empresas aéreas na época.


No final dos anos 80, minha primeira viagem à Europa foi num avião da Varig. Eu estava indo para a Espanha, onde trabalhei um ano como correspondente internacional. Viajava na classe turística. Mas, mesmo assim, para os padrões atuais, a coisa era finíssima.


Na hora do jantar a gente ganhava um cardápio para escolher entre pratos com carne, ave ou peixe. Recebíamos guardanapos de linho para colocar no colo e talhares de verdade. Por fim, a refeição vinha fumegante, servida em pratos de porcelana. Havia uísque importado e vinhos de boa qualidade.


Durante o ano que morei em Madri, a loja da Varig era como uma filial da embaixada brasileira. Eu ia lá quase todos os dias, pegar o jornal que vinha do Brasil, para ver o resultado do meu trabalho. Todos eram muito atenciosos, e não se cansaram de quebrar galhos de todos os tipos. A gente se sentia mais seguro com a Varig por perto.


Nesta minha vinda para a Europa a coisa foi bem diferente. No vôo da Varig que me trouxe para Frankfurt, deu para perceber que o serviço já está abaixo dos patamares das outras companhias aéreas. Como eu viajava numa fileira lá atrás, nem tive a chance de escolher entre isopor com cheiro de carne e isopor com cheiro de frango para jantar. Fui obrigado a engolir um frango mesmo. O que, em se tratando de viagem para a Copa do Mundo, não foi um bom augúrio. Havia dois comissários muito mal-humorados. Algumas poltronas não reclinavam direito. Alguns equipamentos tinham uma placa escrito ‘quebrado’ na cozinha do avião.


Agora estou aqui, na Alemanha, com uma passagem de volta marcada para dia 11 de julho e o coração na mão. Será que vou conseguir voltar para casa quando acabar a Copa? Claro que o jornal vai dar um outro jeito. Mas vai ser um trânsito danado para fora daqui nesses dias. Talvez tenha que ficar aqui alguns dias, esperando outro vôo, sei lá.


Dizem que, de bunda de bebê e cabeça de juiz, a gente nunca sabe o que vai sair. Espero que Luiz Roberto Ayoub, juiz da 8ª Vara Empresarial, responsável pelo processo de reestruturação da Varig, não apague de vez a estrela da Varig. Já foi muito duro encarar o fato de que não existem renas nem Papai Noel. E, depois que a gente ganhar a Copa, tenho de voltar rapidinho para casa, para abraçar meus filhos Dora, Lorena e Tom.’


TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Pedro Doria


Gramado em widescreen


‘Vitor, na casa de quem ando hospedado por uns dias, sabe tudo de tecnologia. Quando comprei um roteador WiFi para tomar emprestado um quê de sua banda, ele tratou de tomá-lo de minha mão, ignorou de todo os manuais onde eu buscava o passo-a-passo, fez abrir uma janela de terminal Unix no seu Mac e ali, na unha, fez com que tudo se configurasse. Nos conhecemos há mais de dez anos – e ele sempre foi assim.


Vitor também gosta muito de futebol, um rubro-negro como eu que, diferentemente de mim, sabe escalar o Flamengo corrente. Eu ainda estou no Zico, Júnior, Adílio, etc., e nunca sairia de lá. Como há muito não havia uma Copa com tanta novidade tecnológica, Vitor veio lentamente se preparando.


Sua televisão é widescreen – não é de plasma, mas o tubo tem tela plana. O som é 5.1, potente que só, bem distribuído pela sala. Na semana anterior à Copa, encomendou à Net que trocasse seu receptor, passando do analógico para o digital. Descolou um cabo ótico que ligasse sua nova caixinha de tevê ao sintetizador do home theater. Foi só a poucos dias da Copa que teve, enfim, tudo pronto para assisti-la direito.


A TVA está transmitindo com imagem de alta definição, mas isto é para quem tem tevê compatível. Não era o caso. O canal SporTV Copa manda o sinal de widescreen e o som 5.1. O som faz a maior diferença; não dá a ilusão de estar no estádio mas cria uma sensação de plenitude, de estar envolvido pelo espetáculo. E, quando acontece uma batucada no canto esquerdo da imagem, é de lá que vem o barulho bom de torcida.


Se esse som que envolve numa partida puxa pela emoção, a coisa comprida da imagem puxa a razão. Cinema era 4 por 3 (proporção padrão da tevê) até finais dos anos 40, início dos 50 do século passado. A tela foi esticada quando surgiu a tevê e os estúdios acharam que aquela caixinha podia roubar-lhes a audiência.


Por conta inventaram a brutalidade do Cinemascope, bem mais comprido que nosso widescreen padrão, um espetáculo visual que poucos diretores souberam dominar em poucos filmes. O mestre John Ford, diretor dos melhores westerns que há, costumava reclamar: tela comprida daquele jeito só servia para filmar trem ou cobra. Ford era bom de closes tensos no rosto e filme muito retangular não corta isto bem, fica um branco grande nas laterais.


Ford estava errado: para quem gosta de futebol, a tela comprida faz toda diferença. Evidentemente, se sua alegria está concentrada no prazer do gol, se lhe basta o jogador que recebe um passe, dribla um, requebra no segundo e chuta exato, a tevê comum recebe bem. Mas, se a tela é comprida, vê-se o que antes era matéria exclusiva dos estádios, que são os times se armando, os jogadores se distribuindo lá de trás, como que cada um, inteligentemente, se coloca como possível receptor enquanto se livra do impedimento. A elegância e o balé que existem no futebol e que atingem seu ápice numa Copa se revelam.


Futebol é um pouco dos dois, emoção e razão, improviso e tática, suavidade e força, é feito da matéria que os chineses chamariam de ‘yin-yang’ e assim se faz o esporte melhor que todos os outros. Som e imagem compõem esta dualidade do futebol – e todos deveriam procurar assistir a uma única partida que fosse desta forma. A Copa fica melhor. Ou, bem, quase melhor porque tudo aqui descrito é meramente teórico não fosse um detalhe: delay.


Quando eu e Vitor nos conhecemos, há pouco mais de dez anos, trabalhávamos numa certa emissora de tevê, em sua sede carioca. Lembro nitidamente dum fim de semana desgovernado em que os chefes decidiram fazer numa sexta e conseguiram emplacar no domingo a primeira transmissão de tevê ao vivo pela internet. Vitor no comando técnico. Muito expatriado viu o Fantástico pela primeira vez em décadas naquele dia, com um mínimo delay.


Por algum motivo, o sinal da Net Digital tem esse delay, o sinal digital chega uns poucos segundos depois do analógico. E isto não faz qualquer diferença para ver um filme ou assistir ao jornal. Mas quando Kaká recebeu o passe naquele primeiro jogo do Brasil, toda vizinhança gritou gol enquanto, na tevê de Vitor, o cara ainda dominava a bola.


Isto não é nem o pior. O pior é o lance que tem perigo de gol. Se ninguém gritou lá fora, ele já sabe que nada aconteceu. Sem surpresa, não tem nenhuma graça.’


PUBLICIDADE
Carlos Franco


24 mil peças de 81 países estão no páreo no festival de Cannes


‘Os publicitários brasileiros desembarcaram neste fim de semana na França trazendo na bagagem 2.537 peças para disputar o 53º Festival Internacional de Publicidade de Cannes, maior e mais importante festival da propaganda mundial, que começou oficialmente ontem. Este ano, estão inscritos 24.862 trabalhos de 81 países, disputando os prêmios em 9 categorias, com destaque para filmes, impressos (dividido nas categorias mídia impressa e outdoor), rádio e internet. São esperadas cerca de 10 mil pessoas.


O Brasil é o segundo país em número de inscrições nesta edição, perdendo apenas para os Estados Unidos e ficando à frente de Reino Unido, Alemanha e Espanha, competidores tradicionais em Cannes. São 53 trabalhos brasileiros concorrendo na categoria Promo Lions, que estréia este ano para estimular a criação na área de promoções, além de 233 comerciais, 1.055 impressos, 703 outdoors, 324 peças de internet, 68 peças de rádio, 53 trabalhos de marketing direto, 53 de marketing promocional e 42 de mídia.


Há também seis trabalhos nacionais concorrendo ao troféu Titanium, criado há três anos para premiar projetos integrados de mídia, inspirado em uma série de filmes feitos para a BMW por famosos diretores de cinema, como Ridley Scott, John Frankenheimer, Ang Lee e John Woo. Como todos os filmes ultrapassaram, e muito, os 60 segundos – tempo tradicional de um comercial -, a montadora decidiu usar todos os meios de comunicação para convidar o consumidor a assistir os filmes na internet. Como a proposta não se enquadrava nas categorias tradicionais do festival, a organização de Cannes decidiu criar esse troféu.


Adriana Cury, da McCann-Erickson Brasil, representante do País no júri do Titanium, diz que os projetos multimídia são o futuro da comunicação das empresas com os consumidores. ‘É impossível imaginar campanhas publicitárias hoje que não sejam integradas’, diz. ‘O consumidor quer detalhamento de produtos, quer interagir com eles.’


O Festival Internacional de Publicidade de Cannes, representado no Brasil pelo jornal O Estado de S. Paulo, nasceu há 53 anos. No início da década de 50, alguns exibidores de cinema, temendo a concorrência da então incipiente televisão, começaram a se reunir informalmente para trocar experiências e impressões e estimular a publicidade nos cinemas. Começaram também a exibir alguns filmes em Cannes. Em 1953, decidiram criar uma competição para premiar os três melhores comerciais para cinema.


A primeira edição dessa disputa ocorreu em Veneza, na Itália. Os vencedores conquistavam uma estátua em ouro que era uma réplica do leão alado do festival de cinema de Veneza. Como a maioria dos exibidores se reuniam também em Cannes, atraídos pelo festival de cinema local, decidiu-se que o evento da publicidade seria realizado em Veneza nos anos pares e em Cannes, nos ímpares.


Em 1984, por causa de greves nos serviços públicos italianos, o festival teve sua última edição em Veneza e passou a ser realizado anualmente apenas em Cannes. Como homenagem a Veneza, foi mantido o troféu em forma de leão e o evento ganhou o nome de Cannes Lions.


EVOLUÇÃO


Há três anos, quando chegou ao seu cinqüentenário, o Festival Internacional da Publicidade de Cannes exibiu um panorama de sua evolução e das mudanças na propaganda mundial. Da ingenuidade dos anos 50 e da rebeldia dos anos 60 ao pop dos anos 70, passando pela publicidade clean dos anos 80 e os efeitos especiais dos anos 90, a projeção chegou até a ousadia deste século. A propaganda ganhou importância neste período também pelo seu aspecto econômico: as empresas injetam, atualmente, mais de US$ 300 bilhões por ano nos meios de comunicação do todo o mundo. Os diretores que mais se destacaram e ganharam mais de um Grand Prix receberam uma estatueta especial do leão na festa do cinqüentenário: Hugh Hudson, Lee Lacy, Joe Pytka, Ridley Scott e o falecido John Perkins.


Hoje, o festival se volta para a ousadia, as formas inteligentes que comerciais, especialmente americanos e ingleses, usam para driblar regras politicamente corretas que limitam a criação.’


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Frustração em verde e amarelo


‘A 53ª edição do Festival Internacional de Publicidade acaba de trazer uma decepção para os brasileiros, horas antes do jogo da seleção contra a Austrália. O País conseguiu incluir apenas um trabalho na short list – a lista reduzida – dos concorrentes ao Promo Lions, estreante categoria que avalia os melhores trabalhos de marketing promocional: a peça foi a Taça Brahma, criação da The Marketing Store, para estimular as vendas do produto da AmBev em revendedores e distribuidores. O jurado brasileiro Geraldo Rocha Azevedo não escondeu a decepção. Segundo outros jurados, nessa categoria a apresentação conta muito para a compreensão da estratégia. Com tantas camisas verde e amarelas no Palais des Festivals de Cannes, a torcida esperava mais. O País trouxe 53 peças de promoção.’


EDEMOL
O Estado de S. Paulo


Endemol pode voltar ao controle holandês


‘O magnata holandês da mídia John de Mol pode voltar a ter o controle da produtora de televisão Endemol, dona de formatos de reality shows como o Big Brother. Segundo fontes próximas às negociações, de Mol estuda uma oferta pela empresa junto com a italiana Mediaset. A oferta poderia chegar a 14 por ação, o que daria à Endemol um valor de mercado de 1,75 bilhão. A Endemol, fundada em 1994 por John de Mol e pelo produtor Joop van den Ende, foi vendida em 2000 ao grupo espanhol Telefónica. A Telefónica anunciou recentemente que pretende vender sua participação de 75% na empresa.’


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Guerra por estúdios


‘Todo mundo quer fazer novela no Rio. Depois da Record, agora é a vez de a Band caçar estúdios para gravar sua próxima novela, Amores Proibidos, na Cidade Maravilhosa. Diretores da emissora passaram uma temporada na cidade tentando locar um teto para a produção. Foram dar uma olhada nos antigos estúdios da extinta TV Manchete, que estão um tanto abandonados. A opção mais certa até o momento é a locação dos estúdios do Gabinal.


A Record gastou uma verdadeira fortuna – algo em torno de R$ 60 milhões – na compra e reforma dos antigos estúdios Renato Aragão, em Vargem Grande , no Rio, que foram transformados no complexo RecNov . O terreno, de 45 mil m2 de área total, tem 8 mil m2 de área construída que comportam quatro estúdios prontos: dois deles com 1.120 m2, para a produção de novelas; o terceiro, de 340 m2 e um miniestúdio com 66 m2.


Mesmo com o novo espaço, a emissora procura por mais estúdios para alugar para a produção de uma novelinha infanto-juvenil. Para tanto, a rede travou uma briga com a Globo pelo aluguel dos estúdios da Tycoon. Na queda de braço, a líder levou a melhor.’


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TV perde audiência em relação a 98


‘A Copa da Alemanha começou bem em audiência, mas, segundo a imprensa internacional, os índices mundiais na TV estão ainda 10% abaixo da audiência da Copa da França. O comparativo com o mundial de 98 se faz em razão do paralelo entre dois países do mesmo território europeu. Já a comparação com a última Copa implicaria distorções pela diferença de fuso horário de Coréia e Japão.


Mas há que se considerar que, além de um número maior de TVs pagas cobrindo o evento, o mundial da Alemanha também soma transmissão via internet e celular.’


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 19 de junho de 2006


CONCESSÕES SUSPEITAS
Fernando Rodrigues


Atraso na comunicação


‘BRASÍLIA – O governo Lula aprovou 110 emissoras educativas (29 TVs e 81 rádios). Uma em cada três rádios foi parar nas mãos de políticos, informou Elvira Lobato ontem na Folha. Em seus oito anos no Planalto, FHC autorizou 239 rádios e 118 TVs educativas -muitas entregues para deputados federais. Os números podem ser piores.


Os congressistas escondem essas empresas em nomes de familiares ou de assessores.


A promiscuidade entre políticos e comunicação é uma das formas mais explícitas do atraso institucional brasileiro. Também é uma das evidências da similitude entre os governos FHC e Lula.


Como a população em sua maioria toma conhecimento das notícias por meio da TV e do rádio, dificilmente esse assunto ganha corpo. O problema existe há décadas, mas trata-se de tema quase secreto para grande parte dos eleitores.


Quem já viajou pelo interior do Brasil conhece o flagelo dos meios de comunicação locais. Jornais são do prefeito ou do deputado, assim como as TVs e as rádios. Em geral, vivem de verbas publicitárias públicas, tanto das prefeituras como dos governos estaduais.


Antes de tomar posse, Lula e o PT criticavam o uso de dinheiro público com publicidade. Uma vez no Planalto, o petista passou a gastar em comerciais o mesmo tanto que seu antecessor tucano.


O recorde de Lula foi em 2004, com R$ 940 milhões torrados em propaganda. FHC teve seu pico em 2001, com R$ 936 milhões. Iguais no gasto publicitário, sabe-se agora que Lula e FHC também se assemelham na sanha distributiva de rádios e TVs. Em outubro, se o eleitor ficar mesmo na escolha entre PT e PSDB terá uma certeza: não importa quem vença, a política promíscua na área de comunicação continuará inalterada.’


COPA 2006
Massimo Gentile


Mesmo na rua e longe da TV dá para acompanhar o jogo e a análise do Galvão


‘São Paulo, 13h30.


Faz quatro minutos que o atacante Robinho entrou no lugar de um Ronaldo ainda fora de forma e o jogo promete ser mais animador.


Talvez seja o cansaço, mas agora a Austrália parece estar mais disposta a abrir espaços para as jogadas de Kaká e para as invenções de Ronaldinho.


O gol está no ar, só que o dever profissional chama: um sol tímido convida a deixar o carro em casa e ir ao trabalho a pé.


Um silêncio surreal abre o caminho até a redação: não ha ninguém na rua! São Paulo é um deserto que lembra os domingos preguiçosos de uma cidade do interior.


Não há o alegre passeio pelas ruas de Higienópolis nos fins de semana, não há cachorros empurrando os próprios donos em direção da praça Buenos Aires, não há o mendigo da esquina que diariamente pede uma moeda e um cigarro. Não há nenhuma mesinha na calçada. Não há carros nem ônibus. Não passa um táxi.


Todo mundo está sofrendo e gritando colado na frente de uma TV, não importa onde: na sala de casa, no bar da esquina, no restaurante.


Os comentários de Galvão Bueno atravessam as janelas e acompanham o passeio: mesmo na rua e longe da TV dá para participar do jogo.


Cada ‘ohh’ é um ataque da Austrália, cada grito, um lance errado do Brasil. Se percebe que, atrás das paredes, os torcedores esperam impacientes uma goleada, mas o tom sério da voz de Galvão Bueno deixa entender que o adversário não é tão fácil assim. Até a explosão geral: impossível ter dúvidas, é 2 a 0.


Agora se respira menos nervosismo: são poucos os gritos e menos ainda os ‘ohh’. É o sinal que falta pouco para o fim. Mais uma explosão, e depois o silêncio: até a eco do Galvão some do ar. Desta vez não é gol.


Devagar reaparecem os paulistas, as mesas nas calçadas, os cachorros com seus donos, os carros, os táxis, bem como os ônibus e até as motocicletas. O barulho do trânsito toma de novo posse da cidade. Acabou o jogo, o Brasil está nas oitavas e, para mim, só falta uma quadra para entrar na redação.


Massimo Gentile é italiano’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Ronaldo e a Globo


‘Fim de jogo e o repórter Marcos Uchôa pergunta ao vivo para Robinho, que entrou no lugar de Ronaldo:


– Deu gosto ver o Ronaldo voltar a ser o Ronaldo?


Não, para todos os outros meios, ele não voltou a ser Ronaldo. Mas a afirmação vestida de pergunta fechou a semana em que a Globo, levada por Galvão Bueno, usou todas as armas para ressuscitar o ‘fenômeno’.


Para registro, o portal Globo.com saiu-se com este enunciado logo depois do jogo, ‘Olha o Fenômeno aí’.


Mas começou bem antes.


Enquanto o site do espanhol ‘Marca’ trazia um vídeo com Ronaldo chamando um jornalista de ‘estúpido’, na sexta, Galvão Bueno dizia, ao narrar a goleada da Argentina:


– Ronaldo sair agora não seria justo. Contra a Austrália será outra seleção brasileira.


Anteontem no ‘JN’, o locutor relatou uma ‘conversa’ que travou com Ronaldo:


– Falamos muito sobre a família, a vida, sobre bons e maus momentos. E por falar em maus momentos o Ronaldo não vive um grande momento físico. Ele sabe disso. E é importante ele reconhecer. Mas o importante é que ele me pareceu muito bem.


Tem mais. Do locutor, em diferentes trechos da abertura da transmissão, ontem:


– Os jogadores usam ‘presidente’ para reverenciar o Ronaldo. Que seja o dia do Ronaldo… Que você possa voltar a ser o Ronaldo Fenômeno!


Na edição, uma charge de exaltação e o verso ‘se o Brasil me amar, eu vou melhorar’. Também um clipe de Marcelo D2, que ultimamente faz de tudo, com o verso ‘eu já provei que eu sou Ronaldo’.


Para contraponto, logo depois da partida, a manchete de Copa no site Folha Online:


– Com o pior ataque em 16 anos, seleção se classifica.


De um comentarista da SporTV, Telmo Zanini, que é da Globo mas não repete tudo o que o narrador sai falando:


– O Ronaldo teve todas as chances, deve ficar na reserva.


Ao que acrescentou o outro comentarista, Paulo Cesar Vasconcelos, ‘esgotou, Robinho no lugar de Ronaldo’.


Mas foi José Trajano, da quixotesca ESPN Brasil, quem deu voz ao temor no ar.


Levantou a imagem de que, mantido à força na seleção, Ronaldo vai bater recordes no jogo com o destroçado Japão. Mas o Brasil, este pode pagar pelos recordes no mata-mata.


RONALDO E A NIKE


Saiu no brasileiro Blue Bus e, antes, no Media Guardian, portal de mídia do britânico ‘The Guardian’. Até ontem a Nike estava em dúvida se mostraria, pós-jogo da seleção, para o mundo inteiro, o comercial da série ‘Joga Bonito’ todo dedicado a Ronaldo. O motivo da dúvida, ‘segundo fontes da indústria’, é o ‘desempenho pobre’ do jogador. No comercial, uma arrancada de ‘The Phenomenon’ é apresentada com cenas de sua carreira. Ao fundo, o som do ‘r’, na voz de vários locutores, é editado para lembrar o barulho de um Fórmula 1 acelerando, até chegar ao gol. No que foi possível assistir, o comercial não foi ao ar.


CHACINA…


Xico Sá, no blog Nomínimo:


– Por mais que existam provas de execução de inocentes pela polícia no suposto combate ao PCC, por mais que Saulo de Castro Abreu tenha superado a chacina dos 111 de Luiz Fleury, por mais que sua cabeça tenha sido pedida inclusive por aliados do PFL, o secretário foi mantido.


Para o blogueiro, ‘o supersecretário era e continua a ser o homem-forte dos dois mandatos de Geraldo Alckmin’.


… EM LARGA ESCALA


Richard Lapper, editor de América Latina do ‘Financial Times’, sob o título ‘Massacre de rotina em São Paulo’:


– A cada semana desde a onda de violência, crescem os números dos que foram mortos. As autoridades médicas agora dizem que foram 492. A maior categoria [dos mortos] cobre eventos citados como ‘resistência a prisão seguida de morte’, ou seja, pessoas mortas pela polícia. Isso é massacre em larga escala.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


SBT faz as pazes com dona de ‘Big Brother’


‘O SBT conclui nesta semana a aquisição dos direitos do formato do ‘game show’ ‘Deal or No Deal’ (literalmente, ‘Trato ou Não-Trato’), da Endemol Globo, empresa formada pela gigante Endemol, detentora de ‘Big Brother’, e pela TV Globo.


O programa, que pode ser resumido como uma disputa em torno de 26 malas de dinheiro (nada a ver com recentes acontecimentos na política brasileira), será apresentado por Silvio Santos. Pode entrar no ar já em agosto, após o final de ‘Ídolos’.


A compra de ‘Deal or No Deal’ -já exibido em 48 países, atualmente o 17º programa mais visto nos EUA- marca a reconciliação do SBT com a Endemol Globo. As duas empresas travam batalha judicial desde 2001, quando o SBT, após negociar a compra de ‘Big Brother’, lançou ‘Casa dos Artistas’, que a Endemol diz ser plágio de seu formato mais famoso.


O SBT e a Endemol Globo, no entanto, negam que tenham feito um acordo encerrando a disputa nos tribunais.


Em ‘Deal or No Deal’, o participante principal escolhe uma das 26 malas disponíveis. As demais vão sendo abertas uma a uma, e o apresentador tenta negociar sua compra com o jogador. Numa delas, haverá um prêmio de R$ 1 milhão.


‘O programa é líder de audiência em todos os lugares em que passa’, diz Carla Affonso, diretora da Endemol Globo. A TV Globo abriu mão da preferência pelo formato.


CAUSO DO ANO 1


A concorrência da Record não engoliu a história, divulgada oficialmente na semana passada, de que a terceira edição de ‘O Aprendiz’ (que terá só 16 episódios) dará uma receita líquida de R$ 58 milhões.


CAUSO DO ANO 2


Walter Zagari, superintendente comercial da Record, sustenta o dado. Segundo o executivo, entre cotas de patrocínio (R$ 62,5 mi), merchandising (R$ 24 mi) e comerciais avulsos (R$ 4,5 mi), ‘O Aprendiz 3’ terá um faturamento bruto de R$ 91 milhões.


CAUSO DO ANO 3


O problema é que esses valores são superiores aos cobrados pela Globo. Cada ‘Big Brother Brasil’, que fica quase três meses no ar, não vende mais do que R$ 50 milhões -brutos.


BOLÃO DA GLOBO


O início da Copa turbinou a promoção ‘Seleção do Faustão’, caça-níquel da Globo. Desde o dia 10, os telefonemas (a R$ 4 cada) superam 1 milhão por dia. Desde abril, já são mais de 20 milhões de ligações acumuladas. A meta é 40 milhões.


MEXICANO MÁGICO


Os fãs de ‘Chaves’ estão ignorando o Mundial. O seriado amuleto do SBT tem dado médias de 14 pontos mesmo concorrendo com os jogos das 13h. Fica colado, e até empatado, com a Globo no Ibope.


PARADA GLBT


A Fox chegou a negociar com a Band uma versão brasileira de ‘The Simple Life’ (o ‘reality show’ de Paris Hilton) com um ‘casal’ gay. Mas já sepultou a idéia. Afinal, o formato foi vendido para a Record.’


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O Globo


Segunda-feira, 19 de junho de 2006


MEMÓRIA / BUSSUNDA
Daniel Engelbrecht, Flávia Monteiro e Simone Mousse


Uma Copa para Bussunda


‘O corpo de Bussunda, fã incondicional de futebol, saiu ontem do ginásio do Clube de Regatas Flamengo, onde foi velado, praticamente na mesma hora em que o atacante Adriano marcava o primeiro gol da seleção brasileira contra a Austrália. Diante do choro de parentes e amigos do humorista, o caixão foi coberto com as bandeiras do Flamengo, sua paixão, e do Tabajara Futebol Clube, time fictício criado no programa ‘Casseta & Planeta, urgente!’. O tetracampeão Branco, representando a CBF, veio da Alemanha especialmente para o velório do humorista.


– Temos que encarar isso como um incentivo a mais: oferecer esta Copa do Mundo ao Bussunda, que sempre adorou futebol. Se Deus quiser vamos ganhar o hexacampeonato para dedicá-lo a ele – disse Branco.


O enterro, no Cemitério São João Batista, foi acompanhado por cerca de 150 pessoas. No momento do enterro, amigos e parentes emocionados despediram-se de Bussunda com uma salva de palmas. Muito abaladas, a mulher, Angélica, e a filha, Júlia, não quiseram dar entrevistas, assim como o irmão de Bussunda, Sérgio Besserman. O velório foi aberto aos fãs, e cerca de 300 deles passaram pelo clube para se despedir do humorista. O casseta Hélio de la Peña fez questão de ficar perto da fila e cumprimentar com abraços e apertos de mãos cada fã que passava.


O corpo chegou de manhã cedo ao Rio, vindo da Alemanha, mas só chegou ao Flamengo às 12h. Os seis integrantes do ‘Casseta & Planeta, urgente!’, Maria Paula e o diretor do programa, José Lavigne, chegaram ao velório antes das 10h. Parecendo transtornados e muito emocionados, ficaram juntos, de mãos dadas.


– Bussunda era um cara tão feliz, radiante, estava num momento máximo de felicidade, era um moleque brincalhão. Ele estava jogando futebol como sempre fazia, sentiu uma tontura, um enjôo, mas todos achamos que ia passar logo. Como poderíamos imaginar o lado negro por trás daquilo? – disse Hélio de la Peña. – Eu fui acolhido pela família do Bussunda, comi muito bife feito por ele.


Flamengo fará homenagem


Lavigne lembrou um dos momentos que teve com Bussunda na Copa da Alemanha:


– Ele era nosso líder espiritual, nosso ponto de equilíbrio. Uma frase que ele me disse há alguns dias não me sai da cabeça: ‘Estou preocupado porque ainda não disse à minha mulher que estou com saudade dela’.


Cláudio Manoel contou como foram os últimos momentos do amigo:


– Ele estava jogando o futebolzinho, estava animado, falando coisas do tipo: ‘Oba, vamos bater uma bolinha!’. Deu até uns dois dribles na gente.


Maria Paula não parou de chorar um minuto sequer. Abaladíssima, mal conseguiu dar entrevistas:


– Todos os brasileiros estão vivendo esta tristeza. O que posso garantir é que Bussunda se divertiu muito nesta vida, e me divertiu também. O cara era da pesada em todos os sentidos. Era alegre e carinhoso, vai fazer falta demais.


Famosos como os apresentadores Luciano Huck e Angélica, o cantor Gabriel, o Pensador, a atriz Regina Casé, o novelista Manoel Carlos e a coreógrafa Débora Colker passaram pelo velório para confortar a família de Bussunda. O grupo Barão Vermelho, o cantor Jorge Benjor e o apresentador Faustão mandaram coroas de flores. Angélica, que há pouco tempo entrevistou Bussunda para seu programa, ‘Estrelas’, disse que estava em choque:


– Eu ainda não consegui acreditar nisso que aconteceu. Eu me lembro daquele humor carioca sincero do Bussunda… A família Casseta & Planeta tem que continuar dando alegria pra gente – disse ela.


O Flamengo planeja uma homenagem ao humorista, que deve acontecer na final da Copa do Brasil, contra o Vasco, após a Copa do Mundo. O diretor de futebol do clube, Marcos Braz, disse que Bussunda era uma figura simples e tranqüila:


– Ele tinha as características do carioca: uma pessoa que trabalha sério e mantém a irreverência. Se Deus quiser vai ser campeão com a gente.


O corpo de Bussunda chegou num vôo da Varig às 8h12m no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. Dois carros fúnebres com caixões de tamanhos diferentes aguardavam no Terminal de Cargas da Infraero. A troca do corpo do caixão que veio da Alemanha por um outro foi necessária porque as urnas na Europa são maiores do que as sepulturas brasileiras.


Muito abatido, o sogro de Bussunda, Clébio Dias de Souza, disse que a morte do humorista foi uma fatalidade e relembrou com lágrimas nos olhos o dia em que foi apresentado a ele pela filha Angélica.


– Eles eram amigos, viraram namorados e casaram-se em setembro de 1989, quando ele era redator do programa TV Pirata. O Bussunda sempre foi um homem simpático, educado e muito fino, além de ser um ótimo pai. Ele estava feliz na Alemanha, adorava futebol e não podia morrer – disse.’


***


No velório, a despedida dos fãs


‘Fãs de todo o Rio, alguns anônimos e outros nem tanto, compareceram ao velório de Bussunda no Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea, com camisas da seleção brasileira, do Flamengo e do Tabajara Futebol Clube. Entre os fãs, a ambulante Maria Aparecida Eugênia, de 69 anos, que costumava servir café para Bussunda na sua barraca, em frente à Delegacia Anti-Seqüestro, no Leblon. Tia Cida, como era chamada pelo humorista, veio de Belford Roxo para a última homenagem:


– Igual a ele nunca mais teremos outro. Ele era o meu cliente mais alegre. Um dia sim, outro não, ele parava para tomar um cafezinho, sempre de manhã, entre 8h30m e 9h.


Convívio ainda mais estreito com Bussunda tinha o anão Manoel Pimenta, de 55 anos, que interpreta o personagem Ruinzinho Gaúcho, do Tabajara Futebol Clube, num dos quadros do ‘Casseta e Planeta, urgente!’. Apesar de contracenar com o humorista no quadro há quase seis anos, Pimenta ficou junto dos fãs, do lado de fora do clube, até o velório ser aberto ao público, às 12h30m:


– É muito difícil saber que ele partiu. Para mim é uma grande perda. Bussunda vai permanecer no coração dos amigos e dos fãs – disse.


Altair Domiciano, o Zé das Medalhas, também enfrentou a fila para dar adeus ao humorista. Ele contou que costumava atender a Helio de la Peña e Bussunda na farmácia onde trabalha há 40 anos, no Leme.


– É uma tristeza que apagou a alegria de comemorar a vitória da seleção – disse ele.’


INTERNET
Carlos Alberto Teixeira


Intel research day


‘No início deste mês, a Intel abriu suas instalações de pesquisa em Santa Clara, na Califórnia, para jornalistas do mundo inteiro. Foi a quarta edição do Intel Research Day. Como lá pudemos ver, o foco dos estudos da companhia está nitidamente direcionado para oferecer soluções de TI mais seguras, móveis e energeticamente econômicas. No entanto, mesmo sendo ainda incontestável líder no mercado, a Intel vem sofrendo crescente pressão da concorrência e se vê na necessidade urgente de rapidamente introduzir no mercado inovações marcantes, de modo a pegar mais distância de seus concorrentes mais ameaçadores, leia-se AMD.


Foram exibidos mais de 30 projetos de laboratórios da Intel espalhados pelo planeta. As pesquisas mostradas concentram-se em quatro áreas principais. A primeira delas é a de computação em tera-escala, ou seja, pesquisas para desenvolver plataformas computacionais que permitam aos consumidores manipular facilmente terabytes de dados com capacidade de teraflops de processamento (1 teraflop = 1 trilhão de operações de ponto flutuante por segundo), permitindo experiências de computação pessoal muito mais intensas do que as atuais.


Esta área de estudos tem abrangência mundial na Intel e envolve centenas de pesquisadores conduzindo mais de 80 projetos. O programa inclui o desenvolvimento de tecnologias de silício com o objetivo de produzir plataformas computacionais usando processadores com dezenas ou até centenas de núcleos energeticamente eficientes, tudo isso ainda antes de 2020. Alguns dos projetos nesta área incluem memória transacional, ray-tracing em tempo real, web-sumarização e armazenamento otimizado de imagens.


A segunda área de estudos é a de tecnologias futuras para comunicação sem fio, permitindo ao usuário comunicar-se com facilidade e acessar qualquer conteúdo, não importando quando nem onde. Os projetos contemplam antenas reconfiguráveis, reconhecimento de atividades físicas e o incrível WISP (Wireless Identification and Sensing Platform), que é o protótipo de uma plataforma sem fio que obtém sua energia a partir das ondas de rádio, ou seja, sem baterias, e que sugere possibilidades de sensoriamento e computação perpétuas.


A terceira vertente atual de estudos da Intel é a de inovações centradas em pessoas, um ramo de pesquisa pura visando à prospecção de mercados ainda inexistentes através do desenvolvimento de produtos que atendam a necessidades reais de pessoas, não importando em que parte do mundo nem de que maneira elas vivam. Vale lembrar que pesquisa pura é aquela em que se investe mesmo sem se ter a mínima idéia da aplicação prática que será dada aos resultados obtidos. Neste filão antropocêntrico de estudos, assume importância capital a abordagem etnográfica, ou seja, o posicionamento do ser humano no centro do desenho dos projetos, levando em conta seu ambiente físico, seus costumes e suas situações econômica e social. Estudos assim funcionam para a Intel como formas de sondar realidades com vistas à regionalização no design de novos produtos com características locais, com relação a uma comunidade ou uma realidade antropológica específica. Neste setor, alguns dos projetos em andamento são o estudo das ruas como ambientes vivos; práticas de uso de PCs em economias emergentes; pesquisa pura sobre televisão e hábitos televisivos; PC comunitário e mobilidade estendida.


No quarto filão de pesquisas, a Intel concentra esforços nas tecnologias da empresa do futuro, com ênfase na minimização do consumo de energia através da nova arquitetura EESA (Energy-Efficient System Architecture). Outros projetos são o estudo de equipes globais virtuais colaborativas; firewalls adaptáveis; gerenciamento térmico de data centers; inferência distribuída para detecção de anomalias em redes (leia-se fofoca digital automatizada online anti-worms) e o notável Diamond, um sistema inteligente de busca em nível terabyte, varrendo conjuntos não-indexados de dados complexos, tais como coleções de fotos, imagens de satélite, arquivos de áudio e imagens médicas.


Links, fotos e mais detalhes em http://catalisando.com/in foetc/20060619.htm .’


VENEZUELA
O Globo


Jornalista é morto a tiros em Caracas


‘CARACAS. O jornalista José Joaquín Tovar, diretor do semanário venezuelano ‘Ahora’, foi morto ontem a tiros em Caracas. A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) levantou a possibilidade de o assassinato ter relação com as críticas de Tovar tanto ao governo do presidente Hugo Chávez quanto à oposição. Mas, segundo o Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais da Venezuela, o crime pode ter sido motivado por vingança devido a um suposto golpe que o jornalista teria aplicado.


Tovar, de 53 anos, levou 11 tiros em frente à Fundação Universidade Nacional Republicana, que ele presidia. Ele era membro também de uma ONG voltada para a construção de moradias populares. A polícia interrogou 15 pessoas que dizem ter entregado a Tovar o equivalente a US$ 4.651, cada uma, para a compra de suas casas, o que ele não teria feito, nem devolvido o dinheiro.


A RSF pediu às autoridades venezuelanas que esclareçam o caso e lembrou que dois jornalistas foram mortos no país desde o início do ano.’


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