Thursday, 13 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1291

Daniel Castro


‘Para paulistano, Globo é erótica, e SBT, fútil’, copyright Folha de S. Paulo, 28/9/05


‘O pior da Globo é sua ‘programação erotizada’, suas ‘novelas pornográficas’. O SBT peca pela grade ‘fútil, de baixo nível, pouco instrutiva’. Na Record, sobram programas religiosos e, assim como na Band, há muita violência.


Esse é o retrato do que há de pior na TV brasileira de acordo com pesquisa do Instituto Datafolha, feita para a TV Cultura, e que ouviu em julho 1.202 pessoas na Grande São Paulo. A margem de erro é de 2,8 pontos.


O jornalismo é o principal critério de avaliação do telespectador. É o que há de melhor na Band (65%), Globo (55%) e Record (48%). Na média das emissoras, é o item mais citado (41%) em respostas múltiplas e espontâneas.


No SBT, que só em agosto estreou um telejornal em horário nobre, as novelas (também criticadas por serem mexicanas) são consideradas o principal produto (44%), seguida de programas de auditório (31%). O jornalismo (14%) perde até para filmes (22%). As novelas da Globo são o segundo melhor programa da rede (45%); depois vêm filmes (18%) e esportes (15%).


A Globo é o melhor canal de TV, com 56% de preferência. Em seguida, aparece a Cultura (15%), empatada com o SBT (13%), a Record (7%) e a Band (3%). As demais emissoras tiveram 1%.


Numa escala de avaliação que considera péssimo como um ponto e ótimo como cinco, a Globo teve ‘nota’ 4,14.


OUTRO CANAL


Première 1 Os dois primeiros episódios da minissérie ‘Roma’, da HBO, um dos programas mais caros da TV mundial em todos os tempos (US$ 100 milhões), vão passar antes na Net.


Première 2 A operadora, numa ação de marketing inédita no Brasil, exibirá os capítulos neste sábado, a partir das 20h (com reprises até as 6h) em 14 cidades, em seu canal 37, para todos os assinantes. No canal HBO, ‘Roma’ só estréia no próximo dia 8.


Grinalda 1 O SBT grava nesta sexta um piloto do ‘reality show’ ‘Casamento à Moda Antiga’, mas o programa ainda não tem data de estréia. É possível até que fique para o início de 2006.


Grinalda 2 A partir do dia 9, aos domingos (após o ‘Domingo Legal’, faixa reservada para ‘Casamento’), o SBT programa ‘arrasa-quarteirões’ como ‘Onze Homens e Um Segredo’, o primeiro ‘O Senhor dos Anéis’, o segundo ‘Harry Potter’ e ‘Pearl Harbor’, entre outros. Te cuida, ‘Fantástico’.


Teste A Universidade Mackenzie, que há uma semana faz transmissões-teste de TV digital em São Paulo, não irá reavaliar os padrões americano, japonês e europeu. Os testes estão sendo feitos com um padrão de modulação brasileiro, embora inspirado no japonês, desenvolvido pela Mackenzie, o DMMB-T. Mas isso não quer dizer que o governo vá adotá-lo.’


 


MONK


Bruno Lima


‘Temporada de ‘Monk’ começa com pé direito’, copyright Folha de S. Paulo, 28/9/05


‘O cheiro do cocô de um cachorro, insetos mortos no vidro de um carro e a pulsação da jugular de um suspeito preso são pistas que ajudam um outro detetive particular a desbancar o protagonista da série ‘Monk’, desvendando um crime bem antes dele.


No episódio de estréia da quarta temporada (Universal Channel, hoje, às 23h), o obsessivo-compulsivo detetive Adrian Monk (Tony Shalhoub), até então comparável somente a Sherlock Holmes, entra em crise ao perceber que não tem como vencer o rival -um certo detetive Marty Eels.


Surpreendentemente melhor do que Monk, Eels ganha fama ao utilizar métodos ainda menos ortodoxos do que os habitualmente empregados na série. Cheio de si (e sem as manias e os nojos habituais do protagonista), o rival descobre com facilidade o que aconteceu com o gerente de uma joalheria e leva o capitão de polícia Leland Stottlemeyer (Ted Levine) a dispensar os serviços de Monk.


Aceitar a derrota de Monk, no entanto, é uma difícil tarefa. E isso não ocorre só porque quem assiste à série sabe que ele é o melhor em sua categoria mas também, e principalmente, porque o ‘outro’ detetive é interpretado por Jason Alexander, o George Constanza, de ‘Seinfeld’.


A simples presença de Alexander (e, inevitavelmente, de George) é o maior indício de que há algo de muito estranho no ar.


A temporada começa com pé direito, logo depois de Shalhoub conquistar seu segundo Prêmio Emmy como melhor ator em série de comédia. A outra premiação foi em 2003. A série também já recebeu o Globo de Ouro (2003) e o Screen Actors Guild Awards (2004 e 2005).


Por mais que a fórmula dos episódios se repita, é um prazer quase doentio ver Adrian Monk, o detetive que tem pavor do escuro, mas também de coisas mais inusitadas como leite e chicletes. E ele sofre para revelar cada mistério. E isso é feito, claro, com a ajuda da assistente, Natalie Teeger (Traylor Howard), e de vários lencinhos para limpar as mãos.’


 


BANG BANG


Carol Knoploch


‘‘Bang Bang’ reage a patrulhas’, copyright O Estado de S. Paulo, 27/9/05


‘Autor de Bang Bang, novela das 7 que estréia segunda-feira na Globo, Mário Prata tranqüiliza a patrulha de plantão quanto à questão do desarmamento em temporada de referendo. ‘Vou pregar o desarmamento moral, além do desarmamento de fato. Em Albuquerque (cidade fictícia da trama) não é permitido o uso de armas’, explica Prata. ‘Não é só tirar as armas de circulação. É preciso tirar o ódio do coração das pessoas. O mocinho que quer vingança vai se apaixonar pela filha do rival e não conseguirá matá-lo. Temos de desarmar a realidade e não a ficção’, completa.


Para Bruno Garcia, essa coincidência veio a calhar. ‘A novela é comédia e irá ao ar às 19 horas. Não tem como fazer apologia à violência’, opina o mocinho do folhetim. Ele aprendeu a atirar com festim. ‘Moro no Rio e já fui assaltado duas vezes com arma na cabeça. Não posso ser contra o desarmamento.’


Mauro Mendonça, que será o maior vilão da trama – pior do que Justino, em Cabocla -, disse que não tem opinião formada sobre a questão. ‘Nunca usei uma arma nem quero. Mas esse tipo de patrulha não leva a nada. Que a patrulha vá para aquele lugar.’ Paulo Miklos, outro bandido da história, se diz preocupado. ‘Sou a favor do desarmamento e, como estarei armado na tela, quero fazer uma campanha a favor do referendo.’


Para Guilherme Fontes, o corrupto do enredo, é bobagem achar que a trama pode incentivar a violência. ‘Vivemos em uma terra de ninguém e aí querem falar que a novela tem culpa? O problema é bem mais complexo que proibir a venda de armas. A população tem de se sentir segura e isso não acontece’, fala. ‘Bang bang que não mata 10 por semana não tem graça. E isso não vai acontecer na novela, senão acaba o elenco’, conclui Fontes.’


 


HOLLYWOOD INC.


Lúcia Valentim Rodrigues


‘Série disseca os bastidores de Hollywood’, copyright Folha de S. Paulo, 27/9/05


‘Hollywood senta no divã. ‘Hollywood Inc.’ coloca em terapia de grupo, para falar sobre a própria indústria, os personagens principais da ‘cidade do cinema’, em que fracassos e sucessos podem estar separados por um simples encontro ou telefonema.


Em linguagem de making of e com um pot-pourri de depoimentos de atores e diretores coletados em lançamentos de filmes, a série tenta explicar por que o público pode querer (ou não) ver cada estréia. Ou, como os próprios produtores definem: ‘Seis de cada dez filmes vão ser fracassos de bilheteria, um empatará, dois irão bem e um será ótimo, fazendo o estúdio sobreviver outro ano’.


No primeiro episódio, de um total de três, a figura do produtor, quase sempre ignorada pelo grande público, é jogada para a frente dos holofotes. São eles que escolhem um pequeno punhado de histórias entre as centenas de propostas ouvidas e lidas para filmar. ‘Hollywood é imprevisível’, afirma Peter Gruber, produtor de ‘Batman’. ‘E é tudo sobre dinheiro, é uma empreitada comercial. Se não pensar assim, é melhor a pessoa virar poeta.’


É engraçado ver as justificativas de estrondosos fracassos, como ‘Fim dos Dias’, com Arnold Schwarzenegger, contrapostas aos problemas, às vezes até maiores, de sucessos de bilheteria -como ‘As Panteras’, que teve ‘17 mil roteiristas’ (18 na verdade), nas palavras de um deles, e brigas intermináveis entre os astros do filme e o diretor e os produtores; ou ‘Shrek’, cuja história foi descoberta por duas crianças.


O programa tem seqüência falando sobre filmagens e termina na sexta-feira retratando a batalha entre os blockbusters.


‘Hollywood Inc.’ tenta dar conta da caixinha de surpresas que define a maior e a pior bilheteria do ano. É da impossibilidade de explicar esse mercado que provém o melhor desta série.


Hollywood Inc.


Quando: primeiro episódio hoje, às 12h30; segundo será exibido hoje, às 21h; e o terceiro, na sex., às 21h, no GNT’


 


MADAME LEE


Amélia Gonzales


‘‘Talk-show’ de verdade que foge a qualquer regra e nem sempre é bom’, copyright O Globo, 27/9/05


‘Não foi um mau programa. Não foi um bom programa. Foi um mau programa e foi um bom programa. A estréia de ‘Madame Lee’ domingo à noite, no canal por assinatura GNT, merece o benefício da dúvida. Afinal Rita Lee e Roberto de Carvalho não são, eles também, dois seres sempre em movimento?


O início foi chato, deu até vontade de mudar de canal. Não se entendia muito o que estava acontecendo. Rita botou chapéu de noviça rebelde, cantou ‘Do ré mi’, fez homenagem a Julie Andrews com a imagem da atriz num telão, ouviu mensagens numa secretária eletrônica e fumou, andou de um lado para o outro. Carvalho tentava acalmá-la e, a essa altura, o público se perguntava o que estava fazendo assistindo a tanta bobagem.


E entra Fernanda Torres. Será que ela está encenando? Até perceber que ela mesma não sabia bem, o telespectador já tinha sido seduzido pelo papo realmente solto, como todos os talk-shows pretendem ser. E percebeu que, se ainda não tinha mudado de canal, é porque estava bom.


Rita e Carvalho deixam o convidado falar


Fernandinha ajudou, claro. Pronto: já está todo mundo pensando que, com uma atriz desse naipe, qualquer um faz bom programa de conversa. Mas não é, não. Tem que ter a tranqüilidade (Ôps! o episódio falava sobre ansiedade…) para deixar o outro falar e atuar sem medo que o convidado vire a atração principal. Sim, porque em vários momentos foi o que aconteceu de verdade. E por que não deixar, se é interessante para o público?


Fernanda entrevista Rita:


— Tem um médico que diz uma coisa que eu adoro: a sociedade que tira a tristeza (com antidepressivos) está fadada ao extermínio.


Rita comenta:


— Estar em crise é bom. Nirvana só depois da morte.


Fernanda mostra sua performance como adepta da prática de ioga. Faz uma posição ingrata, de cabeça para baixo. Vira-se de costas para a câmera e explica:


— Não dá para ficar de cara porque a gente fica feia.


Fernanda toca piano com os dois, descobre que eles não conheciam músicas de Bob Marley, tieta. De vez em quando lembra-se que estava no programa e se conserta ao chamar Rita de Rita:


— É Madame Lee, né? — ri.


Lá fora, um personagem que não disse a que veio esperava um horário com Madame. Não importa, fez parte. No final, quando Fernandinha se despediu, Carvalho conversou:


— Já pensou como deve ser o almoço de domingo dessa família (Torres e Waddington) ?


É ou não é uma conversa com o público?


E quando a gente já tinha achado que o programa agradou, Carvalho pega Rita no colo e os dois imitam bebê. Cena horrível, não precisava. Isso é ‘Madame Lee’.’


 


CRISE NO FUTEBOL


Eduardo Ohata


‘Globo teme efeito negativo no pay-per-view’, copyright Folha de S. Paulo, 27/9/05


‘A Globo já trabalha com eventuais prejuízos causados pelo escândalo envolvendo o árbitro Edilson Pereira de Carvalho. O setor que causa mais preocupação é o pay-per-view. O temor de executivos da companhia é que consumidores cancelem suas assinaturas e que as vendas do Brasileiro-2006, com início previsto para outubro, seja afetada negativamente, segundo a Folha apurou.


Entre outras preocupações estão a possibilidade de o Brasileiro-2005 não terminar e a indefinição do número de equipes que jogarão a próxima edição do Nacional, o que afetaria todas as áreas, e não somente o pay-per-view.


O escândalo da arbitragem e o potencial de repercussões negativas sobre o pay-per-view do Campeonato Brasileiro foi classificado de ‘muito ruim’ por um executivo da empresa. Segundo sua teoria, o consumidor pode ficar em dúvida na hora de comprar o pacote da competição, principalmente o torcedor que usa a tabela na hora de tomar sua decisão.


O argumento é que com a indefinição em torno da validade ou não dos resultados de algumas partidas, o torcedor ficaria em dúvida sobre qual a real colocação de sua equipe na classificação, o que afeta a motivação do consumidor em comprar o produto.


Outro fator que gera instabilidade é a insegurança quanto a detalhes técnicos do Brasileiro-06.


Caso uma manobra política, oriunda do escândalo da arbitragem, promova a manutenção de mais times do que os previstos para o Brasileiro de 2006 -20 clubes-, haverá despesas adicionais, que ocupariam a casa dos milhões, para a Globo.


A inclusão de dois jogos significaria a disputa de mais 90 partidas a mais, o que produziria um custo adicional de R$ 3,6 milhões ao que fora originalmente planejado.


O mesmo funcionário da Globo crê que o problema pode se tornar ainda maior caso o escândalo respingue na Série B, também transmitida por pay-per-view. Argumenta que a segunda divisão não comportaria a simples inclusão de mais uma rodada, por conta da forma de disputa, classificatória, e não por pontos corridos, que exigiria mudanças mais profundas.’