Saturday, 22 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Elizabete Antunes

‘Silêncio total num estúdio de gravação? Ainda por cima sendo o set de ‘A grande família’? Pode parecer estranho, mas o elenco do seriado das quintas-feiras da Rede Globo costuma, antes de enfrentar as câmeras, reunir-se e discutir o texto, a marcação de cena com a direção. Enquanto isso, maquiadores e técnicos continuam seu trabalho. Mas o sossego não demora a ser quebrado com uma brincadeira. Afinal, como diz a matriarca Marieta Severo, a dona Nenê, a família é ruidosa. Mas antenada. Na sala de estar do Projac, não perdem um depoimento da CPI, diz Guta Stresser (Bebel). Os autores também não. Por isso, levaram ao ar no último dia 1 ‘A grande quadrilha’, episódio em que Beiçola (Marcos Oliveira) usa os seus pastéis para vencer a eleição na associação dos moradores do bairro. Indignado, Lineu (Marco Nanini) instala a ‘CPI do Pastelão’. Misturar fatos reais com humor parece ser uma das receitas de sucesso da série, que de agosto a setembro marcou a média de 39 pontos com 58% de participação.


Pedro Cardoso, que no episódio ‘Nunca fui santo’ devolveu uma mala com US$ 20 mil a um turista distraído, comemora o fato de ‘A grande família’ cravar 42 pontos de média, como aconteceu dia 8 deste mês, data de exibição deste programa.


– A TV tem a vocação de ser um veículo muito ligado à realidade também. E o seriado é extremamente eficiente no sentido de contar histórias com essa – diz. – A da ‘CPI do Pastelão’, então, eu adorei. Falamos sobre o teatro do poder. Todo político tem um comportamento farsesco diante dos refletores.


Quem também aprova as histórias com um link no dia-a-dia do país e da cidade é Marcos Oliveira. O intérprete de Beiçola compara o programa a uma válvula de escape, onde é possível ‘rir da incompetência do país’:


– Quando gravamos cenas assim, com temas que estão nas páginas dos jornais, usamos um ingrediente a mais dentro da nossa comédia. E isso é muito bom. A gente faz um deboche desses corruptos e corruptíveis de Brasília. E de uma forma inteligente, sem a piadinha boba.


Marieta Severo diz que não há fórmula. E todos concordam. Para ela, ‘o frescor das histórias’ mantém a atração no ar desde 2001.


– Os redatores nos surpreendem a cada ano, eles nos alimetam. O bolo continua crescendo – derrete-se a atriz.


Não é o primeiro ano em que a trupe do redator-final Cláudio Paiva aborda temas cotidianos. Em 2002, ‘Tá dominado’ lembrou o dia em que o Rio parou porque os traficantes teriam ordenado que o comércio fechasse as portas. Recentemente, a novela ‘América’ ganhou uma paródia em ‘Bye-bye Bebel’.


– Fizemos uma também de ‘Mulheres apaixonadas’. A novela do Manoel Carlos estava no auge. Foi um grande programa. Até o autor nos parabenizou – orgulha-se Cláudio Paiva, que já pôs Tuco (Lúcio Mauro Filho) como um participante do ‘Big Brother Brasil’. – Desta maneira deixamos os atores mais próximos do público, os tornamos mais reais. Mas é bom frisar que o mais importante é ter uma boa história, sendo ela mais realista ou não.


Marco Nanini também gosta dessa mistura no caldeirão de ‘A grande família’.


– Essas referências à atualidade dão um charme a mais. O programa é um fenômeno de empatia com o público – diz o ator, que garante não estar cansado do Lineu. – O nosso trabalho não é burocrático. Não gravamos e pronto. Discutimos o que vai ser levado ao ar. É um projeto prazeroso feito em equipe.


Equipe essa que não perde uma boa piada. Durante um intervalo, Pedro Cardoso brinca dizendo a Guta que não quer mais beijá-la. ‘Já estou há cinco anos com a Bebel. Quero namorar outras atrizes’. Ela ri e entra no clima:


– É mesmo, a Bebel tinha 25. Agora já está com 30!!


Lúcio Mauro Filho (Tuco) também tem sempre uma piada na ponta da língua:


– Mas a Marieta dorme no formol. Todo mundo aqui envelheceu, menos ela.


Guta cutuca Lúcio Mauro:


– E o Tuco? Nunca vai sair da barra da saia da Nenê. Ela é a típica mãe brasileira: não cria o filho para o mundo.


Desta vez é Andréa Beltrão (Marilda) quem entra na roda. Numa gravação, o diretor Maurício Farias, com quem é casada, avisa que ela estará fora do enquadramento.


– E o que eu faço? Fico aqui em pé? – pergunta ela.


– Se ajeita aí num canto do cenário – brinca ele.


À frente do seriado desde 2002, Maurício Farias pontua que ‘A grande família’ acaba sempre sendo uma crítica bem-humorada à sociedade.


– Quando o Agostinho não tem dinheiro para comprar uma geladeira, é o brasileiro sem grana que está sendo mostrado ali. É o nosso país.’




BLISS
Nina Lemos


‘Série mostra que sexo é coisa de mulher’, copyright Folha de S. Paulo, 24/9/05


‘Masturbação, troca de casais, fantasias sexuais e sexo e mais sexo. Esses são o principais assuntos da série ‘Bliss’, que estréia hoje no GNT. Normal, se os episódios não tivessem sido escritos e dirigidos exclusivamente por mulheres. Prova de que o repertório televisivo feminino pode ir muito além do trivial ‘cozinha-filhos-casamento-compras’.


Os episódios não conversam entre si como uma série convencional. Funcionam independentes. O que os liga é o sexo e o desejo. No de estréia, que é exibido nesta madrugada, ‘Louvor à Bebedeira e à Fornicação’, uma mulher de 40 e poucos anos incentiva um casal amigo a praticar, com ela e o marido, troca de casais. No preâmbulo, avisa para eles que é ‘uma anarquista’. No dia seguinte ao suingue, diz que nunca se sentiu tão bem na vida.


As cenas de sexo são -se não explícitas- provocantes, mais do que em qualquer outra série feita para mulheres já exibida por aqui.


O segundo episódio, ‘A Trilha das Rosas’ mostra mais ainda que são, sim, as mulheres que estão no comando da série. E com disposição para provocar. Nele, uma lutadora de judô assusta o namorado por querer praticar sexo violento. O homem, sensível, acha que a mulher é perturbada. Em um dos melhores momentos, a moça convida o sujeito para uma caminhada com o objetivo de fazer sexo ao ar livre. ‘Mas eu ainda não guardei as compras’, ele diz, numa divertida troca de papéis.


A direção e a atuação em ‘Bliss’ não tem nada de perfeição hollywoodiana. Pelo contrário. Tanto o desempenho dos atores como o figurino soam mais à caricatura de cinema independente (não os geniais, os toscos). Mas, nesse caso, o que vale é a intenção.


Não é todo dia que vemos na TV um homem respondendo para uma mulher ‘caliente’: ‘Eu não entendo você, não quero fazer sexo, quero fazer amor’. Ainda mais em um canal comportadinho como o GNT.’




LOST
Lorne Manly


‘‘Lost’ busca o equilíbrio entre mitos e suspense’, copyright Folha de S. Paulo, 25/9/05


‘Em ‘Lost’ (série exibida no Brasil pelo canal pago AXN), um grupo de sobreviventes de um acidente aéreo enfrenta uma ilha no Pacífico repleta de mistérios.


Um monstro devorou um piloto. Um urso polar fez estragos no meio da selva. Um paraplégico enigmático voltou a andar. A primeira temporada terminou com duas situações de suspense. Mas o maior quebra-cabeças que os produtores enfrentam no início da segunda temporada, na semana passada nos EUA, deve ser o de como evitar o repúdio do público, que fez do programa um dos dramas de maior sucesso da rede ABC em mais de dez anos -no Brasil, a nova temporada só chegará no ano que vem.


Os criadores de séries como ‘Lost’, imbuídas de mitologias próprias, enfrentam um dilema -os espectadores anseiam por respostas, mas, se os criadores revelarem demais, existe o risco de o público os abandonar, como aconteceu com ‘Twin Peaks’ no início dos anos 90. Outro risco é o de ir soltando dicas muito pequenas sobre como as peças se encaixam, e a obsessão dos espectadores pode virar frustração, como aconteceu em ‘Arquivo X’.


‘Lost’ não é um drama típico da TV, nem em sua gênese nem em seu elenco ou seu pendor pela ambigüidade. A idéia surgiu em 2003, do então presidente da ABC, Lloyd Braun. Sentado em seu hotel em uma ilha no Havaí, Braun olhava para a praia e pensava em como traduzir o filme ‘Náufrago’, com Tom Hanks, para o formato de seriado. Braun aplicou fórmulas de Hollywood e teve a idéia de um híbrido do filme e o ‘reality show’ ‘Survivor’.


Os primeiros esboços de roteiro não o agradaram, então Braun procurou J.J. Abrams, criador de ‘Alias’, e lhe ofereceu como parceiro o roteirista Damon Lindelof. A aposta era imensa. ‘Não havia nada que não me preocupasse’, diz Braun: desde o custo (mais de US$ 10 milhões -cerca de R$ 22,7 mi- para o episódio piloto, de duas horas) até seu clima sombrio, passando pelo elenco.


Além disso, todos se lembravam do que acontecera com ‘Twin Peaks’: quando o seriado estreou, em 1990, o país inteiro se envolveu no mistério de quem tinha assassinado Laura Palmer. Mesmo assim, pouco mais de um ano depois o seriado tinha desaparecido do mapa. ‘O truque é que você precisa manter todas as bolas no ar ao mesmo tempo, resolvendo algumas histórias ao mesmo tempo em que resolve outras’, comentou Frost. ‘Twin Peaks’ era um seriado em que a mitologia pesava mais do que todo o resto’, diz o produtor Carlton Cuse. O temor de se deixar envolver demais nas complexidades da mitologia do programa impede Cuse de passear pelos sites montados por fãs, como é o caso de Lost-TV (www.lost-tv.com). Lindelof acrescentou: ‘O importante são os personagens. Tudo precisa estar a serviço deles. Eles são o ingrediente secreto’.


Numa manhã deste mês, na Califórnia, Lindelof, 32, e Cuse, 46, visitaram seus colegas roteiristas. Javier Grillo-Marxuach, que faz as vezes de produtor supervisor, pôs os dois a par dos avanços feitos no primeiro esboço do oitavo episódio, cujo tema é o perdão. Num quadro branco, os roteiristas apresentam esboços e mapeiam as cinco partes que compõem cada episódio. Mas eles tentam decidir qual personagem terá direito a um dos marcos da série: o flashback detalhado sobre sua vida anterior à chegada à ilha.


Na discussão, não faltam referências à cultura popular. Para tentar conduzir a técnica e o caminho da narrativa, Lindelof usa referências a filmes tão diversos quanto ‘Pulp Fiction’, ‘A Morte e a Donzela’ e ‘Um Dia de Cão’.


Enquanto isso, Cuse sugere que eles mantenham em mente o conceito bíblico de perdão: ‘Isso terá grande ressonância’. Ele e Lindelof incentivam os roteiristas a simplificar. Decidam o que está acontecendo na ilha, e o foco do flashback ficará claro, dizem. Ambos acreditam na necessidade de um plano de longo prazo para a série, mas eles gostam de desviar-se dos roteiros convencionais.


Os roteiristas tinham previsto, por exemplo, intensificar a hostilidade entre os personagens Michael Dawson (Harold Perrineau) e Jin-Soo Kwon (Daniel Dae Kim), enquanto se desenvolveria o romance entre Michael e a mulher de Jin, Sun (Yunjin Kim). Mas, quando criaram a história passada do casal, na Coréia, investiram na relação do casal. ‘Quando vemos coisas que gostamos, mudamos a história para incluí-las. Somos espectadores com controle sobre a história.’


Uma maneira pela qual eles exercem esse controle é seguir o modelo de fatos científicos que detectam nos livros de Michael Crichton. ‘Podem acontecer coisas fenomenais, mas sempre há explicação científica’, diz Lindelof. Assim, quando o cirurgião Jack Shephard (Matthew Fox) tem visões de seu pai morto, a produção informa ao público que ele está há três dias sem dormir. O fato é que o fantasma o conduz até a água que eles tanto precisam, então talvez não seja alucinação.


Os dois homens admiram Stephen King. ‘A Dança da Morte’ foi um livro que deu subsídios a ‘Lost’, comentou Lindelof. ‘Tematicamente falando, os dois são a mesma coisa, ou seja, a filosofia fundamental de ‘viver juntos, morrer sozinho’.’


O maior desafio para a equipe pode vir do próprio sucesso de ‘Lost’. Diferentemente de J.K. Rowling, que tem o consolo de saber que a série ‘Harry Potter’ vai chegar ao fim no sétimo livro, os produtores de ‘Lost’ não têm esse luxo. Enquanto a audiência continuar boa, a série permanece no ar. As implicações para a narrativa são imensas. ‘Se soubéssemos que a série teria 88 episódios, poderíamos mapear onde cairiam todas as peças da mitologia e poderíamos ir construindo a história até seu final. Mas não sabemos e não podemos saber. Este seriado é um empreendimento financeiro de grande sucesso para a ABC, e o objetivo dela é levar o seriado adiante pelo maior prazo possível’, diz Cuse.


‘Quanto mais tempo você mantém acesso o interesse das pessoas, mais elas se apegam à mitologia da série e mais decepcionadas elas ficarão quando ela terminar, não importa de que maneira’, diz Spotnitz. A resolução das situações emocionais entre os personagens é mais importante do que colocar a última peça de um quebra-cabeças complicado, e Spotnitz está preparando seu novo seriado na ABC, ‘Night Stalker’, com isso em mente.


Lindelof e Cuse ambos endossam a teoria de que o importante na série é a viagem, não o destino. Os criadores de ‘Lost’ sabem, sim, como a série vai terminar. Os sobreviventes não vão descobrir que fazem parte de uma experiência maligna, nem descobrir que estão no purgatório, nem tampouco despertar de um pesadelo. ‘Eles vão sair da ilha’, disse Cuse. Então ele e Lindelof acrescentaram, quase em uníssono: ‘Se for uma ilha, é claro’. [Tradução de Clara Allain]’




EMMY
Bia Abramo


‘Emmy premia séries mais ‘cinematográficas’’, copyright Folha de S. Paulo, 25/9/05


‘A cerimônia do Emmy reproduz, ponto por ponto, a da entrega do Oscar -modelões, piadas, discursos de agradecimento etc. As semelhanças entre as premiações da indústria da TV e do cinema, entretanto, não param por aí. Por artes da chamada convergência das mídias, aquilo que se premia na TV se aproxima cada vez mais do cinema. E, continuando ainda um tantinho, o cinemão é cada vez mais parecido com a TV.


A fatia mais rica e de produção mais esmerada da programação de TV norte-americana -as séries, exibidas em horário nobre- vem rapinando do cinema o ritmo mais acelerado, os efeitos mais espetaculosos, as câmeras mais espertas, mas, sobretudo, uma certa ousadia nos temas e na forma de apresentar a narrativa. De alguns anos para cá, algumas séries tornaram-se mais adultas, mais complicadas e, de certa forma, até melhores do que a média da produção hollywoodiana.


Os maiores destaques do Emmy deste ano, ‘Lost’ e ‘Desperate Housewives’, estão nessa categoria. ‘Lost’, que ganhou o prêmio de melhor drama, emprestou do suspense de filmes tão variados como ‘Alien’ e ‘A Bruxa de Blair’ a atmosfera misteriosa e aterrorizante. Além disso, como o formato seriado permite reviravoltas mais surpreendentes do que aquelas que podem acontecer nas duas horas de um filme no cinema, o desenvolvimento das várias tramas e subtramas de ‘Lost’, na verdade, aproxima-se também da literatura de horror -impossível não pensar nas civilizações perdidas e assustadoras dos contos de H.P. Lovecraft.


No reino da comédia, a aposta é no humor negro. ‘Desperate Housewives’ acabou perdendo o prêmio de melhor série cômica para a convencional ‘Everybody Loves Raymond’, série de enorme sucesso nos EUA (e resposta tímida aqui) já encerrada, mas sua presença maciça nas indicações e a concessão do prêmio de melhor atriz para Felicity Huffman confirmam os acertos do seriado. A vida suburbana de pernas para o ar de Whisteria Lane e suas donas-de-casa destrambelhadas, numa atmosfera que lembra ‘Beleza Roubada’ em cenário inspirado no Tim Burton de ‘Edward Mãos-de-Tesoura’ e quase tangencia a esquisitice de ‘Twin Peaks’, está em território antípoda à celebração familiar da maioria das séries.


Até mesmo a versão cínica de ‘ER’ teve seu quinhão de glória, reforçando a tendência da indústria de estimular as séries menos ‘fáceis’: ‘House’ levou um só prêmio, mas foi justamente o de roteiro para série dramática. O seriado, que tem como protagonista um médico avesso ao contato humano, com hobbies estranhos e emocionalmente retardado, subverte a idéia tradicional (e muito cara à TV) do heroísmo da medicina. Enquanto isso, o cinema americano se infantiliza, reduzindo tudo ao denominador comum do sentimentalismo familiar e da histeria da ação.’




ASTERIX
Deborah Berlinck


‘Asterix está de volta cheio de segredos’, copyright O Globo, 25/9/05


‘Mistério. Para o lançamento mundial, no dia 14 de outubro, do 33 álbum de Asterix – uma das histórias em quadrinhos de maior sucesso no mundo –- só foram desvendadas duas pistas: o desenho da capa e o título ‘Le ciel lui tombe sur la tête’. Mistério que é parte de uma estratégia de marketing extraordinária. A editora Albert René, que tem o francês Albert Uderzo, um dos criadores de Asterix, como seu maior acionista, gastou 500 mil euros na promoção.


Um esforço para perpetuar o mito de um herói francês – Asterix, o gaulês – que há 45 anos diverte o público resistindo aos estrangeiros (os romanos). É um esforço também para Albert Uderzo, aos 78 anos, continuar sua própria história. Na Bélgica, diante de um batalhão de jornalistas do mundo inteiro, ele anunciou que vai continuar criando histórias de Asterix, enquanto agüentar e o público gostar. Mas avisou: Asterix vai acabar com sua morte.


– Decidi que depois de nós ( ele e René Goscinny, com quem criou Asterix nos anos 50, mas que morreu em 1977 ), Asterix não viverá mais sob a forma de história em quadrinhos. Vi o que aconteceu com com outras obras. Não dá certo – disse Uderzo.


Personagem já vendeu mais de 300 milhões de álbuns


Foi na Bélgica, país escolhido por Uderzo para anunciar o novo álbum, que ele e René Goscinny se encontraram nos anos 50 e introduziram Asterix no jornal ‘Piloto’. O primeiro álbum foi lançado em 1961. Hoje, Asterix virou um imperador. Os álbuns são publicados em 107 línguas. Já foram vendidos mais de 300 milhões de exemplares. Só ‘Asterix e Latraviata’, lançado há quatro anos, vendeu 10 milhões.


Para o último álbum, oito milhões de exemplares serão lançados em 27 países no dia 14 de outubro. Só para a versão francesa, livrarias e supermercados já encomendaram 3,2 milhões de cópias.’




ORKUT
Carina Flosi


‘Jovens usam Orkut para organizar rachas’, copyright O Estado de S. Paulo, 25/9/05


‘A certeza da impunidade para praticantes de rachas vai além das ruas. Mais de 100 mil internautas, a maioria paulistas, participam de comunidades do site de relacionamentos Orkut dedicadas ao tema, batizadas com nomes como ‘Racha é crime. E daí?’ Os rachadores disputam os pegas de maneira organizada. Primeiro, acertam o local e a hora do pega pelo Orkut.


Atualmente, o retão mais disputado é o da Avenida Lauro de Gusmão Silveira, em Guarulhos. ‘Quatro pistas livres para acelerar’, divulgam os internautas no Orkut. Os pegas ocorrem mesmo em dias úteis, às 23 horas. Antes, crianças e jovens em bicicletas e motocicletas percorrem o retão de 1,5 quilômetro para confirmar se o local está ‘limpo’. Pelo celular, avisam os amigos, que chegam em grupos de cinco a dez veículos.


Quando a Polícia Militar aparece, depois de duas ou três horas, dá tempo de os corredores fugirem. E voltarem no dia seguinte. O capitão Reinaldo Elizeu, do Comando de Policiamento da PM, informou que não é possível destinar equipes só para combater rachas. ‘Sabemos que os infratores voltam, mas sempre estaremos presentes.’ Todo dia, acidentes matam cem pessoas e ferem outras mil no Brasil, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).


Nos rachas, os jovens põem vidas em risco – e não só as suas. Em janeiro de 2004, o auxiliar de escritório José Adriano Araújo, de 23 anos, perdeu a perna direita. Ele e cinco pessoas – incluindo um bebê de 11 meses – foram atingidos por um carro que disputava um pega, em um ponto na Via Dutra. O motorista e duas pessoas morreram. Ninguém foi preso. ‘Estou me adaptando, mas revolta saber que os rachas continuam’, diz Araújo.’