Thursday, 20 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Jotabê Medeiros

‘Qual é a serventia dessa TV Cultura que veicula propaganda de lingerie, Danoninho, liquidação de eletrodomésticos e de exportadores de soja, transmite o Campeonato Paulista de Futebol da Segunda Divisão e organiza debates em sofás sobre psicologia canina e mau humor?


Essa discussão foi o epicentro de uma sabatina pública de mais de 2 horas à qual o presidente da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça, foi submetido na tarde de terça, na Assembléia Legislativa do Estado, a convite da Comissão de Cultura, Ciência e Tecnologia. O encontro acabou virando um tiroteio verbal de pouca serventia para o esclarecimento público, com um Mendonça exaltado – e pouco objetivo – batendo-se aos gritos contra um time desigual de adversários, deputados do PT e sindicalistas.


‘Acho temerário o aumento excessivo de publicidade paga, privada’, disse o deputado Simão Pedro (PT). ‘O patrocinador não vai exigir uma mudança no padrão da programação?’ Mendonça afirmou que, atualmente, a TV Cultura veicula 5 minutos por hora de propaganda na programação, ‘menos de um quarto das TVs comerciais’, o que desmentiria a tese de sua mercantilização. Indagado sobre as contas da emissora, que estariam sendo questionadas, garantiu que foram aprovadas sem ressalvas pelo TCE e que a TV Cultura fechou o exercício com R$ 7 milhões em caixa. ‘Quando assumi, tinha R$ 7 milhões negativos.’


Mendonça foi acusado de ter montado um ‘ninho de tucanos’ na emissora (referência à presença de egressos do PSDB em cargos-chave e no jornalismo), por ter planejado um talk show com Gabriel Chalita (secretário de Geraldo Alckmin e cuja primeira convidada seria a primeira-dama) e por estimular a parcialidade em programas como Roda Viva, ameno com entrevistados do PSDB, como Alberto Goldman, e virulento com adversários petistas. ‘A Cultura hoje está num limbo, não se sabe se é pública ou partidária’, disse Vicente Cândido (PT).


Mendonça contra-atacou em estilo colérico. Aos berros, disse que não admitiria que levantassem ‘suspeição’ sobre o jornalismo da emissora. ‘Não posso admitir que digam que um programa da TV Cultura foi manipulado.’ Segundo ele, a bancada do Roda Viva reúne representantes de diversos veículos da imprensa brasileira, o que garantiria um ‘pensamento multifacetado’. E não seria ‘tucana’, afirmou, porque tem convidado ‘três vezes mais petistas’ para o centro da roda do que peessedebistas. ‘A isenção do programa foi salientada inclusive pelo José Genoíno, um dos que mais vieram ao programa.’ Ironicamente, Mendonça experimentava veneno oposto ao de que era acusado: estar no centro de um Roda Viva invertido, cercado de adversários.


Defendeu o comentarista político dos telejornais da TV, Alexandre Machado, dizendo que ele não pode ser acusado de imparcialidade apenas por ter sido colaborador de FHC e Mário Covas, como afirmou um deputado. ‘O diretor e apresentador do Roda Viva, Paulo Markun, foi um assessor do Lula na campanha presidencial, e comanda o programa de maior audiência da Cultura. É um jornalista da melhor qualidade. Se o sr. vem insinuar que fazemos apologia partidária, eu não acredito.’


Para defender-se, saiu disparando. Disse que a emissora sofre ‘discriminação’ dos grandes anunciantes das estatais federais, que poderiam sustentá-la sem grande prejuízo de sua programação – citou Banco do Brasil e Petrobrás. O deputado Enio Tatto (PT) retrucou dizendo que, durante os 8 anos do governo FHC e mais 9 dos governos Covas e Alckmin, os investimentos federais também foram tímidos e a emissora acabou ‘quebrando’, sem socorro. Mendonça não comentou.


O deputado Vaz de Lima (PSDB) acusou os antagonistas de Mendonça na sabatina de usarem um ‘óculos ideológico’, que só permitia ver o que querem ver. Mas também não acrescentou nada, além de falar da devoção particular de sua família à programação. Em seguida, se retirou da sala para atender à agenda parlamentar.


O presidente da fundação destrinchou alguns números da gestão da TV Cultura. Disse que os recursos do governo do Estado para a TV, cerca de R$ 90 milhões ao ano, bancam apenas o básico. ‘Nós mal conseguimos sustentar a TV com esses recursos. É muito caro fazer TV’, afirmou. ‘Para fazer 15 minutos de um programa como o Cocoricó, por exemplo, gastamos R$ 60 mil. E a estrutura também é cara. A Cultura tem 300 antenas espalhadas pelo Estado e só a sua manutenção custa entre R$ 400 e R$ 500 mil por mês.’


Foi instado a falar de medidas polêmicas, como a extinção da Orquestra Sinfonia Cultura. Na versão de Mendonça, a Sinfonia Cultura era ‘a orquestra mais cara do Brasil’. Custava R$ 4 milhões ao ano e fazia 19 apresentações no mesmo período – ou seja, cada apresentação custaria cerca de R$ 200 mil. ‘Fui buscar recursos, fui ao Sesc Belenzinho, que abrigava os concertos. Ninguém quis bancar uma orquestra que atingia 150 pessoas em cada apresentação’, argumentou. O dinheiro economizado estaria sendo utilizado para digitalizar o acervo de 125 mil horas de fitas.


Diversas perguntas ficaram sem resposta. Mendonça não explicou, por exemplo, porque, para lançar o Festival de Música da TV Cultura, teria contratado uma festa para cerca de 800 pessoas no Rio, sendo que o concurso se passou em São Paulo. Evitou comentar também acusações de irregularidade administrativa, feitas por Fred Ghedini, do Sindicato dos Jornalistas. Segundo Ghedini, uma única blitz de um fiscal do trabalho na emissora, no dia 28 de julho, flagrou 35 pessoas com contratos de trabalho irregulares. ‘Foi bom, porque é saudável colocar publicamente a situação da TV pública’, disse Mendonça ao Estado, ao final do embate.’


 


GUINESS BOOK
Carlos Franco


‘Tiragem do livro Guinness chega a 40 mil no Brasil’, copyright O Estado de S. Paulo, 29/9/05


‘Em 18 de maio de 2002, 11 aviões Tucano, produzidos pela Embraer e usados pela Esquadrilha da Fumaça, destacamento da Força Aérea Brasileira, voaram em formação, de ponta-cabeça, durante 30 segundos, sobre o aeródromo Campo Fontenelle, em Pirassununga, Brasil. A façanha foi parar no livro dos recordes, o Guinness, como a maior esquadrilha do mundo nesse tipo de formação e por maior tempo. Neste livro, também está destacada a camisa mais valiosa do futebol mundial, a de número 10 usada pelo brasileiro Pelé na final da Copa do Mundo de 1970. Ela foi vendida na Christie_s, em Londres, em 27 de março de 2002, por US$ 225.109, mais de três vezes a quantia esperada.


E o brasileiro adora recordes. Tanto que a Ediouro, que edita no País o famoso Guinness, decidiu imprimir uma tiragem de 40 mil exemplares este ano ante a metade no ano passado. ‘Fomos surpreendidos pelas vendas e os pedidos de reposição e o interesse do público’, diz Hegel Braga, diretor de Operações da Ediouro. O preço será o mesmo do ano passado: R$ 74,90.


Só que, para facilitar o acesso, a Ediouro está lançando também oito miniedições temáticas do livro, para que os leitores conheçam os recordes de acordo com temas de maior interesse: Os Melhores Recordes Mundiais do Brasil, de Celebridades, de Esportes Bizarros, Policiais e Para Adultos, além dos Recordes Mundiais Mais Estranhos, Mais Impressionantes e Mais Nojentos.


As miniedições temáticas, diz Hegel, já existem nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde têm tiragens altíssimas e ajudam a combater a pirataria em torno do livro dos recordes tradicionais, sempre mais caro. O preço de capa da publicação será R$ 9,90. No formato de 10cm X 10cm, as miniedições têm 96 páginas cada e no lugar das fotos, ilustrações. ‘Uma forma de diferenciar os produtos e ao mesmo tempo manter a curiosidade sobre o livro principal’, justifica Hegel.


A Ediouro também decidiu investir numa ação diferenciada de marketing para chamar a atenção para o Guinness e suas curiosidades. Em novembro, com o surfista carioca Rico de Souza, 40 surfistas vão tentar pegar a mesma onda e conquistar um lugar no Guinness. Exatamente como a via pública mais larga do mundo que é o Eixo Monumental de Brasília, que vai da Praça Municipal à Praça dos Três Poderes. Com seis pistas, essa via tem 250 metros de largura e foi aberta em abril de 1960. O jornal mensal Vossa Senhoria, publicado por Dolores Nunes Schwindt, também é conhecido como o menor do mundo: mede 3,5 x 2,5 cm.


‘O brasileiro tem uma curiosidade grande por esses recordes e sempre sonha figurar neles’, diz Hegel, feliz com as vendas.’


VIDEO MUSIC BRASIL
Thiago Ney


‘Favorito, Ira! pode acabar com tabu do VMB’, copyright Folha de S. Paulo, 29/9/05


‘Qual a diferença entre Teahouse Band, Andrea Marquee, Karnak, AD e Os Travessos e o Ira!? Todos os primeiros já ganharam um troféu no Video Music Brasil, enquanto o Ira!… nada. A história poderá mudar a partir das 21h30 de hoje, quando acontece a 11ª edição da premiação da MTV.


O Ira! é o grupo que tem mais chances de ganhar em pelo menos uma categoria, já que é o campeão de indicações, recebendo quatro (rock, fotografia, direção e direção de arte) por ‘Flerte Fatal’ e duas (performance ao vivo e escolha da audiência) por ‘Eu Quero Sempre Mais’ -nesta o grupo é acompanhado por Pitty.


‘Flerte Fatal’ também pode render troféus ao ator Selton Mello, o anfitrião do VMB pela segunda vez e diretor do clipe.


Outros artistas com várias indicações são Autoramas (cinco; por ‘Você Sabe’), Pato Fu (quatro; ‘Anormal’), Charlie Brown Jr. (quatro; ‘Champanhe e Água Benta’) e Nando Reis (quatro; ‘O Mundo É Bão Sebastião’).


Três novas categorias estão em disputa: performance ao vivo, ídolo MTV (em que o povo vota em alguém da área musical) e banda dos sonhos (o povo vota no melhor baixista, vocalista, guitarrista e baterista, mas têm de ser músicos nacionais em atividade).


A audiência escolhe os premiados em 12 categorias: pop, rock, MPB, rap, eletrônica, revelação, independente, internacional, performance ao vivo, ídolo MTV e, claro, escolha da audiência. Um júri técnico escolherá vencedores em direção, direção de arte, fotografia, edição e website.


A noite terá nove shows, como os de Los Hermanos, Titãs e Pitty.’