Thursday, 13 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1291

Marcos Sá Corrêa

‘Se a modelo Kate Moss tivesse juízo – ou marqueteiro político, o que às vezes parece a mesma coisa – transferiria agora mesmo o domicílio eleitoral para o Brasil. No mundo da moda ela está em queda livre. Mas aqui faz tanta falta que, atropelando por fora, largou na frente esta semana para a corrida presidencial de 2006, ao dizer a única coisa que o eleitorado espera ouvir e o presidente Lula não deixa.


Ou seja: ‘Eu assumo a total responsabilidade pelos meus atos’. Viva Kate Moss. Com tanto marmanjo em Brasília jogando conversa fora, coube essa inglesa anoréxica de 31 anos mostrar como é que gente grande se comporta numa crise. O jornal ‘The Daily Mirror’ pegou-a inalando uma dose de cocaína tamanho família. Nem por isso ela alegou que foi perseguida pelos jornalistas. Estava, na hora do flagrante, cercada de amigos esquisitos. Mas nem insinuou que eles a traíram.


É assim que se fala quando não há mais nada a declarar. Bastaria essa frase para humilhar os políticos nativos. Mas ela foi além. Admitiu que ‘há várias questões pessoais que preciso enfrentar’ e prometeu ‘tomar os difíceis, mas necessários, passos para resolvê-las’. O marqueteiro Duda Mendonça teria feito melhor negócio se, enquanto era tempo, usasse a agência para pôr essas palavras na boca do presidente Lula.


Elas cairiam como luva nos presidenciais constrangimentos. O rastilho da corrupção subiu a rampa do Palácio do Planalto? ‘Eu assumo total responsabilidade’, responderia Lula, tomando a modelo por modelo. Não precisaria nem mudar de idéia. Era só lembrar o que declarou, cinco anos atrás, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso tirou o corpo fora da violação dos votos secretos no painel eletrônico do Senado.


‘Não é possível que o Presidente não soubesse de nada’, Lula trovejou na ocasião. ‘Que ele não tivesse idéia do que seu homem de confiança fazia na sala ao lado da sua no Palácio do Planalto. Afinal, um presidente da República não pode ser tão desinformado. Aliás, o Presidente deveria ter se dirigido à opinião pública para, no mínimo, prestar esclarecimentos sobre esses escândalos’.


A política brasileira já andou melhor de Lula. Essa declaração, exumada dos arquivos pelo jornalista Carlos Brickman, prova que, antes de passar da teoria à prática ou da oposição ao governo, ele tinha uma noção mais clara das responsabilidades que vêm junto com o cargo, o Airbus e o roupão de algodão egípcio.


Ele acha que foi traído pelos cupinchas? Nisso, também, a modelo dá lições de etiqueta ao estadista. ‘Quero me desculpar a todas as pessoas que desapontei por causa de meu comportamento’, disse Kate Moss, dirigindo-se a seu eleitorado: ‘Minha família, amigos, colegas de trabalho, sócios e outros’. Quanta falta faz a Lula ultimamente um gargarejo com as palavras de Kate Moss. É bom para a valentia.


Se ela conseguiu dizer essas coisas, não custava nada ele, pelo menos, tentar. Não pode perder assim para uma simples celebridade internacional. Ela não está propriamente na vida pública. Ele, sim. Ela trabalha no ramo da frivolidade. Ele, embora não pareça, exerce uma função tida como séria.


Ela ganhou, numa década de batente em estúdios e passarelas, mais de 50 milhões de dólares, sem que um amigo de seu pai, plantado na esquina da Telemar com os fundos de pensão, desse o primeiro empurrão em sua carreira. Na cafungada que ‘The Daily Mirror’ flagrou, ela usava como canudo uma nota de 5 libras. Coisa de uns 20 reais, que no Brasil não é quantia que se apresente em escândalo respeitável.


Em suma, devia menos que Lula à opinião. Mas se desculpou contritamente e por escrito. Se a moda pegasse por aqui, como pegaram os produtos da Calvin Klein que em outros tempos Kate Moss ajudou a lançar, os políticos brasileiros sairiam desta para melhor. Senão, é Kate Moss 2006.’




BILL GATES
O Globo


‘E o Bill Gates continua rico…’, copyright O Globo, 24/9/05


‘Com uma fortuna de US$ 51 bilhões, Bill Gates, o fundador da Microsoft, continua sendo o homem mais rico dos Estados Unidos, segundo a revista ‘Forbes’, que divulgou a lista dos 400 americanos mais endinheirados. Com exceção do segundo lugar, do megainvestidor Warren Buffett, com US$ 40 bilhões, o topo da lista é ocupado por representantes da indústria de alta tecnologia.


Em conjunto, a fortuna dos milionários aumentou em US$ 125 bilhões, para US$ 1,13 trilhão. A alta dos preços de imóveis e do petróleo contribuíram para esse desempenho e garantiram a entrada de 33 novos ricos na lista.


Apesar de Gates estar no topo pelo terceiro ano consecutivo, sua fortuna vem diminuindo desde 1999, quando chegava a US$ 90 bilhões. Segundo analistas, isso se deve à queda no valor das ações da Microsoft e às doações a suas fundações, que chegam a US$ 29 bilhões nos últimos anos.


Já o co-fundador da Microsoft, Paul Allen, vem em terceiro, com uma fortuna de US$ 22,5 bilhões. Ele é seguido por Michael Dell, fundador da empresa de computadores de mesmo nome, e Larry Ellison, criador da fabricante de software corporativo Oracle, com US$ 18 bilhões e US$ 17 bilhões, respectivamente. Além da lista da Forbes, Gates, Allen, Dell e Ellison têm algo em comum: deixaram a universidade antes de se formar.


Os fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, de 32 anos, são os mais jovens do grupo, com US$ 11 bilhões, ficando na 16 posição.’




SANGALO NA GLOBO
Daniel Castro


‘Ivete Sangalo substitui futebol na Globo’, copyright Folha de S. Paulo, 25/9/05


‘A Globo contratou na semana passada a cantora Ivete Sangalo, uma das maiores vendedoras de CDs do país. Ivete será apresentadora de quatro especiais musicais que a emissora irá levar ao ar nos dois últimos domingos de 2005 e nos dois primeiros de 2006.


Cada musical terá duração de 70 minutos (sem contar intervalos comerciais). Embora não estejam programados para as 16h, servirão para tapar o buraco do calendário do futebol _não há jogos nos dois últimos e dois primeiros domingos de cada ano.


Os musicais resgatarão a marca ‘Som Brasil’, que já foi nome de programa de Rolando Boldrin e Lima Duarte na Globo. Todas as músicas apresentadas nos especiais terão de ser composições brasileiras e interpretadas por brasileiros. Cada musical terá um tema representativo do Brasil. Reportagens feitas em diferentes pontos do país ilustrarão o mote.


cantará, sozinha ou com convidados. O ‘Som Brasil’ terá outro critério, muito importante: ninguém poderá se apresentar usando ‘playback’ (instrumental previamente gravado) ou dublando a si mesmo.


A direção do ‘Som Brasil’ será de Luís Gleiser, que comandou a programação dos 40 anos da Globo. Faz tempo que a emissora ambiciona ter Ivete Sangalo como apresentadora, mas a artista tem priorizado a carreira de cantora.


OUTRO CANAL


Recorde A MTV prevê atingir hoje a marca de 900 mil votos da audiência, em seu site, para o Video Music Brasil (VMB) de 2005. Já bateu os 600 mil votos de 2004, seu recorde anterior. A meta agora é ultrapassar 1 milhão de votos até quinta-feira, quando acontece a premiação.


Esforço Devido à greve dos carteiros, a MTV está tendo dificuldades para receber os votos de jurados, que elegem vencedores de categorias técnicas do VMB (como fotografia e direção de videoclipes). A emissora está despachando motoboys para retirar os votos na casa dos críticos.


Furo Marisa Orth cometeu um ato falho na apresentação à imprensa de ‘Bang Bang’, semana passada. Ficou indignada (com razão) com uma repórter que queria saber ‘como é voltar às novelas depois de tanto tempo’. Marisa respondeu que não faz tanto tempo assim, afinal trabalhou em ‘Agora É que São Elas’, exibida há apenas dois anos. ‘Acho que passou batido, né?!’, comentou Marisa.


Pressão Faltando pouco mais de um mês para a estréia de ‘Belíssima’, Chico Buarque ainda não compôs a música que será tema de abertura da próxima novela das oito da Globo. Mas, segundo a assessoria do músico, ele costuma trabalhar sobre pressão e é possível que a composição ‘saia em breve’.’