Monday, 20 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1288

Michael Stanton


‘Vinton G. Cerf ou, simplesmente, Vint é uma pessoa cuja biografia corre em paralelo com a história da Internet. Como pesquisador do projeto ARPANET, publicou em 1974 uma artigo com Bob Kahn que definiu a arquitetura fundamental do que viria a ser a Internet. Neste artigo seminal eles propuseram estruturar grandes redes de computadores como uma coleção de sub-redes menores, onde cada sub-rede usaria uma tecnologia específica para comunicação interna, por exemplo Ethernet ou ATM. O grande pulo dado por Cerf e Kahn era nas interconexões entre as sub-redes, que seriam feitas através de equipamentos hoje conhecidos como roteadores, que têm a função de receber mensagens chegando em uma sub-rede e reenviá-las por outra. São os roteadores que suportam a heterogeneidade das redes, possibilitando a interconexão de sub-redes de tecnologias diversas. Hoje chamamos de inter-rede uma coleção de redes interligadas por roteadores, e a maior de todas é escrita em inglês com letra maiúscula – a Internet. A tecnologia que habilita esta costura é também conhecido pelo nome de um dos seus padrões técnicos – o Internet Protocol, ou IP.


Cerf acompanha até hoje a evolução da sua criança. Depois da Internet virar negócio no início dos anos 1990, tornou-se executivo da MCI, originalmente uma operadora de telefonia de longa distância dos EUA que optou vigorosamente pelo caminho de redes de dados, quando isto ainda não era tão comum. (A MCI também chegou a comprar a Embratel na época da desestatização do setor de telecomunicações nacionais, mas já a vendeu para a Telmex.) Cerf também vem participando ativamente em atividades mais públicas: ajudou a criar e foi presidente da Internet Society (www.isoc.org), uma organização dedicada à cultura e à tecnologia da Internet, e hoje ele é presidente da ICANN, organização civil que supervisiona a infra-estrutura báscia da Internet – seus endereços e nomes de domínios (www.icann.org).


Em reconhecimento das suas contribuições científicas Cerf e Kahn foram nomeados para o prêmio Turing da sociedade profissional, a Association of Computing Machinery (ACM) (www.acm.org). Este prêmio, que honra o matemático inglês, Alan Turing, um dos pioneiros da computação digital, é dado anualmente desde 1965, e é considerado o equivalente para a computação de um prêmio Nobel.


Cerf já esteve algumas vezes no Brasil, mais recentemente como presidente da ICANN, que se reuniu no Rio de Janeiro em 2003. Entretanto sua primeira visita foi a São Paulo em 1975, para demonstrar o uso da ARPANET na USP. Há uma curta descrição desta visita no seu sítio particular em global.mci.com/us/enterprise/insight/cerfs_up/transitions/uncapher, onde ele fala das dificuldades enfrentadas nesse período para estabelecer uma conexão intercontinental de 300 bits por segundo para permitir usar um terminal ‘teletipo’. Esta seguramente deve ter sido a primeira vez que se fez transmissão internacional para um computador a partir do Brasil. A comunidade acadêmica nacional ainda teve que esperar mais 13 anos antes de implantar uma rede de computadores aqui, que pudesse se comunicar com outras redes congêneres no exterior, e mais 3 anos para realizar sua primeira comunicação através da Internet.


Como Cerf se manteve ligado (em todos os sentidos) aos assuntos da Internet, tem uma visão bastante ampla da maneira que ela vem evoluindo para expandir seu alcance. Recentemente esteve numa conferência em Washington sobre conectividade onde falou sobre alguns dos seus pensamentos a respeito das tendências das comunicações no mundo (v. www.isp-planet.com/news/2005/cerf_f2c.html). Neste discurso fez várias considerações interessantes sobre a tecnologia Internet e suas conseqüências.


Uma era a ubiqüidade da Internet, que hoje se estendeu para permitir a integração física de todo tipo de tecnologia de comunicação ao nível das sub-redes componentes. Um exemplo disto é a incorporação na teia mundial da Internet das novas redes que utilizam comunicação sem fio: telefonia celular, WiFi, WiMax e Bluetooth. Desta forma um equipamento que utilize qualquer uma destas tecnologias de comunicação poderá fazer parte da Internet. O outro lado da moeda seria garantir que este equipamento consiga usar todas as possibilidades interessantes para a comunicação que a Internet abre.


Aqui a chave é o padrão de comunicação entre pares (peer to peer, ou P2P), que é diferente da assimetria da relação tradicional cliente-servidor, onde os papéis dos dois computadores são fixos, sendo que um dos dois computadores (sempre o mesmo) pede algum serviço do outro. No P2P os dois computadores em comunicação se tratam como iguais ou pares. Em relações entre pares, qualquer um dos dois computadores poderá servir ou ser servido, ou, juntos, eles podem implementar um serviço simétrico, como é o caso em teleconferências, de voz e de vídeo. O interessante deste tipo de aplicação é a grande liberdade para criação que abre. Entre pares, não há necessidade de seguir padrões existentes, e as novas aplicações poderão explorar criativamente as oportunidades assim abertas. Por exemplo, o Skype (aplicação de telefonia IP – v. a coluna de 30 de novembro de 2003) procura brechas em paredes corta-fogo que admitem passar tráfego WWW, simplesmente usando o mesmo caminho, tornando difícil seu controle por administradores de rede.


Muitas das novas aplicações P2P são hoje usadas para distribuição de conteúdo digital. Entre estas, a mais importante hoje é o Bit Torrent, que já ultrapassou o KaZaA nas preferências dos usuários. Um estudo realizado recentemente em vários países, mencionado por Vint Cerf em seu discurso, mostra que dois terços de todo o tráfego Internet hoje é de aplicações P2P, sendo uma boa parte destas de transmissão de vídeo. Em redes de acesso, a proporção sobe para 80% de todo o tráfego (v. www.isp-planet.com/research/2004/cachelogic_data.html).


Uma característica importante destas novas aplicações P2P, enfatizada por Vint Cerf, é a simetria dos fluxos de dados. Da mesma forma que uma relação P2P é simétrica entre o par de computadores, o volume de tráfego também tende a ser igual nas duas direções, com o volume de dados recebidos sendo parecido com o volume transmitido. Isto ocorre porque cada nó combina as funções de cliente e servidor. Por exemplo, além de receber conteúdo digital, os usuários de Bit Torrent também o distribuem. Isto traz outro desconforto para a tecnologia das redes de acesso hoje usadas. As mais comuns usam ADSL (como Speedy ou Velox) ou sistemas de TV a cabo (como Virtua ou Ajato). Em ambos estes casos, a rede de acesso é assimétrica, supondo-se que o volume de informação entregue ao usuário (download) excede o que ele transmite (upload). Isto simplesmente não vale hoje em dia, por causa das novas aplicações. De certa forma esta tendência casa bem com novas redes de acesso baseadas em canais ópticos, que começam ser usadas em alguns países, e onde a largura de banda é simétrica entre os dois sentidos de transmissão. Isto ainda é distante da nossa realidade atual, mas normalmente não ficamos com muitos anos de atraso comparado com a situação de outros países. É bom que já esteja sendo apontado o caminho da evolução futura!


Vint Cerf já fez muitas contribuições a nossa mundo atual. É bom ver que continua bem ativo e pensante. Que sirva de inspiração para nós outros que laboramos nesta seara.


Michael Stanton (michael@ic.uff.br), que é professor do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense e também Diretor de Inovação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), escreve neste espaço desde junho de 2000 sobre a interação entre as tecnologias de informação e comunicação e a sociedade. Os textos destas colunas estão disponíveis para consulta http://www.ic.uff.br/~michael/SocVirt.htm.’





MURDOCH & JORNALISMO


O Estado de S. Paulo


‘Jornais precisam se ajustar à era da internet, diz Murdoch ‘, copyright O Estado de S. Paulo, 15/04/05


‘O chefe de uma das maiores empresas de comunicações dos Estados Unidos conclamou os editores de jornais a aceitar e incorporar a internet. Rubert Murdoch, executivo-chefe da News Corp, que gerencia o canal Fox News, disse que seus colegas da imprensa escrita estão ‘assistindo sentados’ a uma nova geração de consumidores digitais se distanciar dos jornais.


Ele citou um recente relatório da Carnegie Corporation, uma fundação sem fins lucrativos, mostrando que 44% das pessoas entre 18 e 34 anos acessam sites na internet em busca de notícias pelo menos uma vez por dia. Segundo Murdoch, é preciso mudar a forma como as notícias são apresentadas.


Quando a internet surgiu nos anos 1990, Murdoch chamou ele mesmo e outros executivos de ‘imigrantes digitais’ porque não tinham crescido surfando na internet, mas precisavam aprender a gerenciar o negócio. ‘Do mesmo modo que se começa hoje o dia com café e jornal, no futuro, vai se começar com café e web site.’’






TV GLOBO


Daniel Castro


‘Futura novela das sete será um faroeste ‘, copyright Folha de S. Paulo, 15/04/05


‘Reviravolta na Globo. A próxima novela das sete, que substituirá ‘A Lua me Disse’ (que estréia segunda), será um faroeste do escritor Mário Prata, e não mais uma comédia da estreante (no horário nobre) Andrea Maltarolli.


A decisão foi tomada anteontem por Mário Lúcio Vaz, diretor-geral artístico da emissora. Vaz, a rigor, voltou atrás. O contrato de Prata já previa que ele escreveria a novela das sete que entrará no ar em outubro. Mas, como a produção seria dirigida por Luiz Fernando Carvalho, que está ocupado com a segunda edição de ‘Hoje É Dia de Maria’, Vaz optou por ‘Por Aí’, de Maltarelli, que agora ficou para maio de 2006.


A novela que marcará o retorno de Prata, autor de ‘Estúpido Cupido’, à Globo se chamará ‘Bangue Bangue’. A direção será de Ricardo Waddington e José Luiz Villamarin (‘Mad Maria’).


‘Bangue Bangue’ será um faroeste com direito a saloon e todos os elementos de novela das sete, como Romeu e Julieta, heranças. A diferença é que estou mudando o cenário quarto-e-sala para o saloon, o cabaré, a rua’, diz Prata. A cidade cenográfica será de filme de western. A trama se passa num Velho Oeste, mas não é dito que fica nos EUA. Os personagens terão nomes ingleses.


No início dos anos 70, Prata sugeriu ao SBT algo parecido com ‘Bangue Bangue’, que não foi adiante. A primeira novela-faroeste foi ‘Irmãos Coragem’.


OUTRO CANAL


Reforço Baseada em pesquisas, a Record está desenhando uma nova programação dominical. A principal novidade é que o segundo ‘O Aprendiz’ entrará aos domingos (às 20h30 ou 22h) e terças (e não mais às quintas). O novo programa de Eliana também será aos domingos, das 14h30 às 16h, após o ‘Domingo da Gente’.


Ajuste 1 Glória Perez já reescrevia cenas de ‘América’ desde a semana passada, antes do afastamento, a pedido dela, do diretor de núcleo Jayme Monjardim. Perez arrumou, no novo texto, um pretexto para Sol (Deborah Secco) abandonar Tião (Murilo Benício) e viajar para os EUA, onde entrará clandestinamente.


Ajuste 2 Sol decidirá viajar para ganhar dinheiro para uma cirurgia em Mariano (Paulo Goulart), seu padrasto. Assim, Perez corrige uma falha imperdoável para um folhetim: a heroína, que era egoísta, passa a ser altruísta e tem uma razão forte para ir aos EUA.


Queda O capítulo de anteontem de ‘América’ deu média de 40 pontos, a menor de um dia útil (menos sábados) desde a estréia, em 14 de março. E ‘Xica da Silva’, no SBT, cresceu em cima do futebol na Globo e marcou sua melhor média (15 pontos) e maior pico (20).


Vaga O ex-jogador Bebeto, um dos ‘heróis do tetra’, será o terceiro jurado de ‘Joga 10’, ‘reality show’ da Nike na Band, ao lado de Zagallo e Dunga.’




O Globo


‘Universidade Federal do Ceará faz homenagem a Roberto Marinho’, copyright O Globo, 15/04/05


‘O jornalista Roberto Marinho foi homenageado ontem com o título de título de doutor honoris causa in memoriam pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Em solenidade na Academia Brasileira de Letras (ABL), na presença do governador do Ceará, Lúcio Alcântara, o diploma, em reconhecimento à contribuição de Roberto Marinho ao desenvolvimento da educação e da cultura no Brasil, foi entregue a seu filho José Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo e presidente da Fundação Roberto Marinho.


– O diploma traduz a gratidão da Universidade Federal do Ceará e o reconhecimento dos méritos de Roberto Marinho – disse René Barreira, reitor da UFC.


A proposta do título, explicou o reitor, era um projeto antigo da universidade. O conselho da UFC já havia aprovado a proposta por unanimidade há 20 anos, quando Martins Filho era o reitor. Ontem a universidade formalizou a entrega do diploma.


– Hoje (ontem), estamos resgatando essa dívida histórica. A Universidade Federal do Ceará cultiva como um dos seus princípios mais sagrados o reconhecimento, a gratidão. Foram exatamente esses os sentimentos que nos inspiraram a conceder o título de doutor honoris causa ao jornalista Roberto Marinho – disse René Barreira.


Reitor destaca atuação da Fundação Roberto Marinho


O reitor citou o importante papel da Fundação Roberto Marinho na difusão da cultura e a significativa atuação do Sistema Globo de Comunicação no campo da educação, com programas como o Telecurso 2000. Na solenidade, José Roberto Marinho lembrou a paixão que seu pai tinha pelo conhecimento e seus esforços para o desenvolvimento da educação, da arte, da ciência e da tecnologia, além da consciência dos valores culturais e históricos:


– Meu pai já não está entre nós para sentir-se recompensado, agradecido ou envaidecido, até. Mas a mensagem que esta homenagem carrega será recebida e entendida por muitos. Uma mensagem que revela, como sabemos, que a paixão pela vida pode mudar o mundo. Recebo esta homenagem à memória de meu pai com grande orgulho e sentimento de responsabilidade.


José Roberto acrescentou que é responsabilidade dele e de seus irmãos o desafio permanente de continuar exercendo um papel relevante em tantas áreas, como fez o pai.


– A aventura do conhecimento, a aposta na educação como valor essencial, permeia toda a ação social das empresas Globo e é a própria razão de ser da Fundação Roberto Marinho – concluiu.’





TVE


Etienne Jacintho


‘TVE Brasil leva o País ao exterior ‘, copyright O Estado de S. Paulo, 15/04/05


‘Desde o começo do ano, a TVE está investindo em uma nova imagem. Mudanças de vinhetas e cenários se unem às melhorias no sinal – com a compra de novos transmissores – e às negociações para que o canal volte para o line-up da Net e da DirecTV.


Ao mesmo tempo, a TVE se movimenta para gerar maior e mais variado conteúdo. Ainda este ano entrará no ar uma série de episódios do personagem mais famoso de Ziraldo, O Menino Maluquinho, sob direção de Cao Hamburger e roteiro de Ana Muylaert. Além do infantil, a rede pública ainda prepara um boletim semanal com o que está acontecendo na França. O projeto, em nome do ano Brasil-França, é uma espécie de intercâmbio cultural via TV com a França, que também receberá notícias brasileiras. E a América Latina está no foco do canal com o Recorte Cultural, que estreará ainda este mês, com jornalistas latinos.


O objetivo é divulgar o País – e a produção brasileira – no exterior. A diretora do canal, Beth Carmona, diz que a TVE levará uma série de produções nacionais à MIPCom, a feira internacional de TV. São documentários de temas variados – alguns dos vencedores do DocTV – e produções infantis do Curta-Criança, que teve sua segunda edição realizada recentemente.


100% Brasil


No segundo semestre, a TVE promete colocar no ar o resultado de uma parceria de 2 anos com a National Geographic, o 100% Brasil. Em 28 episódios, o País será mostrado na telinha de uma forma diferente. ‘Será uma revista com tecnologia e cultura sob um ponto de vista não estereotipado’, conta Beth Carmona, que dá como exemplo um programa sobre o carnaval na Bahia abordando não só a festa, como o aspecto da segurança. ‘Representantes de alguns países estiveram aqui para ver como trabalha a segurança, pois o evento, que reúne tanta gente e bebida, não sofre com muitos incidentes.


Outro capítulo da série mostrará a produção de borracha no País e a moda das Havaianas, além de contar a história do látex. Até a caipirinha e a cachaça serão objetos de investigação da série, que será exibida internacionalmente, como todas as co-produções da National Geographic.


‘Será uma nova TVE, com identidade cultural e diversidade de assuntos para crianças e adultos’, explica Beth, que destaca ainda programas que já são bem-sucedidos como o Expedições, com Paula Saldanha e a Revista do Cinema Brasileiro, com Julia Lemmertz.


Algumas produções como o Curta Criança serão exibidas também na TV Cultura. A partir do dia 25, a Cultura participará, duas vezes por semana, do Atitude.com, um programa para jovens sobre comportamento e música. Outra atração que está no foco é o Programa Especial, sobre inclusão de deficientes físicos e mentais.’