Thursday, 19 de May de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1188

Padrão de TV digital
está perto da definição


Leia abaixo os textos de quarta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


************


O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 21 de junho de 2006


TV DIGITAL
Gerusa Marques


Acordo para TV digital está quase fechado


‘O documento que vem sendo elaborado por Brasil e Japão sobre a implantação da TV digital no País deverá ter um tom diplomático, sem entrar em detalhes mais técnicos da negociação do padrão, segundo fontes que estão participando das discussões. Os termos do acordo, que será assinado no dia 29 de junho entre os dois países, deverão ser concluídos hoje, e há a expectativa de que o Palácio do Planalto se pronuncie sobre os entendimentos.


Desde segunda-feira, uma delegação japonesa de 15 membros, incluindo representantes do governo e da indústria do Japão, está reunida, no Itamaraty, com representantes do governo, de empresas e entidades de pesquisa brasileiros para estabelecer os compromissos que os dois lados deverão assumir.


No caso da incorporação das inovações tecnológicas brasileiras no padrão japonês, a opção deverá ser por incluir no texto apenas indicações do que o governo brasileiro está propondo como novas tecnologias. Os detentores do padrão japonês se comprometeriam a desenvolver um trabalho conjunto com o Brasil para a incorporação dessas inovações. ‘O Japão concorda em estudar economicamente as inovações brasileiras’, disse uma fonte do governo.


O documento não deve prever prazos para esses estudos. Mas estabelecerá a criação, em até quatro semanas após o anúncio da escolha do padrão, de grupos de trabalho com participação de representantes dos dois lados. Portanto, as inovações propostas pelo Brasil seriam avaliadas por esses técnicos, segundo o representante do padrão japonês, Yasutoshi Miyoshi. ‘A conversa tem evoluído a um termo confortável para ambas as partes’, disse ele, num intervalo da reunião, que se estendeu noite adentro.


No início das discussões, o governo brasileiro ainda insistia em que a definição das inovações constasse do documento em elaboração. Mas os japoneses ponderaram que são necessárias avaliações técnicas mais detalhadas para a adoção dessas tecnologias.


Antes de ser assinado, o documento ainda será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Japão será representado na assinatura do acordo, no dia 29, pelo ministro do Interior e da Comunicação, Heizo Takenaka.


CONSTRUÇÃO CONJUNTA


O presidente Lula afirmou ontem, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, que o Brasil está perto de optar pelo sistema japonês de TV digital, construindo, juntos, o Programa Nipo-Brasileiro de TV Digital. ‘Estamos próximos de concluir, não está concluído ainda, mas há uma oferta da construção do programa’, disse.


‘Se isso der certo, não vamos apenas ter a TV digital no Brasil. Nós teremos uma fábrica de semicondutores’, comemorou. ‘Significa o Brasil adentrar ao mundo da eletrônica.’ Segundo Lula, desde o início da discussão, ele se perguntava: ‘Por que só fazer TV digital? Por que não discutimos que o Brasil quer um pouco mais?’.


Ele ressaltou que, caso esse programa nipo-brasileiro dê certo, ‘ao invés de a gente exportar minério de ferro a precinho barato e comprar chip, nós vamos começar a produzir essas coisas mais sofisticadas’. ‘Está na hora de darmos um salto de qualidade e nos tornarmos um País produtivo e desenvolvido’, afirmou.


COLABOROU EVANDRO FADEL’


VEJA CONTESTADA
Herton Escobar


Praga que devastou cacau veio mesmo de ação humana


‘Uma nova análise genética da praga da vassoura-de-bruxa mostra que a epidemia que devastou as plantações de cacau do sul da Bahia na década de 90 foi causada por apenas duas variedades do fungo Crinipellis perniciosa, enquanto na Amazônia, onde o fungo é endêmico, há possivelmente milhões de variedades selvagens. Os resultados alertam para o risco de novas epidemias, já que as plantas usadas hoje na lavoura podem não ser resistentes a outras variáveis da praga. Além disso, sugerem fortemente que a denúncia relatada na última edição da revista Veja é insustentável do ponto de vista científico.


Segundo a reportagem, a vassoura-de-bruxa teria sido introduzida na Bahia por militantes de esquerda, que trouxeram ramos infectados de Rondônia para sabotar a supremacia econômica e política dos barões do cacau baianos. Quem relata a história é um dos executores da trama: Luiz Henrique Franco Timoteo. Segundo uma autodenúncia registrada por ele em setembro de 2005, as amostras do fungo foram coletadas em pelo menos quatro cidades rondonenses – Ouro Preto do Oeste, Jaru, Cacoal e Ariquemes – e os ramos infectados, amarrados como bombas biológicas em árvores de várias fazendas do sul da Bahia, ao longo da BR-101, entre 1987 e 1991.


‘Não tenho dúvidas de que a introdução foi criminosa, mas essa história, da maneira como foi contada, é altamente improvável’, disse ao Estado o pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Projeto Genoma da Vassoura-de-Bruxa, Gonçalo Pereira. Sua contestação baseia-se nos resultados de um estudo genético concluído no ano passado e que, coincidentemente, foi aceito este mês para publicação na revista científica especializada Mycological Research.


Os pesquisadores compararam geneticamente amostras do fungo de várias localidades do Brasil e do Equador. Os dados mostraram que a variabilidade do C. perniciosa na região amazônica é enorme, apesar de haver apenas duas variedades do fungo no sul da Bahia. Segundo os cientistas, a epidemia baiana cresceu a partir de dois únicos focos de infecção, nos municípios de Uruçuca e Camacã, em 1989. ‘Se o que ele (Timoteo) conta é verdade, deveria haver vários focos e vários tipos diferentes de fungo’, diz Pereira, que coordenou o estudo. ‘A chance de ele ter pego fungos de várias localidades, em diferentes anos, e apenas dois terem se desenvolvido é praticamente nula.’


Por coincidência, o estudo incluiu amostras de vassoura-de-bruxa de três cidades de Rondônia, duas das quais citadas por Timoteo: Ouro Preto do Oeste, Ariquemes e Ji-Paraná. ‘Pegamos apenas um isolado de cada região e os três já são muito diferentes entre si. Assim sendo, a chance de o sabotador ter conseguido apenas dois isolados, tendo feito uma coleta aleatória em diferentes propriedades dessas regiões, é próxima de zero’, explica Pereira. Ele faz uma analogia com testes de paternidade: ‘Não sei dizer quem é o pai, mas esse eu digo que não é.’


O genoma da vassoura-de-bruxa possui muitos transposons – pedaços de DNA que ‘pulam’ de um lugar para outro nos cromossomos, o que produz uma série de rearranjos genéticos e, conseqüentemente, uma grande variedade de fungos. Ao mesmo tempo, a C. perniciosa é uma espécie que cruza muito com si mesma, resultando em uma forte uniformidade genética dentro de cada variedade.


Todas as evidências biológicas, segundo o cientista, corroboram o cenário de que só duas variedades do fungo foram introduzidas na Bahia – intencionalmente, e de forma planejada. Resta saber como, e com que intenções. ‘Isso, só a polícia vai poder dizer’, afirma Pereira.


A preocupação dos pesquisadores agora se refere ao risco de novas introduções. Todos os esforços atuais para recuperação da lavoura são baseados em uma única variedade resistente de cacau, originária do Peru. Ela se defende bem contra as duas variáveis do fungo presentes na região, mas não há garantia de que seja resistente a outras formas genéticas da praga, segundo o pesquisador Antonio Figueira, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo em Piracicaba.


Por isso, é imprescindível evitar a entrada de mais material infectado na região. Algo que exige, impreterivelmente, trabalho de fiscalização. Segundo os cientistas, não há possibilidade de o fungo chegar (ou ter chegado) sozinho ao sul da Bahia. ‘O esporo é muito sensível, não agüenta longas distâncias’, explica Figueira. É mais uma evidência da mão do homem.’


VEJA CONDENADA
O Estado de S. Paulo


Escola Base: TJ manda ‘Veja’ pagar R$ 250 mil


‘O Tribunal de Justiça (TJ) condenou ontem a Editora Abril, responsável pela Revista Veja, a indenizar em R$ 250 mil, com correção monetária, os ex-donos da Escola Base Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada e o ex-motorista Maurício Almeida. Eles foram apontados injustamente como responsáveis por abusos sexuais contra crianças na escola. O departamento jurídico da Abril disse que vai esperar a publicação da acórdão para decidir se recorre.’


POLÍTICA CULTURAL
Beatriz Coelho Silva


Projeto do MinC valoriza as aldeias de cada um


‘Quarenta candidatos a cineastas estão no Rio para a segunda edição do projeto Revelando os Brasis, criado pelo Ministério da Cultura para democratizar a produção audiovisual. Eles vêm de cidades com menos de 20 mil habitantes, espalhadas por 21 Estados e farão filmes de curta-metragem, que serão exibidos na TV Futura, nas suas cidades de origem e nas capitais de seus Estados. Foram selecionados entre 870 candidatos e, até o fim do mês, terão aulas de como fazer cinema, do roteiro à finalização.


Os futuros cineastas contam histórias (reais ou fictícias) sobre a região ou cidade onde vivem. Segundo a coordenadora Beatriz Lindenberg, a originalidade do tema foi o principal critério de escolha. ‘Como é uma seleção aberta, que não exige escolaridade nem experiência, não levamos em conta o texto da proposta e sim seu conteúdo. Aqui eles vão aprender a colocar suas idéias no papel e transformá-las em imagem’, adianta Beatriz.


O perfil dos escolhidos retrata a diversidade do País. Um belo exemplo é o índio José de Lima Kaxinawa, que filmará Epã Miyui (que significa história de meu pai). Ele é filho de um índio seringueiro do Acre que, depois de alfabetizar-se, criou uma gramática e escreveu livros em sua língua. Aos 23 anos, Kaxinawa tem um documentário sobre sua aldeia e, para ele, o cinema é uma ferramenta para valorizar a cultura indígena.’


PUBLICIDADE
Carlos Franco


Brasil ganha 11 leões em Cannes


‘O Brasil conquistou ontem 11 leões na 53ª edição do Festival Internacional de Publicidade de Cannes, a mais importante competição da propaganda no mundo. Desse total, seis foram na categoria rádio (Radio Lions), um na categoria mídia (Media Lions) e quatro na categoria Outdoor. Hoje, serão divulgados os prêmios nas categorias impressos (Press) e internet (Cyber), nas quais o País tem se destacado nos últimos cinco anos.


Em Outdoor, o Brasil conquistou dois leões de prata e dois de bronze. Um leão de prata foi para três peças criadas pela JWT de Curitiba para o banco HSBC, e o outro para campanha do Fiat Idea criada pela Leo, Burnett. Um outdoor criado pela Almap para a Fundação O Boticário levou um leão de bronze, assim como peça criada pela Duda Propaganda para o canal de televisão por assinatura ESPN.


A festa brasileira foi maior na categoria rádio. O Brasil conquistou seis leões na categoria Rádio. Foram dois de prata e quatro de bronze.A agência de publicidade mais premiada foi a JWT Curitiba, com um leão de prata e dois de bronze.A Fischer América conquistou dois leões, um de prata e outro de bronze. A MPM levou um de bronze. O Grand Prix do Radio Lions ficou com a DDB Chicago por campanha de oito spots da cerveja Bud Light.


A presidente da MPM, Bia Aydar, comemorou o leão conquistado por sua agência em dose dupla. O jingle de divulgação da Caninha 51 na Europa foi gravado em ritmo de bossa nova por sua filha, Mariana Aydar, que faz sucesso no circuito cult de Londres e Paris, cantando bossa nova. ‘Eu não poderia estar mais orgulhosa’, disse.


MÍDIA


Também ontem o Festival de Cannes divulgou os vencedores da categoria Media Lions, que premia os melhores casos de mídia. O Brasil conquistou um leão de prata nessa disputa, com o projeto de patrocínio ‘Coral paulistano’, criado pela JWT para as pastilhas Benalet, da Pfizer. O laboratório destinou 15% da sua verba de marketing da Benalet para patrocinar um coral de 44 cantores, que precisam estar com a garganta em ordem para não desafinar. ‘O que vence são projetos de fácil entendimento como esse’, disse Paulo Stephan, jurado brasileiro e diretor da agência Talent.


E a simplicidade parece ser a marca registrada do festival, por facilitar o entendimento das estratégia. Otávio Dias, presidente da Grey Zest e jurado brasileiro em Cannes da categoria de Lions Direct (Marketing Direto), diz que a simplicidade recebeu em troca leões na competição deste ano.


O leão brasileiro, de prata, dessa categoria foi conquistado pela curitibana Master para campanha criada para a empresa de controle de pragas D.D.Drin, que vendia os serviços por meio do número de telefone escrito na barriga de baratas plásticas colocadas nas portas de consumidores no Paraná. ‘Idéias simples conseguem grandes resultados’, disse Dias.’


***


Jovens talentos brasileiros no pódio do festival


‘Os publicitários Domênico Massareto (Africa), Caio Garofalo Mattoso (DM9DDB) e Sílvio Luiz Medeiros (JWT) conquistaram ontem o Cyber Lions da competição Young Creatives em Cannes. Os jovens talentos da publicidade brasileira competiram com jovens de outros 81 países. Os noruegueses ficaram em segundo lugar em Cyber, seguido dos alemães. Na categoria Press, os vencedores foram os poloneses, seguidos dos jovens da Nova Zelândia e da Argentina.


O trio brasileiro usou a imagem de um garoto africano com uma frase que pede ajuda para a Cruz Vermelha continuar investindo no encontro de familiares após conflitos de guerra. Incompleta, a frase só pode ser lida integralmente após a rolagem de uma linha vermelha horizontal. Uma outra linha vermelha, só que vertical, também deve ser arrastada para a leitura. Elas se encontram e formam a Cruz Vermelha.’


TELEVISÃO
Keila Jimenez


RedeTV! adia série


‘Ficaram para o próximo ano os planos da RedeTV! de produzir uma versão brasileira do seriado americano Desperate Housewives, exibido aqui pelo canal pago Sony. Batizada já de Donas de Casa Desesperadas, a atração terá 23 episódios com roteiro adaptado e elenco brasileiro, gravados em Buenos Aires, na produtora argentina Polka Producciones.


No lugar da versão, a emissora exibirá a primeira temporada do seriado original, em horário nobre, uma vez por semana. Desperate Housewives deve entrar na grade da emissora em setembro.


A RedeTV! pretendia iniciar a produção de seu seriado ainda este ano, mas o atraso nas gravações e a demora na escolha do elenco atravancaram o processo. A produção é uma parceria com a Disney, da qual fazem parte países como Argentina, México e Chile. Cada um deles, além do Brasil, terá sua versão do Desperate. O problema é que todas serão gravadas no mesmo local – na Argentina -, com o mesmo cenário aprovado pela Disney. Só mudam os atores. A produção argentina já teve suas gravações iniciadas. No México e no Chile, os elencos já foram escolhidos.


Juntos após 27 anos


Não, isso não é cena de novela da Globo. Irene Ravache e Fúlvio Stefanini atuaram juntos dias atrás – após 27 anos sem se encontrarem em um palco – em um congresso médico promovido pela Roche. A dupla interpretou um casal de médicos em um esquete no evento.


Xuxa completa 20 anos de Globo


Xuxa, que ainda se vê como a rainha dos baixinhos, completa neste mês 20 anos de Globo. A data será celebrada em outubro, sob o pretexto do Dia das Crianças, ou no próprio especial de Natal.


Na ocasião, será exibida uma edição das imagens que ela considera seus melhores momentos, sem dispensar os musicais. Jorge Fernando será o diretor do especial, com direito a convidados e profissionais que marcaram a trajetória da apresentadora. A pergunta é: será que Marlene Mattos será convidada. Orçamento inicial da festinha: R$ 5 milhões.’


************


Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 21 de junho de 2006


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Quase fechado


‘Chegou o dia 20 e o site Globo Online foi atrás de Lula, em Araucária, região metropolitana de Curitiba. Mas ainda não foi desta vez que a novela terminou:


– O presidente Lula disse que o acordo está ‘quase fechado’ com os japoneses. Segundo ele, o padrão não se resumirá à TV digital, com projeto nipo-brasileiro no qual ‘o país terá mais tecnologia agregada’.


O acordo envolve uma fábrica de semicondutores. Daí o quase, que angustia até o ex-blog de Cesar Maia.


Enquanto não vem o padrão japonês, a comunidade de tecnologia segue os primeiros passos da TV digital.


O blog de Silvio Meira saudou na semana passada a ‘primeira aplicação rodando no Brasil’, com o quarto canal da Globosat na Copa, apelidado de SporTV Interativo. É o 138 da Sky e da Net Digital.


Curiosamente, contrariando a argumentação toda que antecedeu a escolha do padrão, não se trata de alta definição. Explica o blogueiro:


– TV digital não é só alta definição. É muito mais a capacidade de criar comunidades ao redor de programas e aplicações, com o público interferindo nos acontecimentos da tela, o que muda para sempre a noção do que é TV.


Televisão vira internet.


Na internet sem padrão, o blog de Tiago Dória já avalia que, ‘se existe algo que vai marcar a cobertura da Copa, não serão blogs ou vazamento de imagens em fotologs’.


Os Jogos Olímpicos, dois anos atrás, viveram tal fenômeno. Agora, na Alemanha:


– O que vai marcar são as tentativas de usuários, cyber-ativistas e crackers de transmitir de graça e ao vivo a Copa do Mundo pela web. Os sites não param de surgir. Se um cai, outro aparece no lugar.


Para cada Coolstreaming ameaçado de processo, há um Streamick ou Webgate, um Wwitv ou Channel Chooser.


BLAIR, O COMENTARISTA


No Rio Grande do Sul, segundo a home do portal Terra, Lula saiu dizendo que ‘tem gente nervosa, mas eu faço política como o Ronaldinho Gaúcho, com alegria’.


E não é só político brasileiro que explora as estrelas da Copa. O ‘Guardian’ e outros noticiaram que o primeiro-ministro Tony Blair, ‘fã do Newcastle’, co-apresentou ‘o famoso programa 606’, na rádio BBC. E falou da ‘decisão difícil’ que é escolher entre Lampard e Gerrard, os meias ‘de classe mundial’ que ‘gostam de ir para a frente e marcar gols’, mas abrem a defesa. Entre um e outro, ele defendeu os dois, para a Inglaterra ‘brilhar’.


DEVASTAÇÃO


George W. Bush ligou para Lula ou vice-versa, segundo versões. E ‘pela primeira vez’, diz o ‘Valor’, o americano ‘não mostrou incômodo com a possibilidade de os líderes tomarem a frente nas discussões’ sobre comércio, como tanto quer o brasileiro. É que, como destacou no FT.com o colunista de economia de maior repercussão no eixo EUA-Europa, Martin Wolf, ‘a questão mais importante de Doha são as conseqüências devastadoras do fracasso’.


ACABA UMA CPI…


Não chegou à escalada de SBT e outros. À do ‘JN’, sim.


O blog de Ricardo Noblat anunciou, aparentando exaustão, ‘Acaba a CPI do Fim do Mundo’. Para ele, o relator ‘não cedeu à oposição’. Para William Bonner, ‘oposição derrota governo’.


… E COMEÇA OUTRA


O blog de Fernando Rodrigues está mais atento à próxima CPI, pós-Fim do Mundo mas já em conflito de batismo:


– O PT e partidos adjacentes insistem em chamar de CPI das Ambulâncias o que o mundo inteiro sabe que é a CPI dos Sanguessugas.’


CBS SEM DAN RATHER
Folha de S. Paulo


Dan Rather, um dos âncoras mais famosos da TV dos EUA, deixa rede CBS após 44 anos


‘Dan Rather, 74, um dos âncoras mais famosos da TV norte-americana, anunciou ontem que está deixando a CBS após 44 anos no jornalismo da emissora. Seu período final na rede foi obscurecido por um erro cometido em reportagem exibida no ‘CBS Evening News’ sobre a carreira militar do presidente George W. Bush.


Em nota, Rather disse que a saída ocorre após um ‘prolongado embate’ com a CBS. Ele estuda proposta da rede de alta definição HDNet.


Rather -que tinha contrato com a CBS, um dos três grandes canais abertos dos EUA, até novembro deste ano- deixou de ser âncora em março de 2005. Continuava na rede como repórter especial do ‘60 Minutes’ -mas, segundo o próprio jornalista, seus pedidos para cobrir eventos como o furacão Katrina, no ano passado, foram rejeitados pela CBS.


Entre os pontos altos de sua carreira estão as coberturas do assassinato do presidente John Kennedy em 1963 e o escândalo do Watergate. O modo duro de questionar entrevistados levou, em 1974, o então presidente Richard Nixon a perguntar a Rather se ele pretendia concorrer à Presidência. De bate-pronto, Rather retrucou: ‘Eu não, e o senhor?’.


Mas, em 2004, documentos que sustentavam uma reportagem sobre o suposto tratamento especial recebido por Bush quando estava no serviço militar se revelaram mais tarde dúbios.


O presidente da CBS News, Sean McManus, disse que, ‘de todos os nomes associados à rede, os maiores são [Edward R.] Murrow, [Walter] Cronkite e Rather’. Com agências internacionais’


TV DIGITAL
Folha de S. Paulo


Acordo de TV Digital com Japão está próximo, diz Lula


‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o governo brasileiro ‘está próximo de concluir’ o acordo com o Japão para adoção do padrão ISDB de TV Digital no Brasil. A declaração é mais um passo na confirmação da preferência no governo pela tecnologia japonesa, em detrimento da européia e da americana.


‘Estamos próximos de concluir, não está concluído ainda, mas há uma oferta da construção de um programa chamado ‘nipo-brasileiro de TV digital’, afirmou o presidente em discurso no evento de testes do diesel H-Bio, na Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), da Petrobras, em Araucária (PR).


‘Estamos nos reunindo com empresários e ministros japoneses nesta semana e, se isso der certo, não vamos apenas ter TV digital no Brasil, mas uma fábrica de semicondutores, o que significa um salto no desenvolvimento do país’, afirmou Lula. Ele disse que assistiu ao jogo do Brasil contra a Austrália, no domingo, em TV digital, mas não disse de que tecnologia.


Técnicos dos governos brasileiro e japonês e representantes do setor privado japonês passaram o dia reunidos ontem no Itamaraty.


Os japoneses já concordaram em absorver tecnologia e inovação brasileira no modelo a ser adotado no Brasil, mas ainda falta acertar detalhes técnicos e jurídicos que permitam oficializar a decisão, prevista para o dia 29.


Se os detalhes forem acertados, o anúncio será feito na próxima semana, quando está prevista a vista do ministro das Comunicações do Japão, Heizo Takaneka.


Uma das questões discutidas ontem foi a forma de incorporação da tecnologia brasileira nos aplicativos desenvolvidos conjuntamente. Isso preocupa porque o Japão já tem TV digital com sua própria tecnologia. Uma solução seria incorporar tecnologia brasileira aos produtos consumidos no Brasil e exportados à América Latina. O governo brasileiro, porém, quer garantir mercado em área maior.


Outro tema de discussão foi o desenvolvimento de um conversor de cerca de US$ 100, para que os consumidores pudessem receber imagens digitais em seus aparelhos sem precisar trocá-los.’


AGÊNCIA BRASIL
Sérgio Vinícius


Notícias do acervo da Radiobrás serão liberadas ao público


‘No próximo final de semana, a Radiobrás anunciará que todo o conteúdo produzido pela Agência Brasil, agência de notícias governamental, poderá ser adquirido, reproduzido e modificado livremente. O acervo completo de um dos maiores órgãos de comunicação do Brasil, que é o responsável pelo programa de rádio ‘A Voz do Brasil’, por exemplo, será licenciado sob a bandeira Creative Commons.


Textos, imagens, arquivos de áudio e filmes estarão disponíveis para os internautas utilizarem livremente no novo site da empresa (www.agenciabrasil.gov.br), com lançamento previsto para o dia 3 de julho. O visitante poderá, por exemplo, editar um pronunciamento e incluí-lo em um filme.


‘A Agência Brasil sempre possibilitou aos visitantes utilizar seu conteúdo’, disse Rodrigo Savazoni, redator-chefe da empresa. ‘Mas agora será permitida a criação de obras derivadas de nosso material e ainda a utilização comercial dele.’ A empresa BBC usa licença semelhante em seu conteúdo, mas não está sob a Creative Commons.


O anúncio oficial acontecerá no Rio de Janeiro, quando será realizado o evento iSummit 2006, de 23 a 25 de junho. Trata-se de um encontro cultural que debate propriedade intelectual. O evento é organizado pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro.


A Creative Commons (creativecommons.org) é uma organização que regulamenta licenças de produções intelectuais. Seus idealizadores acreditam que autores de obras podem decidir se elas serão ou não usadas ou alteradas. ‘Adotamos os princípios da licença de software livre e a aplicamos para outras áreas, como cultura. Assim nasceu a Creative Commons’, explicou Ronaldo Lemos, membro da Creative Commons.’


INTERNET
Folha de S. Paulo


Google Earth aprimora recursos 3D


‘O Google Earth (earth.google.com) está renovado. Na semana passada, a empresa lançou uma atualização do programa de mapas que permite localizar praticamente qualquer lugar do planeta por meio de imagens obtidas via satélite.


O maior destaque do Google Earth 4 é a total integração com o programa de modelagem 3D SketchUp (sketchup.google.com), que foi adquirido no começo do ano pelo Google. O software é gratuito e permite ao usuário criar novas edificações e depois aplicá-las aos mapas do Google Earth.


Outro ponto positivo da nova versão do programa é sua compatibilidade com sistemas Linux. Com isso, agora o Earth está presente nos três principais segmentos de computadores, baseados em Windows, em Macintosh e no sistema do pingüim. Ainda apostando na diversidade, a nova versão do programa está disponível em mais idiomas. O soft foi traduzido para o francês, o italiano, o alemão e o espanhol.


Com a versão 4 do Google Earth, foi atualizada também a API do Google Maps (maps.google.com), que permite a programadores implementar novas características ao programa. Isso facilita, por exemplo, a criação de mashups. Do ponto vista da navegação, o Google Earth também sofreu algumas alterações. A apresentação está mais limpa. A navegação, mais fácil. O programa também ganhou uma barra de ferramentas na parte superior do navegador. Além disso, agora a barra de navegação some quando ela não está em uso.


Por fim, o Google adicionou mais símbolos sobre os mapas, informando quando são mostradas escolas ou florestas.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Gamecorp, de Lulinha, negocia com rádio


‘A Gamecorp, que desde maio controla seis horas da programação da Play TV (antiga Rede 21, do grupo Bandeirantes), deve entrar em breve no mercado de rádio. A empresa tem como sócios a Telemar e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.


A até pouco tempo atrás desconhecida produtora de conteúdo sobre videogames está agora negociando uma parceria com a rádio 89 FM, que nos anos 90 foi uma das mais ouvidas de São Paulo. É possível que a FM (que já não tem mais o subtítulo ‘a rádio rock’) mude de nome para 89 Play. Sua programação está migrando para uma linha mais comercial de pop rock, visando resgatar o público adolescente.


A 89 FM pertence à família Camargo, mas desde o ano passado é gerida pelo grupo Bandeirantes. Segundo Neneto Camargo, vice-presidente de rádio da Bandeirantes, não há nenhum movimento de compra, por parte da Gamecorp, da concessão da rádio ou de horários em sua programação.


‘O grupo Bandeirantes terá o comando de tudo. Ainda estamos fazendo pesquisas, mas, se houver a possibilidade de fazer sinergia de programas da televisão [Play TV] e da rádio, vai ter [parceria com a Gamecorp]’, afirma Camargo.


André Vaisman, diretor de programação e produção da Play TV, que já supera no Ibope sua principal concorrente, a MTV, confirma o ‘projeto’.


GRAVAÇÃO SECRETA 1 Tony Ramos e o diretor Carlos Araújo passaram uma semana na Grécia gravando cenas finais do personagem Nikos na novela ‘Belíssima’. Eles retornaram ontem do país europeu. Pouquíssimas pessoas sabem o que foi gravado lá.


GRAVAÇÃO SECRETA 2 A Globo e o autor de ‘Belíssima’, Sílvio de Abreu, despistaram repórteres dizendo nos últimos dias que a viagem de Tony Ramos ainda estava sendo discutida internamente. Mas ele já estava na Grécia.


ESCALAÇÃO A modelo Mariana Weickert, que com Lobão e Marcelo Tas faz o ‘Saca-Rolha’, na Play TV, vai ancorar ao lado do locutor Nivaldo Prieto as transmissões do Miss Universo 2006, em 23 de julho, na Band.


VIDA DURA A Globo antecipou para 29 de setembro o retorno de ‘Minha Nada Mole Vida’, estrelado por Luiz Fernando Guimarães. As gravações dos seis episódios da nova temporada do humorístico começam em agosto.


PONTO É CULTURA A TV Cultura terceirizou a gestão do conteúdo de seu site na internet, aquele que esconde os comentários do ombudsman da emissora. A agência de marketing E/Ou assumiu o trabalho que era feito por três jornalistas. E está ‘inovando’ ao colocar ponto final em títulos.


JANELA CURTA O filme ‘Crash – No Limite’, vencedor do Oscar 2006 e até pouquíssimo tempo em cartaz nos cinemas de São Paulo, será a estrela da programação do Telecine em agosto.’


************


O Globo


Quarta-feira, 21 de junho de 2006


TELEVISÃO
Ana Cecília Santos


Imagem enganosa na venda de TV de plasma


‘As propagandas de venda das TVs de plasma estão induzindo os consumidores a erro porque não alertam para dois graves problemas tecnológicos. Como o televisor é digital e o Brasil tem um sistema analógico, a imagem neste tipo de aparelho fica distorcida. Além disso, ao ligar a TV digital nos canais abertos por mais de duas horas, a imagem fica com duas tarjas pretas, que mancham permanentemente a tela de plasma. Para resolver a questão, o Ministério Público do Rio e a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) se articularam para obrigar os fabricantes a informarem corretamente o consumidor sobre a incompatibilidade de sistemas que resulta em queda da qualidade da imagem.


A Alerj obteve uma liminar na última terça-feira que obriga os fabricantes a informarem claramente aos consumidores que a imagem só é perfeita se for digital. A decisão também suspende todas as publicidades relacionadas à venda das TVs digitais até que os devidos esclarecimentos sejam prestados. O descumprimento da liminar implica em multa diária de até R$ 100 mil. A ação coletiva, com pedido de liminar, foi proposta pela Comissão da Alerj contra Samsung, Phillips, Panasonic, LG, Sony e Gradiente.


A Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) informou que está definindo um protocolo de procedimento para dar esclarecimentos adicionais aos consumidores a respeito da qualidade da imagem das TVs de plasma. Segundo a entidade, a decisão foi tomada antes da ação impetrada pela Alerj. A Gradiente, que não é associada à Eletros, informou que seus televisores de Plasma são compatíveis com as transmissões analógicas, assim como digitais, por meio de um decodificador externo. A empresa informou que ainda não foi intimada na ação da Alerj.


A TV de plasma tem formato wide (16:9), compatível com o sinal da TV digital e DVDs, enquanto as imagens analógicas dos canais abertos tem formato 4:3 (quadrado), o que resulta na incompatibilidade. Em uma TV de 42 polegadas, por exemplo, para a imagem ficar normal, é preciso reduzi-la a 29 polegadas.


A Eletros assinou com o Ministério Público do Rio um termo de ajuste de conduta pelo qual os fabricantes se comprometem a informar adequadamente aos consumidores sobre o problema de qualidade da imagem:


– Eles têm que informar adequadamente os consumidores para que estes não comprem o produto sem saber dos problemas técnicos – disse o promotor Rodrigo Terra, da promotoria da Defesa do Consumidor do MP.


Pelo termo, os fabricantes se comprometem a destacar as informações em relação aos sistemas de recepção, bem como ao formato, inclusive no ponto de venda. A medida, no entanto, não resolve a questão para quem já comprou a TV de plasma. Por causa disso, a Comissão da Alerj pretende pedir na ação que as empresas também sejam obrigadas a indenizar os consumidores lesados.


– As publicidades nunca informaram sobre os problemas, portanto, cabe a reparação dos danos de quem foi prejudicado pela falta de informação – esclarece a deputada Cidinha Campos, presidente da Comissão da Alerj.


Segundo ela, nos pontos de venda das TVs de plasma, os fabricantes exibem sempre imagens perfeitas nos aparelhos porque reproduzem gravações de DVD, que são digitais, e não o sinal da TV aberta:


– O consumidor que compra o aparelho acaba frustrado porque descobre que não pode usufruir da melhor imagem diante da má qualidade e dos danos que o aparelho sofre com a incompatibilidade técnica.’


************


Revista do Brasil


Quarta-feira, 21 de junho de 2006


CRISE POLÍTICA
Bernardo Kucinski


Confusão na crise do mensalão


‘Boa parte da população acha mesmo que houve corrupção, mas não está claro como aconteceu. A confusão foi produzida pela própria mídia, ávida por denúncias e mais empenhada em incriminar do que em investigar. A começar pelo próprio nome – ‘mensalão’ -, que se impôs pela repetição, como uma marca, e acabou virando seção fixa de jornal. Deputados passaram a ser chamados genericamente de ‘mensaleiros’. Ocorre que nunca foi provada uma relação entre pagamentos regulares e votações de deputados a favor do governo.


Jornalistas e oposição ignoraram até mesmo as questões do senso comum: 1) Por que pagar ‘mensalão’ a sete deputados do PT que já votam com o governo? 2) Por que deputados foram ao Banco Rural apenas uma ou no máximo três vezes, se era um ‘mensalão’? 3) Por que o governo teve dificuldade em aprovar projetos se estava pagando ‘mensalão’ para que fossem aprovadas? 4) Por que pagar ‘mensalão’ a um deputado como Roberto Brant, do PFL, opositor ferrenho do governo?


O noticiário omitiu sistematicamente que as empresas de propaganda ficam com apenas 15% a 20% do dinheiro que recebem dos clientes para o pagamento das campanhas na mídia.


Quando a Veja noticiou que empresas de Duda Mendonça receberam R$ 700 milhões em cinco anos, nunca esclareceu que, de cada R$ 100 recebidos, cerca de R$ 80 ficam para o veículo onde foi feito o anúncio. A própria Veja e outros veículos da Abril, por exemplo, faturaram R$ 11 milhões em anúncios via Duda Mendonça.


CPI e mídia acusaram fundos de pensão de desvio de dinheiro para o ‘valerioduto’. Os fundos, que gerem centenas de bilhões de reais, contestam. ‘A imprensa preferiu fontes desqualificadas que alimentaram a desinformação’, diz o presidente do fundo Petros, Wagner Pinheiro.


OS MECANISMOS DO LINCHAMENTO PELA MÍDIA


1. A mídia foi pautada diariamente pela oposição: acusações verbalizadas pela oposição de tarde, viravam manchetes factuais no dia seguinte.


2. Acusações que deveriam ser ponto de partida para uma investigação jornalística eram publicadas sem checagem. Bastava usar termos como ‘suposto’, como observou Carlos Heitor Cony.


3. Os acusados não eram procurados para se defender e, quando eram, suas explicações eram tratadas com sarcasmo.


4. Surgiu um novo modo narrativo: basta ser indiciado para ser tratado como criminoso, mesmo que a acusação ainda esteja sujeita a ser rejeitada pela Justiça;


5. Nessa nova forma narrativa, escreveu o jornalista Carlos Brickman ‘qualquer medida judicial em favor de réus é chicana’ e ‘qualquer absolvição é pizza, independente de prova’. Qualquer declaração do acusador é, em princípio, aceita como verdade…


6. Nessa nova narrativa predominou a malícia. Em vez de elucidar os fatos, contextualizando-os e hierarquizando-os, optou-se pela desinformação e a suspeição.


7. Todo o fogo era dirigido apenas contra o PT. A grande imprensa ignorou, por exemplo, as denúncias contra o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, à lista dos doadores de Furnas. Ignorou ou relegou a segundo plano que o ‘valerioduto’ foi criado pelo PSDB para a campanha de 1998 de Eduardo Azeredo, em Minas Gerais.


8. Palavras pesadas foram usadas com freqüência, sem pudor: ‘Palocci, estuprador de contas bancárias’ (Augusto Nunes, no JB); ‘Lula, chefe da quadrilha’ (Correio Braziliense); Ali Dirceu e os 40 ladrões’(idem).


9. Foi desencadeada uma perseguição incessante aos familiares de Lula e aos chamados ‘amigos de Lula’, com arbitrária violação da vida pessoal.


10. Legitimou-se a linguagem preconceituosa contra Lula, inclusive por colunistas importantes; alguns jornalistas especializaram-se em descobrir em todas as falas de Lula uma ‘gafe’.


11. Os meios de comunicação concentraram toda a cobertura na crise, desprezando acontecimentos importantes; Istoé deu 14 capas seguidas de crise; Veja deu mais de 20.


12. Depoimentos nas CPIs eram ignorados quando derrubavam acusações contra o governo.


13. Criou-se uma modalidade virulenta de jornalismo. Veja deu capas associan do o PT a animais (rato, burro), imagens posteriormente recicladas por articulistas na própria Veja e em outros veículos. Os nazistas fizeram isso com os judeus com o objetivo de derrubar toda e qualquer barreira psicológica ao seu extermínio.


14. Houve a ‘a tragédia da condenação sem julgamento’, como disse em sua defesa o deputado do PFL Roberto Brant. Nenhum julgamento foi ainda feito na Justiça, mas na mídia e no imaginário social já estão todos condenados e suas imagens e reputações destruídas. Deu-se um linchamento midiático.


* Bernardo Kucinski é professor licenciado da ECA/USP, autor de vários livros sobre jornalismo e assessor da Presidência da República’


************