Saturday, 15 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

O descrédito das oligarquias

O disfarce da velha mídia brasileira não esconde seu caráter obsoleto. Apenas reveste com a abjeta seda do egocentrismo as opiniões de jornalistas afeitos à mania de caluniar, denegrir personalidades políticas, criticar ao acaso, maquinar factoides e distribuir vitupérios contra o governo ou seus simpatizantes, como se na verdade fossem porta-vozes da oposição. É impossível negar que a decadência da velha mídia começou há muito tempo, desde o momento em que se aliaram à ditadura contra a democracia, numa demonstração despótica de quem abdicava da defensoria ao povo para pactuar com seu inimigo.

A história recompõe fato por fato o quão arbitrária e devastadora foi a atitude da velha mídia quando ousaram criticá-la nos momentos em que os generais regozijavam-se sob sua tutela; e o regozijo foi recíproco. Verdadeiros impérios de comunicação foram erguidos com o alicerce torpe do favorecimento, do acordo obscuro, da palavra acima da lei. Coronéis nordestinos, oligarcas do sudeste e marajás do norte fundaram antes de tudo monopólios de informação. O que figurava na retina dos dominadores como o auge de uma mídia estridulante, capaz de mantê-los no poder por tempo indeterminado – e até agora conseguiram –, foi na verdade o princípio do fim.

Será que o Código de Ética dos Jornalistas brasileiros está pregado nas paredes das redações dessas empresas viciadas? E se estiver, será que o 1º parágrafo do 2º artigo foi suprimido? Quando se diz que “a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores” é apenas para ilustrar um utópico código de ética profissional ou para realmente executá-lo?

O que sobra

O desserviço que estes jornalistas têm prestado através da voz e das palavras, o desserviço que suas empresas têm apresentado por vários motivos, os mais suspeitos possíveis, quebram uma convenção tradicionalista e muito nobre do verdadeiro jornalismo, que é a ideia do “quarto poder da República”. Nunca estiveram tão distantes deste poderio profissionais capazes de ferir um código de ética, renunciar ao povo por sua escolha política e compor verdadeiras melopeias fastidiosas.

O que sobra do império em plena extinção é a ruína: são menos assinantes, declínio considerável nas publicações, descrédito total diante da opinião pública, e ainda assim uma repetição escavada sobre os próprios erros.

A velha mídia foi aplacada por uma brutal cegueira que a impediu de enxergar seu verdadeiro caminho. Retomar o poder ou auxiliar seus preferidos até ele tornou-se estigma, chaga viva e o mais absurdo desejo nas redações pelo país afora. Em troca disso perdeu-se qualidade, assinantes, telespectadores, credibilidade.

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[Mailson Ramos é estudante, Salvador, BA]