Thursday, 25 de April de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1284

Programa formou alguns dos melhores jornalistas da casa

O programa de treinamento da Folha e de outros veículos jornalísticos brasileiros foi em parte decorrência do fato de eles se terem dado conta de que das faculdades de comunicação estavam saindo graduados que, em grande parte, não tinham condições técnicas para desempenhar bem as funções que lhes seriam exigidas nas Redações.

Em parte, também, foi uma atitude “político-ideológica” condizente com a batalha que se travava na década de 1980 sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

Ao chamar para si parte da formação de seus próprios repórteres e redatores, as empresas deixavam claro que as escolas não eram capazes de fazê-lo por si só, o que servia de argumento contra a exigência do diploma.

O programa da Folha pode ser avaliado como bem-sucedido. Ele sempre foi arrojado em termos de proposta e bem organizado do ponto de vista pedagógico. Ajudou a formar alguns dos melhores jornalistas que passaram pela Redação ao longo deste quarto de século.

Vontade política

O mérito principal, sem dúvida, deve ser atribuído aos ótimos jornalistas que o coordenaram neste período, como Artur Ribeiro Neto, Leão Serva, Ana Frommer, Marilia Scalzo, Márion Strecker, Kátia Militello, Paula Cesarino Costa, Sandra Muraki, Marcelo Leite, Ana Estela de Sousa Pinto e outros.

Mas também é preciso ressaltar a coragem e visão da empresa, que levou a sério esse tema, a ponto de escalar profissionais do gabarito dos que comandaram o processo e de investir recursos significativos nos cursos internos e em bolsas e licenças para quem precisasse estudar ou pesquisar fora de São Paulo (a iniciativa dos sabáticos se insere nessa lógica).

Claro que muito mais poderia ter sido realizado. A Folha tem todas as condições de fazer no Brasil o que o “St. Petersburg Times” fez nos EUA com o Poynter Institute.

Talvez tenham faltado condições materiais ou vontade política para que isso tivesse ocorrido nestes 25 anos. Mas ainda há tempo para tanto e o que foi feito até agora não é desprezível.

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Carlos Eduardo Lins da Silva é ex-secretário de Redação da Folha e atual editor da revista Política Externa