Thursday, 13 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1291

Humberto Medina

O governo economizou aproximadamente R$ 28,5 milhões em 2004 com a adoção de software livre. O valor, apurado pelo Comitê Técnico de Implantação do Software Livre (CISL), se refere ao que deixou de ser gasto com licenças de softwares proprietários (que exigem pagamento para uso e não permitem modificações e cópias).

A economia representa de 7% a 9,5% do gasto anual do governo federal com pagamento de licenças, que é estimado entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões.

Nos próximos três anos, a expectativa do ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, ligado à Casa Civil) é que se possa chegar a economizar até 80% do que o governo gasta com licenças, caso haja verba suficiente para treinamento.

O ITI defende que haja um programa específico no PPA (Plano Plurianual) para implantação do programa de software livre. Seriam gastos aproximadamente R$ 200 milhões em três anos.

A Microsoft, principal fornecedora de software do mundo (e do governo brasileiro), foi procurada durante três semanas para comentar a questão, mas preferiu não se pronunciar. O fundador da empresa, Bill Gates, chegou a tentar um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Davos neste ano para debater o tema. O encontro não ocorreu.

A adoção do software livre pelo governo federal foi definida como política pública em 2003, mas poderá virar obrigação neste ano, como a edição de decreto. Atualmente, não há determinação legal que obrigue os órgãos públicos federais a usar software livre.

O decreto, em estudo na Casa Civil, estabelece que o governo federal usará software livre nos seus aplicativos (programas de computador) básicos. A partir daí, todos os órgãos do governo federal terão que usar software livre e não poderão mais comprar licenças para usar software proprietário.

O texto do decreto em estudo estabelece que poderá haver exceção para uso de software proprietário, mas apenas com uma decisão do ministro responsável pelo órgão, caso não haja possibilidade técnica de usar o software livre.

De acordo com Sérgio Amadeu, diretor-presidente do ITI, o objetivo do governo ao adotar software livre é conseguir mais estabilidade e segurança no uso dos programas, além de independência em relação a fornecedores.

Amadeu explicou que, ao comprar um software proprietário (de código fechado), o governo não tem como saber como funciona o programa e que falhas de segurança (‘backdoors’) ele tem. Essas falhas podem permitir que outras pessoas, empresas ou países tenham acesso a informações estratégicas do governo brasileiro.

Segundo o diretor-presidente do ITI, havia praticamente uma situação de reserva de mercado em 2003. ‘As licitações acabavam sendo dirigidas, porque o governo comprava a máquina e já especificava os tipos de software que queria instalados’, disse.

Amadeu avalia que a economia de R$ 28,5 milhões apontada pelo CISL possa ser maior, porque houve órgãos que não responderam à pesquisa. Ele estima que, a cada grupo de dez computadores do governo federal, gastem-se cerca de R$ 11 mil em licenças.

Para ele, no entanto, a economia de dinheiro com pagamento de licença não é o principal, e sim a maneira como o dinheiro é gasto. ‘Quero deixar de pagar em licença e pagar por serviços’, disse.

Ou seja, segundo ele, o mais importante não seria economizar o dinheiro para simplesmente poupá-lo, e sim usá-lo para, por exemplo, treinar e capacitar o quadro técnico do governo para usar software livre.

A pesquisa feita pelo CISL aponta alguns entraves em relação ao uso de software livre no governo federal. Os dois principais problemas para o uso do software livre são: capacitação dos funcionários, que exige tempo e dinheiro em treinamento, e o que se chama tecnicamente de ‘legados’.

Os legados são os programas e arquivos de informações elaborados com base em softwares proprietários e que não podem ser executados nos softwares livres. Para contornar esse problema, é preciso investir para chegar a soluções técnicas alternativas.’



INTERNET
Fernando Badô

‘Google lança versão final de buscador’, copyright Folha de S. Paulo, 16/03/05

‘O Google (www.google.com) pôs no ar, na semana passada, a versão final de sua ferramenta de buscas no disco rígido. A versão de testes estava no ar desde outubro do ano passado.

Os pequenos detalhes inseridos na versão final podem fazer a diferença na guerra pela preferência dos internautas, travada entre o Google e os rivais Yahoo! (www.yahoo.com) e MSN (www.msn.com), que também têm ferramentas de busca pessoal e oferecem recursos exclusivos.

Executivos da empresa gostam de repetir que usar o programa é ‘como ter uma memória fotográfica dentro do seu computador’. A frase foi dita na semana passada pelo vice-presidente de gerenciamento de produtos, Jonathan Rosemberg. Há seis meses, no lançamento da versão beta, a diretora para produtos de web, Marissa Mayer, disse a mesma coisa.

De fato, o software é útil para quem não é muito organizado na hora de armazenar arquivos.

Disponível para download em desktop.google.com (724 Kbytes), a nova ferramenta do Google é compatível com os navegadores de internet Firefox e Netscape, o que seus concorrentes não são. Isso é uma vantagem, já que os programas, juntamente com o Internet Explorer, são utilizados por quase a totalidade dos internautas do mundo.

O Google Desktop Search 1.0 também inclui novos tipos de arquivos na busca. A versão anterior não localizava arquivos de áudio, vídeo, imagens e PDF. Isso foi corrigido.

O usuário tem a opção de deixar a janela do campo de buscas presa na barra inferior do Windows (opção Deskbar) ou livre para ser movimentada por qualquer parte da tela (opção Floating Deskbar).

Na primeira execução, o programa precisa fazer uma indexação, ou seja, ler o disco rígido. O tempo para essa tarefa varia de acordo com o tamanho do disco rígido e o espaço ocupado, mas pode levar horas.

Depois desse inconveniente -que os rivais também apresentam- qualquer busca realizada, inclusive no próprio site do Google, já aponta resultados de arquivos contidos no disco rígido.

Em testes, ele se mostrou mais eficiente para localizar um e-mail do que a ferramenta de busca do Outlook Express. O resultado do Google Desktop Search é instantâneo. O Outlook leva vários minutos, dependendo da quantidade de e-mails armazenados.

Para refinar a busca por um e-mail basta usar alguns comandos intuitivos. Digite ‘subject:’ mais a palavra-chave para encontrar por título. Se quiser encontrar por remetente, digite ‘from:’ mais o nome em questão.

Ele continua sem a interface agradável da ferramenta do Yahoo! e sem integrar os diferentes serviços do Google como faz a MSN Toolbar Suite, mas é mais leve -portanto, fácil de baixar mesmo com conexão discada.

Personalização

O Google News (news.google.com) também passa a oferecer um novo recurso. Os internautas podem personalizar a página inicial, colocando assuntos que mais os interessam em destaque.’



Mariana Barros

‘Ferramenta do Yahoo! Brasil localiza vídeos’, copyright Folha de S. Paulo, 16/03/05

‘O recurso de busca por vídeos do portal Yahoo!, que desde janeiro está disponível em inglês, ganhou uma versão brasileira (www.yahoo.com.br).

Os resultados trazem reportagens, documentários, filmes publicitários, trailers de cinema e clipes de todo o mundo. O usuário pode especificar a duração e o formato dos arquivos -há vídeos em AVI, MPEG, Quicktime, Windows Media e RealVideo- e ativar um filtro antipornografia.

A pesquisa é feita por palavras-chave e apresenta janelas com imagens congeladas. Basta clicar sobre a escolhida para assistir ao vídeo.

Olhos puxados

A Mozilla Foundation anunciou a criação de uma filial chinesa para desenvolver seus softwares, como o navegador Firefox, no país.

A unidade, que tem apoio da Sun, é a terceira sucursal da fundação, que já chegou à Europa e ao Japão.’



Mario Lima Cavalcanti

‘Google News ainda mais turbinado’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 15/03/05

‘A ferramenta de busca mais acessada da Web têm conseguido unir o que de melhor sabe fazer (varrer a Internet) a outros tipos de serviço, como notícias, e-mail ou grupos de discussão. Um dos seus mais recentes filhos, o Google News — a, digamos, seção de notícias do Google –, deu mais um bom pulo em termos de customização e interatividade quando começou a permitir aos usuários, desde a semana passada, montar sua própria página inicial, baseando-se não só em editorias padrões como também em novas que podem ser criadas.

Vale resgatar, para quem não conhece o serviço, que, na época em que foi lançado, no final de 2002, o Google News gerou muita polêmica, por ser um veículo com uma estrutura criada para se auto alimentar e se auto diagramar. As manchetes exibidas na página inicial do Google News são selecionadas inteiramente a partir de um cálculo matemático, que se baseia em como e onde as notícias aparecem na Web. Em outras palavras, não existem editores em carne e osso e serviço organizando manchetes ou decidindo qual história merece mais destaque. Chegaram a pensar até na extinçao dos editores-chefes.

Entretanto, o Google News (ou, como o Washington Post se refere a ele, ‘o entregador de jornais mais ocupado da Internet’, que varre, segundo a assessoria de imprensa do servico, pelo menos 4.500 veículos/fontes pela Web), antes que uma ameaça — e sem tirar a importância da participação de uma pessoa em um processo de seleção de notícias –, deve ser encarado como uma ferramenta de auxílio a usuários envolvidos em pesquisas e a nós profissionais de Comunicação; como mais uma ferramenta que, assim como o RSS, permita um acesso rapido à informações.

Mas deixando um pouco a polêmica de lado e pensando o Google News como um serviço de informação, a partir do novo recurso de customização o internauta pode montar uma página com novas editorias criadas a partir de palavras-chave. Isso mesmo. O usuário pode criar uma ‘editoria’ que, por exemplo, exiba notícias relacionadas somente sobre o presidente Lula, sobre o Sri Lanka, sobre racismo ou sobre aquela banda nova da Inglaterra que está começando a fazer sucesso pelo mundo. E isso com uma interface bem simples e amigável.

Como teste, criei uma seção/editoria chamada ‘Racismo’, baseada nas palavras-chave ‘racism’ e ‘racismo’. Ao clicar na nova seção, as primeiras notícias exibidas — todas batendo 100% com o que eu esperava ler — eram de em média 5 horas atrás. Havia uma notícia que estava a cerca de meia hora no ar. Questões relacionadas a imediatismo à parte, o que mais me atraiu foi a qualidade do resultado da busca, apesar do que não posso garantir que outros resultados sejam tão precisos quanto esse e nem que tragam o que de mais importante aconteceu no setor em questão.

Contudo, repito, como ferramenta de informação e de auxílio em pesquisas; ou para quem trabalha com clippings, o Google News pode ser uma grande ajuda. Até a próxima!’



Robson Pereira

‘TV pirata ganha força na internet’, copyright O Estado de S. Paulo, 16/03/05

‘Depois das gravadoras e do cinema, chegou a vez da televisão enfrentar o fantasma da distribuição não autorizada de conteúdos. Não importa se é a nova temporada da série que acabou de estrear nos Estados Unidos, um episódio dos Simpsons ou um enfadonho VT de um clássico qualquer do futebol inglês. Tudo trafega livre e gratuitamente pela internet uma ou duas horas após a exibição na TV.

Basta uma boa conexão de acesso e meia dúzia de cliques para que o seu programa favorito apareça na tela do seu computador, como num passe de mágica, com imagens e som de altíssima qualidade. É mais fácil achar e baixar pela internet do que se entender com as teclas do velho e bom videocassete para gravar aquilo que não será possível assistir ao vivo.

Os executivos da telinha provavelmente já sabem, mas não custa repetir: a TV pirata chegou e com ela os mesmos problemas vividos pelo cinema e pelas gravadoras com o derrame de músicas e filmes pela web. No ano passado, o download ilegal de programas de TV cresceu 150% em relação ao ano anterior e 2005 vai na mesma direção. A oferta é tanta que ameaça provocar congestionamentos na web.

Para os incansáveis advogados do setor, o inimigo da vez tem nome e sobrenome. Chama-se Bram Cohen (http://bitconjurer.org/), um programador californiano, portador de Síndrome de Asperger (uma variante do autismo) e criador do BitTorrent, uma ferramenta que torna extremamente fácil e eficiente o tráfego de grandes arquivos pela internet.

O programa – na verdade, um simples protocolo – chegou à web no fim de 2001, quando baixar vídeos pela internet ainda era um exercício de paciência e uma ameaça remota a Hollywood. Acontece que muita coisa mudou, desde então. Com a banda larga cada vez mais generosa, os códigos escritos pelo jovem autista, na época com 25 anos, deixaram de ser uma promissora novidade e acabaram por revolucionar o tráfego pesado pela rede. Hoje, o BitTorrent gerencia e orienta um terço do que circula pela web.

Nem tudo que traz a extensão .torrent é ilegal e não há o menor indício de que tenha sido criado para isso. Várias empresas e programadores usam o protocolo para enviar ou receber arquivos gigantescos de uma forma prática, segura e extremamente veloz. Mas não dá para ignorar a importância e a influência do BitTorrent na distribuição de conteúdos não autorizados. A estimativa é de que 70% do dowload ilegal de programas de TV na web são gerenciados e efetivados a partir do programa criado por Cohen.

A indústria cinematográfica já começou a agir, seguindo o mesmo roteiro de anos atrás, quando o Napster era o grande inimigo do setor. Como não podem banir o BitTorrent – um programa legal e de utilidade inquestionável -, partiram direto para o que consideram o ninho da pirataria. De uma só tacada, conseguiram na Justiça autorização para fechar uma dúzia de sites considerados verdadeiros paraísos de distribuição de conteúdos piratas.

Nomes como Suprnova, LokiTorrent, Torrentz, TorrentBits, Demonoid, TorrentBox e Muff Torrent, entre outros, deixaram de existir nas últimas semanas, mas foram logo substituídos por dezenas de outros onde o download de filmes e programas de TV corre solto.

Na madrugada de sábado, no Torrentbits.org, por exemplo, 123 mil usuários participavam de uma animadíssima sessão de compartilhamento de centenas de programas dos mais variados tipos e propósitos. No TVtorrents, especializado nos últimos episódios de séries atualmente exibidas pela TV americana, anotei 58.555 pessoas trocando arquivos de forma simultânea, incluindo 134 fãs de The Apprentice, com Donald Trump no papel principal. No Tv-Swarm, as séries Lost, The OC, Stargate e Smallville eram disputadas por quase 60 mil usuários. No Torrent Spy, as estatísticas indicavam a presença de 58.465 arquivos compartilhados por 360.029 usuários.

Toneladas de arquivos também estavam expostas e disponíveis no The Pirate Bay, um site que faz juz ao nome: tem de tudo ali, desde o mais recente lançamento da indústria de videogames, até a entrevista do filósofo da vez exibida poucas horas antes pela TV francesa. Foi ali, na Baía Pirata, que decidi arriscar e baixar 380 MB do VT de Lazio e Internazionale pela 28.ª rodada do campeonato italiano, disputada à tarde no Estádio Olímpico de Roma. Perda de tempo, é claro, para mim e três outros usuários anônimos que tiveram a mesma idéia. Mas não é disso que estamos falando, certo?’