Saturday, 25 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1289

O custo do político brasileiro

Com a discussão de que os servidores do Congresso podem receber o limite do teto de R$26 mil, recentemente o Bom Dia Brasil, da TV Globo, divulgou estudo do instituto Organização Transparência Brasil que ressalta o custo dos parlamentares brasileiros. Ficaremos somente nos federais. E olha que os números são fortes. Segundo o instituto, o minuto trabalhado por político brasileiro não sai por menos que R$ 11.545. São os mais caros do mundo, segundo o mesmo instituto. Anualmente, custa ao contribuinte R$ 33 milhões o trabalho de um único senador e cada deputado federal custa ao contribuinte R$ 6,6 milhões.

Em todo o mundo, os custos com o parlamento ficam sempre com o contribuinte. A questão é se esse pagamento por parte do cidadão retorna em boa qualidade de serviços ao cidadão. Ou seja: se o cidadão possui uma educação, uma saúde, uma segurança, transportes públicos de qualidade excelente. Se não, pode ser um dinheiro jogado fora com corrupção e desvio de verbas. Verbas desviadas são iguais à falta de investimento em saúde, educação, transporte público, segurança etc. Conforme a Folha revelou, a perda do país com corrupção no período de 2002 até 2008 foi de R$ 40 bilhões. Segundo o jornal, esses valores significam uma perda de R$ 40 bilhões em corrupção a cada sete anos.

Em comparação com outros países, o Brasil gasta com cada parlamentar R$ 10, 2 mi; a Itália, R$ 3,9 mi; a França, R$ 2,8 mi; a Espanha, R$ 850 mil e a Argentina, R$ 1,3 mi. O Brasil é o país que mais gasta com parlamentares, mas o que menos gasta com condições dignas de humanidade para sua população.

Impactos da corrupção

Números que somente salientam um ingrediente a mais na corrupção no desvio de verbas, seja na faxina feita pela presidente Dilma Rousseff, que demitiu cinco ministros em seu primeiro ano de governo, no caso de Paulo Maluf, com obras manufaturadas na cidade de São Paulo, no caso de Rocha Mattos, juiz que vendia sentenças, ou do juiz Nicolau dos Santos Netto, o Lalau, que desviou dinheiro das obras do TER (Tribunal Regional Eleitoral).

Políticos têm seus mandatos cassados; quando ministros, são demitidos, mas não são punidos. Não são presos e nem devolvem o dinheiro roubado. A constituição diz que “todos são iguais perante a lei”, mas na prática, como diz a brilhante Eliane Cantanhêde, colunista desta Folha “todo mundo diz aqui no Brasil que a justiça penal é pra pobre e a justiça cível é pra rico”. Essa é a dura e triste realidade, e não o que diz a Carta Magna.

Neste país, se gastam milhões com Copa do Mundo, com outras modalidades esportivas, mas não se gasta um terço desse montante com educação, saúde, recuperação de dependentes químicos, acesso gratuito e de qualidade a todas as especialidades médicas, além de nutricionistas, dentistas e psicólogos. A greve dos professores em Minas Gerais e dos Correios demonstrou com muita clareza e tristeza essa realidade que o governo federal e os governadores escondem.

Os números são fortes, sim, mas ainda mais fortes são os impactos da corrupção quando procuramos por um serviço público de saúde, seja num hospital ou numa escola. E sua excelência, o leitor, concorda ou não?

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[Diogo Molina é autor de O Exorcista – Um Clássico do Cinema de Terror e estudante]