Saturday, 20 de April de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1284

A salvação também depende da publicidade

Com o advento de diversas mídias (TV, rádio e internet), o jornalismo impresso foi perdendo o seu espaço. O dinamismo dos novos meios de comunicação acabou por deixar o impresso para trás devido à instantaneidade das informações. Desta forma, a queda de vendas do impresso foi imediata e muitas outras consequências foram aparecendo com o tempo. Dado isto, uma pergunta surge: quais as alternativas para manter o jornalismo impresso?

Apesar do descenso em que se encontra, o jornal impresso possui uma credibilidade inabalável e leitores muito fiéis. Contudo, estes já não são mais a maioria. A geração atual tem como costume buscar notícias na internet, pois neste meio, diferentemente do impresso, as informações estão sempre sendo atualizadas e, portanto, não contam somente com conteúdos velhos. Mesmo com tudo isso, o número de leitores do jornal “vivo” ainda é bastante considerável. Por isso é necessária a sua manutenção. Pois excluindo-o, diversos leitores seriam perdidos.

Contudo, para mantê-lo muitas alterações devem ser feitas. Desde questões estruturais do próprio jornal e questões sustentáveis, dado o fato de que para manter o jornal impresso são necessárias folhas, sendo as mesmas produzidas por árvores. Há muito dinheiro e questões intrínsecas envolvidas para a manutenção desse tipo de negócio que, com o passar do tempo, vai ficando cada vez mais obsoleto. Muitas mudanças podem ser feitas com o objetivo de manter o jornalismo impresso. E para isso não será necessário abrir um embate com as outras mídias, e sim, corrigir e reformular alguns preceitos.

Uma solução simples

De uns anos para cá, os jornais considerados “populares” (focados nas classes B e C) têm obtido mais êxito que os jornais focados na classe A, por exemplo. E a grande diferença entre esses dois tipos de jornais está em coisas como design, abordagem do conteúdo e tamanho das notícias, entre outras coisas. Dado isso podemos ver que a geração atual que ainda consome o jornal impresso, em sua grande maioria opta pela objetividade. Notícias rápidas que não tomarão muito tempo do seu dia. Outro ponto é o custo da produção, que tem sido maior que lucro. Muitos estudos apontam de que o número de leitores do jornal impresso aumentou; contudo o número de leitores elevou-se devido ao maior número de títulos disponíveis. Quanto mais jornais, mas leitores em geral. Contudo, a questão do engajamento é desconsiderada. Pois, se analisados individualmente os jornais, veremos que o número de leitores caiu e muito. Ou seja, essa constatação torna-se ilusória.

Agora saindo da teoria para a prática, muitos desses problemas podem conter simples soluções. Manter um jornal impresso é caro. A produção é cara. Contudo, a tendência é de que cada vez mais os publicitários sejam inclusos no jornalismo. E a maneira de chamar os publicitários já seria sanando outro problema da maioria dos impressos: a estrutura. Um design mais compactado, aproveitando que a tendência do leitor é de querer textos mais objetivos, é uma grande alternativa. Dar um toque mais moderno ao jornal, com diagramação diferenciada e mais cores, para dar maior vivacidade ao impresso. E assim também aproveitar e repensar as linhas editorias. Pensar em seções mais específicas, focadas em determinados nichos que possam se interessar em consumir determinado conteúdo.

Fazendo tudo isso, o mercado publicitário entraria mais na causa de manter o impresso, pois veria nele uma alternativa de reinventar, fazer algo novo. E para atrair o público de volta, estimular os mesmos a participar da produção do jornal seria um ótimo método. Destarte o leitor se sentiria valorizado e pagaria por determinado conteúdo. Estimular a participação do leitor com sugestões de pauta é valoriza-lo. É fazer um jornal de acordo com as necessidades do público. Em tempos de crise, a solução para ela em determinados setores é mais simples do que se imagina.

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Wesley Machado Dias é estudante de Jornalismo