Friday, 19 de August de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1201

A maquiagem estatística nos dados sobre violência policial

As pedaladas do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, pré-candidato à presidência da República do PSDB, são mortais. Os assassinatos cometidos por policiais militares do estado este ano simplesmente sumiram das estatísticas oficiais, o que incluiu a chacina de 23 pessoas, em uma única madrugada, perpetrada em Osasco e Barueri, no mês de agosto, em que só um – um! – policial militar está detido sob suspeita. Aos 23 homicídios de pessoas desarmadas que estavam simplesmente fora de casa somaram-se depois os assassinatos em conjunto de quatro entregadores de pizza em Carapicuíba, também região metropolitana de São Paulo, em setembro – e fora dos dados oficiais –, que resultou na detenção de outro pm. Claro, idem, sob suspeita. Nas duas matanças acredita-se em vingança por um PM morto em assalto e pela mulher de outro.

Nada constou, porém, como deveria, no último Diário Oficial do Governo do Estado de São Paulo, publicado neste mês de novembro. Ao contrário, anunciou-se uma queda brutal de 96% – 996%! – no número de assassinatos no estado de São Paulo, comparados os trimestres de julho/agosto/setembro de 2014 e 2015. Desculpa da Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado de São Paulo, como já ocorrido anteriormente: houve uma mudança na metodologia de cálculo em abril, mudança da borracha. O novo cálculo exclui assassinatos acidentais ou dolosos (sic) em legítima defesa e de policiais em folga, considerados “intervenção policial” (isto). Foram 102 assassinatos apagados em apenas seis meses, conforme cálculo da Folha de S.Paulo, abrangendo cinco chacinas em São Paulo, pelas quais 25 PMs foram detidos sob suspeita. Estatística mais veraz do Datafolha aponta que 60% dos paulistanos morrem de medo da PM.

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Zulcy Borges é jornalista