Friday, 01 de March de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1277

Newseum suspende homenagem a jornalistas da TV do Hamas

O Newseum, que planejava homenagear dois jornalistas que trabalhavam em Gaza para a al-Aqsa TV, administrada pelo Hamas, acabou optando por não incluir Hassam Salama e Mahmoud al-Kumi em seu memorial, em cerimônia na semana passada. O museu de jornalismo e mídia em Washington realiza, desde 1996, uma cerimônia anual na qual homenageia profissionais de imprensa que foram assassinados por motivos relacionados ao seu trabalho. No evento da semana passada (13/5), 82 nomes foram adicionados aos 2.246 da placa do memorial.

Salama e al-Kumi foram mortos pelo Exército israelense durante a operação Pilar de Defesa, em novembro do ano passado, quando estavam em um carro na Faixa de Gaza. Organizações como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, a Repórteres Sem Fronteiras e a Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias tinham classificado os dois como “jornalistas mortos na linha de tiro”. No entanto, devido à pressão de outras organizações, como o Conselho Nacional Democrático Judeu e empresas de mídia de direita, o Newseum acabou optando por cancelar a homenagem.

Jornalistas e ativistas

“Questões sérias foram levantadas sobre se os dois indivíduos incluídos na lista inicial de jornalistas que morreram a trabalho no ano passado seriam verdadeiramente jornalistas ou se estavam envolvidos em atividades terroristas”, declarou um porta-voz do Newseum. “Levamos essas preocupações em conta de maneira séria e decidimos reavaliar a inclusão dos jornalistas em nosso memorial enquanto investigações são feitas”.

O correspondente-chefe da NBC, Richard Engel, que foi capturado no ano passado na Síria, falou, durante a cerimônia, sobre a dificuldade de distinguir jornalistas de ativistas. “Eu concordo que existe uma distinção e que diversas pessoas na lista não são jornalistas, mas ativistas políticos que trabalharam na mídia. E carregar uma câmera e um notebook não faz de você um jornalista. Um jornalista tem a responsabilidade de procurar a verdade, não importa onde esteja, mesmo se a matéria fere a sua causa. Jornalistas não têm causas. Eles devem ter princípios e crenças”, afirmou.

Jornalistas que trabalham em zonas de guerra são protegidos por legislação internacional. Pelo menos 87 dos 167 palestinos mortos pelo Exército de Israel durante a operação de novembro não eram combatentes, segundo dados de um relatório da ONG israelense B’Tselem. O Departamento do Tesouro americano chegou a classificar a al-Aqsa como uma organização terrorista, devido a sua ligação com o Hamas.