Tuesday, 23 de April de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1284

Falta de acordo prejudica cobertura de campeonato de futebol

A cobertura dos jogos de abertura da temporada de futebol no Reino Unido pode estar comprometida diante das negociações sem sucesso entre a Premier League (liga de futebol britânica) e a Football League (grupo que representa as divisões inferiores do futebol britânico). Há meses, os dois lados vêm debatendo sobre que direitos repórteres, fotógrafos e clientes que pegam conteúdo de agências de notícias como Reuters e Press Association terão para cobrir os campeonatos Premiership e Football League. Esta semana, representantes dos órgãos que regulamentam o futebol no país não conseguiram chegar a um novo acordo, por conta de questões como prazo de divulgação das fotos e modo de operação da cobertura de jogos em tempo real por blogs.

A Premier League propôs um acordo considerado pela coalizão de mídia – formada por representantes de jornais nacionais e agências de notícias – como altamente restritivo ao uso de conteúdo noticioso produzido em campo. “Eles publicaram 16 páginas de restrições legais que, dentre outros itens, incluem controles da liga sobre como e quando notícias podem ser publicadas online e como material noticioso pode ser distribuído para fãs no Reino Unido e no exterior”, afirmou a coalizão em declaração divulgada esta semana. “Em alguns casos, eles requerem o pagamento às ligas para obter permissão para produção de conteúdo”.

Ultrapassado

A coalizão busca mudar o acordo atual, da temporada 2003/2004, por acreditar que ele esteja ultrapassado e não se adeque à era digital. “A Premier League parece querer o mesmo e inaceitável acordo de antes”, disse uma fonte das negociações a Mark Sweney [The Guardian, 4/8/11]. Os veículos de mídia argumentan que, com ferramentas como Twitter, Flickr e blogs disponíveis para qualquer pessoa nos jogos, a ideia de limitar jornais e agências não é realista.

Os órgãos regulatórios rebateram a declaração da coalização de mídia, alegando que nunca houve um ponto final nas negociações. Segundo eles, a reação dos jornais e agências – ao divulgar uma declaração sobre a falta de acordo – parece uma estratégia para pressionar por mudanças. A coalizão tenta remover do acordo atual cláusulas sobre o controle da quantidade de texto e fotos que podem ser publicados online. Há ainda o temor de que os órgãos regulatórios insiram uma nova cláusula impedindo que repórteres cobrindo ao vivo uma partida de futebol interajam com o público pela internet.