Tuesday, 21 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1288

Gigante pública deverá ser reestruturada

O Festival Internacional de Televisão, que acaba de ser realizado em Edimburgo, na Escócia, foi palco de novos debates sobre o futuro da maior emissora pública do mundo, a britânica BBC. Após o episódio envolvendo o repórter de rádio Andrew Gilligan e o cientista David Kelly, que causou atrito sem precedentes entre a rádio e o governo de Tony Blair, o papel da BBC passou a ser fortemente questionado.

Em Edimburgo, seu novo diretor-geral, Mark Thompson, procurou justificar as grandes reformas que planeja fazer na companhia, que incluem a implementação de normas editoriais mais duras, corte de gastos e novas regras de governança corporativa, além da revisão de verbas de programas, de suas operações de internet e de seu desempenho como prestadora de serviço público.

Os canais ingleses rivais, financiados com publicidade, pressionam para poderem ganhar o espaço que a BBC deixaria se estivesse menos voltada ao ganho de audiência. ‘Não queremos que eles concorram com a gente exatamente no mesmo horário, com o mesmo gênero de programa’, explica Mick Desmond, presidente da ITV, à reportagem do Financial Times [27/8/04].

Thompson pessoalmente estaria mais preocupado em ‘botar ordem na casa’ do que com a concorrência. É provável que ele faça a BBC se concentrar em seus negócios principais – rádio e TV – livrando-se de outros setores grandes, porém secundários, abrigados sob seu braço comercial, a BBC Worldwide.

Os planos de redução de gastos, visando a geração de reservas financeiras, embutem a admissão da direção de que a nova concessão de financiamento público da emissora a ser aprovada em 2006 para um prazo de 10 anos deverá ter seu valor diminuído.