Monday, 24 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Jornalista preso por crítica ao presidente

O jornalista queniano David Ochami foi detido na terça-feira (27/9) acusado de ‘incitamento’ pela autoria de um artigo com críticas ao presidente. Intitulado ‘Golpes na África não acontecem sem razão’, o texto foi publicado em 25/9 e afirmava que ‘não há garantias de que um golpe ou a expulsão de um presidente envolvam derramamento de sangue ou seja, em sua natureza, mau para o país’.


Um policial da Unidade Especial de Prevenção ao Crime, à paisana, entrou na redação do Kenya Times, perguntou por Ochami e convenceu o jornalista a segui-lo até o lado de fora do prédio, onde ele foi detido por 12 policiais armados. Depois de revistado, Ochami foi levado a sua casa, onde foi feita uma busca e foram apreendidos diversos cadernos de anotações. O jornalista foi interrogado pelo chefe do Departamento de Investigação Criminal e pela chefe da Unidade de Crimes Graves, que indicou que ele seria processado, mas não informou nenhuma data para o julgamento. Segundo o editor do Kenya Times Chris Odesso, Ochami está detido em uma delegacia no subúrbio de Kiambu, em Nairóbi, e pode enfrentar até cinco anos de prisão caso seja condenado.


O Kenya Times é publicado pela União Nacional Africana do Quênia, partido que já esteve no poder e hoje representa a oposição. Os partidos políticos quenianos têm se mostrado bastante polarizados pela proposta de uma nova constituição que o governo quer aprovada em um referendo marcado para 21/11.


A organização Repórteres Sem Fronteiras [29/9/05] afirmou que ‘as autoridades, claramente, não aprenderam nenhuma lição de seus conflitos com a imprensa este ano. Por um lado, continuam a enviar policiais para prender um jornalista como se ele fosse um gângster. Por outro, fingem-se de surdas diante de pedidos da mídia internacional e de grupos em defesa da liberdade de imprensa para que seja feita uma revisão na legislação de imprensa do Quênia para que ela seja elevada aos padrões democráticos defendidos pela ONU. Esta inflexibilidade é incompreensível’.