Thursday, 30 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1289

Jornalistas atacados na cobertura dos protestos no Egito

Um jornalista foi morto e sete ficaram feridos durante a cobertura dos protestos contra o – agora deposto – presidente egípicio Mohammed Mursi. Uma repórter holandesa foi estuprada na Praça Tahrir, centro das manifestações, em um caso que lembra o horror vivido pela também jornalista sul-africana Lara Logan no início de 2011, quando cobria a saída do então presidente Hosni Mubarak.

Milhões de manifestantes foram às ruas no fim de semana para pedir pela saída de Mursi do governo. Pelo menos 16 pessoas foram mortas e mais de 700 ficaram feridas apenas no domingo [30/6], de acordo com o Ministério da Saúde.

Um dia antes, o repórter Salah al-Din Hassan, de 37 anos, que trabalhava para o site independente  Shaab Masr (Povo Egípcio), foi morto por uma bomba caseira quando cobria um protesto na cidade de Porto Said. O artefato foi arremessado nos manifestantes na Praça Shuhada. Hassan o pegou para jogá-lo para longe, mas ele explodiu em sua mão, deixando outras 16 pessoas feridas.

Também no sábado [29/6], jornalistas que se preparavam para cobrir os protestos em Suez sofreram ataques com coquetéis Molotov e foram espancados por um grupo não identificado. Os agressores gritavam slogans contra a mídia e destruíram os equipamentos dos profissionais, incluindo câmeras e laptops. Os repórteres Mohamed Kamal, do jornal Al-Youm Al-Saba’a, Karim Anwar, do Al-Badil, e Ragaei al-Attar, do site Suez News, tiveram que ser hospitalizados.  

Na segunda-feira [1/7], o fotógrafo Omar Zoheiry, do diário Al-Watan, foi espancado em uma rua próxima à Praça Tahrir, e teve todo seu equipamento roubado. Ele também teve que ser hospitalizado. Em Nasr, distrito do Cairo, a equipe da emissora Al-Arabiya foi forçada a deixar a praça Raba’a Al-‘Adawiyya por partidários de Mursi.

Clima de impunidade

Em um dos casos mais graves, uma jornalista holandesa de 22 anos foi estuprada na Praça Tahrir quando tentava cobrir o início dos protestos. Ela ficou internada por dois dias e teve que passar por uma cirurgia. A embaixada da Holanda no Cairo confirmou que a jornalista – que, segundo a mídia egípcia, trabalha para uma emissora de TV – já voltou para a Holanda.

“Mohammed Mursi e a Irmandade Muçulmana fomentaram uma atmosfera onde jornalistas são atacados com impunidade”, afirmou Sherif Mansour, coordenador do Comitê para a Proteção dos Jornalistas para o Oriente Médio e Norte da África. “Pedimos que todas as partes respeitem a segurança da mídia e recomendamos que jornalistas tomem precauções por sua proteção neste clima perigoso”.

Mursi foi deposto pelo Exército na quarta-feira [3/7], após completar um ano de governo. Eleito após a queda de Mubarak e ligado ao grupo islâmico Irmandade Muçulmana, ele era acusado de não resolver os problemas do Egito e de tentar “islamizar” o país. Nesta quinta-feira [4/7], Adli Mansur, presidente do Tribunal Constitucional egípcio, prestou juramento como presidente interino do Egito. O Exército prometeu suspender a Constituição e realizar eleições presidenciais antecipadas.