Tuesday, 21 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1288

Jornalistas européias detidas e deportadas

A jornalista polonesa Anna Bikont, que trabalha para o Gazeta Wyborcza, um dos jornais mais vendidos da Polônia, foi deportada de Cuba no sábado (3/12), dois dias após ter sido detida pela polícia por entrevistar dissidentes políticos. Nelly Norton, psicóloga de nacionalidade suíça e italiana que trabalha como jornalista e viajava com Anna, também foi expulsa do país.


Segundo o primeiro-secretário polonês Daniel Gromann, a polícia apreendeu as anotações feitas por elas, passaportes e bilhetes de avião, e apagou as fotos da câmera digital. ‘Falaram para elas que elas haviam quebrado as leis de imigração. Tecnicamente, elas foram deportadas. Mas elas contaram que foram bem tratadas’, afirmou Gromann.


Cuba não permite que repórteres estrangeiros que entram no país como turistas trabalhem como jornalistas. Anna, que entrou em Cuba com um visto de turista e sem credencial de imprensa, foi detida pela polícia na cidade de Sancti Spiritus, a leste de Havana. O motorista das duas, Gerardo Sanchez, irmão do presidente da Comissão Cubana para Direitos Humanos, também foi detido.


O governo do presidente Fidel Castro expulsou diversos jornalistas europeus do país este ano, a fim de evitar que eles escrevessem sobre dissidentes. Em maio, dois jornalistas italianos e três poloneses que viajaram para Cuba para cobrir um encontro de ativistas pró-democracia foram deportados.


O Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ), sediado em Nova York, condenou a detenção das duas jornalistas e afirmou que, depois da China, Cuba é um dos países que mais prendem jornalistas, com 24 deles na prisão. A maioria das prisões foi efetuada depois de uma sanção severa à imprensa independente e intelectuais de oposição, em março de 2003. ‘Ao deter e expulsar repórteres, o governo cubano envia uma mensagem ao mundo de que não tolera reportagens críticas’, afirmou a diretora-executiva do CPJ, Ann Cooper. Informações da Reuters [03/12/05].