Thursday, 30 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1289

Mais um jornalista americano é decapitado diante das câmeras

O grupo terrorista ISIS publicou na terça-feira [2/9] um vídeo mostrando a decapitação de mais um jornalista americano. Steven Sotloff, de 31 anos, trabalhava como freelancer e estava desaparecido desde agosto de 2013.

No vídeo intitulado “O segundo recado para os Estados Unidos”, um homem mascarado – aparentemente o mesmo que aparecia no vídeo da execução do jornalista americano James Foley – cumprimenta o presidente Barack Obama e diz que está de volta devido à “política externa arrogante dos Estados Unidos para com o Estado Islâmico”.

Após matar Sotloff, o homem incita Obama a cessar sua campanha de bombardeios no Iraque e diz que, se os EUA não cederem, “nossa faca continuará a atacar o pescoço de seu povo”; em seguida, ameaça outro refém, identificado como o britânico David Cawthorne Haines. Haines foi sequestrado em março de 2013 quando realizava trabalho humanitário perto do campo de refugiados Atme, no norte da Síria.

Não está claro quando o vídeo foi produzido, mas parece recente, visto que há citações aos ataques aéreos dos EUA contra o Iraque perto de Amerli, que foram iniciados no sábado [30/8].

Vídeo é autêntico

Um porta-voz da família de Sotloff declarou que a família está de luto e pediu privacidade. A mãe do jornalista, Shirley, chegou a fazer um apelo a Abu Bakr al-Baghdadi – líder do Estado Islâmico e um dos homens mais procurados do Oriente – para que libertasse seu filho. Ela gravou a mensagem logo após a divulgação do vídeo do assassinato de James Foley, no qual Sotloff era ameaçado de morte caso as exigências do grupo militante não fossem cumpridas.

Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional americano, confirmou a autenticidade do vídeo. O presidente Obama declarou que os Estados Unidos não se deixarão intimidar pelo “derramamento de sangue”.

As forças de Operações Especiais americanas tentaram encontrar Foley e Sotloff, bem como outros reféns, porém sem sucesso – autoridades acreditam que o ISIS detém pelo menos outros dois reféns norte-americanos, ambos pertencentes a grupos humanitários. Ao mesmo tempo, existe muita cautela para interferir na região, visto que o governo americano tem evitado o envolvimento militar direto na Síria.

Mais de mil mortos em um mês

Mais de 1,6 milhão de pessoas foram deslocadas em 2014 devido à violência no Iraque e pelo menos 1.400 foram mortas só no mês de agosto. Três milhões de sírios também fugiram para o exterior e 6,5 milhões migraram dentro do país.

Funcionários da ONU estão investigando as atrocidades no Iraque após relatos persistentes de que os lutadores do Estado Islâmico têm levado a cabo “atos desumanos numa escala inimaginável”, que incluem decapitações e outras mortes, conversões forçadas, escravidão e abuso sexual. A Anistia Internacional também se manifestou, condenando a postura do grupo, acusado de se lançar numa “campanha pela limpeza étnica com a realização de crimes de guerra contra minorias étnicas e religiosas”.

Stephen Harper, embaixador americano para o fórum da ONU, solicitou ao primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, a criação de um governo multiétnico para investigar todas as alegações contra as forças do governo e grupos terroristas.

***

Leia também

Dias após morte de James Foley, jornalista americano é solto na Síria

Remoção de vídeo do Twitter e do YouTube levanta debate ético