Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1412

Revistas de negócios vão de mal a pior

A recente aquisição dos títulos femininos que o grupo alemão Gruner + Jahr detinha nos EUA pela companhia local Meredith, por cerca de US$ 350 milhões, evidenciou o quão mal vai o setor das revistas de negócios. A Gruner, num evidente movimento para deixar o mercado americano, reteve seus dois títulos de negócios, Inc. e Fast Company, que comprara há quatro anos por mais de meio bilhão de dólares. Agora seu valor é virtualmente nenhum – a Meredith não quis ficar com as revistas.

Há anos as publicações de negócios passam por uma crise de queda na publicidade. Elas foram afetadas diretamente pela queda das bolsas e a recuperação nunca veio. Além disso, seus maiores anunciantes, as grandes corporações e instituições financeiras, são as mesmas cujos diretores hoje aparecem em matérias sobre fraudes e processos. Que empresa quer anunciar ao lado de reportagens negativas?

Mesmo títulos antes considerados sólidos, como Fortune, Forbes e BusinessWeek, não se reergueram na era ‘pós-Enron’. Juntas, estas três faturaram no ano passado quase US$ 500 milhões a menos do que em 2000, auge da bolha da internet. Muitos anunciantes migraram para a Rede, motivo pelo qual as editoras também têm investido nela. A Dow Jones, que publica a Barron’s, por exemplo, comprou o portal MarketWatch. Um executivo da Forbes, por sua vez, informou a David Carr, do New York Times [30/5/05], que em até dois anos o portal da revista faturará mais que a publicação impressa.